sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Canal de atendimento às bancárias vítimas de violência pode ajudar a diminuir casos no setor

Proposta já foi encaminhada à Fenaban em reunião realizada no ano passado




A criação do canal de atendimento às bancárias vítimas de violência é uma proposta pelo Coletivo Nacional das Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) de enfrentamento à violência contra a mulher, que é uma das principais bandeiras de luta para o Dia Internacional da Mulher.

“As mulheres vítimas de violência doméstica já estão fragilizadas com a situação vivenciada em casa, não encontra nenhum tipo de acolhimento no seu local de trabalho, aonde passa o maior tempo”, afirmou Silmara Antonia da Silva, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A dirigente sindical se formou no curso de Administração em 2019 e escolheu Política de acolhimento de mulheres em situação de violência doméstica nas instituições financeiras, como tema do seu trabalho de conclusão de curso (TCC), por já ter atendido bancárias nesta situação. Ela foi a idealizadora da reivindicação, apresentada à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), em reunião da mesa de Igualdades de Oportunidade, realizada em abril do ano passado.

“A nossa expectativa é que a Fenaban possa dar continuidade nas discussões que já foram iniciadas na mesa de Igualdade de Oportunidades e tornar essa proposta uma realidade dentro dos bancos, o que será fundamental para dar a proteção e o respeito que precisam, além de manter o respeito no ambiente de trabalho”, salientou Elaine Cutis, secretária da Mulher da Contraf-CUT.

Para Silmara, a estratégia de prevenção é mais necessária. “Um canal que possa olhar as trabalhadoras com mais atenção, pode iniciar um processo de mudança na empresa e contribuir para a redução dos números de violência e até feminicídio no país.”

A dirigente aponta que a ausência de uma política interna para lidar com o problema, vivenciado por muitas mulheres no Brasil, leva o gestor dos bancos ao imobilismo ou ao tratamento inadequado da situação. “A falta de compreensão dos fatos e de falta de orientação por parte da instituição contribui para a perpetuação de uma cultura de violência e punição da própria vítima do processo. É difícil para a mulher separar o que vivenciou da violência sofrida pelo seu companheiro, da sua relação do trabalho, o que acaba influenciando diretamente no rendimento no trabalho.”

A pesquisa de Silmara ainda sugere outras intervenções necessárias para contribuir e minimizar o sofrimento psíquico da mulher vítima de violência, como curso sobre violência doméstica para gestores e trabalhadores; liberação da funcionária sem penalidades e horários flexíveis, caso haja necessidade, devido as agressões recebidas; horários de trabalho flexíveis; alteração temporária das responsabilidades do trabalho; assistência jurídica; segurança pessoal e prioridade em estacionar próximo ao prédio e manter o sigilo.

Fonte: CONTRAF-CUT

Contraf-CUT cobra negociação sobre reestruturação da Caixa

Direção do banco segue desrespeitando os empregados, impondo retirada de função e transferências arbitrárias, apesar de pressão já ter arrancado algumas garantias comissão cobra reunião, afim de preservar os direitos e o respeito aos empregados




A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou um ofício, na noite desta terça-feira (18), para cobrar a continuidade das reuniões sobre o processo de reestruturação da Caixa.

O documento cita a liminar concedida a pedido da Contraf-CUT e pede transparência nos dados da reestruturação, como: gabaritos, números de empregados, funções e unidades envolvidas no processo, separados por região (com dados antes e previsão depois), número de previsão de dispensa das funções, transferências por região, etc.

Na última sexta feira (14), em juízo, a direção do banco registrou seu compromisso de garantir a manutenção das funções e os locais de 80% dos empregados da rede. “Além de cobrar esse compromisso, queremos respeito aos trabalhadores de licença e de férias, além outras situações. Queremos que a direção do banco coloque para as federações e sindicatos a situação em cada região para podermos acompanhar caso a caso”, cobrou Dionísio Reis, coordenador da Comissão Empregados da Caixa Econômica Federal (CEE/Caixa).

A CEE/ Caixa lembra ainda do pedido de agendamento de reunião dia 20 de fevereiro que não teve resposta. “São inúmeras as reclamações dos empregados quanto ao processo, por isso ele deve ser acompanhado de perto se for prosseguir. Precisamos garantir os direitos dos trabalhadores, entre eles, o de no caso do descomissionamento tendo as condições de incorporação da gratificação de função que tenha seu direito garantido”, afirmou Dionísio Reis. “Nós já apresentamos todas essas questões no último encontro com a direção do banco, em 12 de fevereiro, mas até o momento não obtivemos resposta. A transparência das informações é imprescindível para principiar um processo de negociação”, completou

CA debate reestruturação

Na reunião do Conselho de Administração (CA), na última segunda-feira (17), o único item da reestruturação colocado em pauta foi a criação das superintendências nacionais, já que o processo na íntegra só passa pelo Conselho Diretor. Para a representante dos empregados no CA, Rita Serrano, redefinir estratégias faz parte da rotina que qualquer empresa, mas ela opina: “Não tenho  instrumentos para avaliar se essa reestruturação é a mais adequada para a rede, mas entendo que por ser a área mais importante,  coração  e vitrine da Caixa, que agrega quase 60% dos empregados, deveria ser feita com cautela  e discussão, para não correr riscos de  perda de processos, perda de inteligência, piora na qualidade de atendimento a clientes e usuários”, afirmou.

Ela avalia também que a restruturação proposta desconsidera que o maior banco público do Brasil deveria ter política de inclusão bancária, pois hoje em torno de 45 milhões de brasileiros não tem acesso a serviços bancários. Rita Serrano ressaltou que a expectativa é que a direção da Caixa reavalie esse processo açodado e respeite as entidades de representação e sobretudo os empregados, que ficaram inseguros e assustados com as possibilidades de mudanças, perdas de função, de local de trabalho, e da ampliação da pressão por resultados.

A reestruturação, no entendimento dela, também é um passo para o esvaziamento da empresa e sua privatização, mesmo que fontes do governo afirmem que a Caixa não será privatizada neste momento. “Na verdade a Caixa já está sendo privatizada, pois se desfez de R$ 15 bilhões em ativos, vendeu ações da Petrobras, do BB, do Instituto de Resseguros do Brasil, o IRB, fez o leilão da Lotex e prepara para esse ano a privatização de operações fundamentais nas áreas de seguros, cartões e loterias. Então é evidente que Caixa está sendo privatizada e o governo só não admite isso por um motivo: a opinião pública. As pesquisas indicam que a sociedade brasileira não quer a privatização, especialmente quando se trata da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, um banco público, tão importante e gestor de inúmeros programas sociais”, avalia.

Reconhecimento dos empregados

A Contraf-CUT aproveitou o ofício para cobrar a antecipação do pagamento da PLR. A PLR na Caixa é uma conquista recente que vem de 2003, antes disso o banco não garantia a regra básica da CCT. Além da regra básica e da parcela adicional previstas na CCT da categoria (módulo Fenaban), a PLR é composta na Caixa pela PLR Social, conquista dos empregados na campanha de 2010 e garante 4% do lucro líquido distribuído linearmente.

RH 151 para todos os empregados

É importante lembrar que a Justiça determinou que o direito à incorporação da gratificação de função prevista no RH 151 deve ser mantido a todos os empregados. A Caixa expediu documento “FAQ”, em que argumenta de que a concessão do adicional de incorporação não está mais prevista nas normas internas da Caixa. Porém, as entidades sindicais esclarecem que, recentemente, a Juíza da 13ª Vara do Trabalho de Brasília julgou procedente o pedido da Contraf-CUT e federações, em ação coletiva, para “declarar que o direito à incorporação da gratificação de função prevista no RH 151 aderiu aos contratos de trabalho de todos os empregados substituídos que se encontravam admitidos até a data de 09/11/2017, desde que preenchidos os requisitos da norma”.

Para relembrar

No final de 2017, a Caixa revogou o normativo RH 151, o que ocasionou a limitação da incorporação de gratificação de função apenas aos empregados “descomissionados” até o dia 09/11/2017, desde que a dispensa ocorresse imotivadamente e o empregado contasse com 10 anos ou mais de função.

As entidades sindicais ingressaram com a ação coletiva denunciando a revogação do RH 151, bem como reivindicou a manutenção do respectivo normativo interno em sede de liminar. A liminar foi deferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, em sede do mandado de segurança, em 2018.

Na sentença, a Juíza declarou que “o direito à incorporação da gratificação de função prevista no RH 151 aderiu aos contratos de trabalho de todos os empregados substituídos que se encontravam admitidos até a data de 09/11/2017, inclusive, desde que preenchidos os requisitos da norma”. Essa decisão beneficiará todos os empregados lotadas nas respectivas bases territoriais da Contraf-CUT e das federações autoras.

Fonte: CONTRAF-CUT

Itaú paga PLR dia 3 de março

Contraf-CUT solicitou antecipação, mas banco só irá pagar segunda parcela da PLR 2019 após o Carnaval



Depois de divulgar lucro recorde, o Itaú anunciou que irá pagar a segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) 2019 apenas no dia 3 de março, ou seja, no limite do prazo estabelecido na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) havia solicitado a antecipação do pagamento.


Em 2019, o Itaú alcançou lucro líquido recorrente de R$ 28,363 bilhões. O resultado representa crescimento de 10,2% na comparação com 2018. A rentabilidade ficou em 23,7%, aumento de 1,8 ponto percentual. Em 12 meses, banco eliminou 5.110 postos de trabalho; apenas no último trimestre foram 1.845 empregos a menos.

O Itaú também informou que pagará o valor máximo da PLR (primeira e segunda parcelas da PLR 2019), o que consiste no pagamento de 2,2 salários com teto de R$ 29.000,77 mais a parcela adicional, que tem como teto o valor de R$ 4.914,59. Desse total, subtrai-se o que já foi pago em setembro passado, como antecipação. Além disso, será paga também no dia 3 de março a Participação Complementar dos Resultados (PCR), no valor de R$ 139,00, que não terá compensação dos valores da PLR. O valor é a diferença pelo fato da Médio Anual Recorrente (ROE) atingir 23%.


Fonte Contraf-CUT

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Caixa lucra R$ 21,057 bilhões em 2019 com venda de ativos e também pagou PLR

Crescimento de 103,3% foi às custas do enfraquecimento do banco público




A Caixa Econômica Federal lucrou R$ 21,057 bilhões em 2019, um crescimento de 103,3% com relação ao ano anterior. De acordo com os destaques do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento do lucro foi gerado, principalmente, pela evolução de 31% no Resultado Bruto de Intermediação Financeira, impactado principalmente pela variação de 51% nas receitas de títulos e valores mobiliários (TVM), decorrente do lucro com a venda de ações da Petrobrás e títulos públicos (Notas do Tesouro Nacional), e também pela redução de 27,9% nas despesas de PDD e de 11% nas despesas de captação de recursos. A rentabilidade foi de 17,52%, com incremento de 1,86 pontos percentuais em relação a 2018.

“O lucro da Caixa está baseado, em grande parte, na venda de ativos. Esse resultado não mostra que a empresa está se expandindo, gerando empregos e sim que está se desfazendo de ativos fundamentais. O banco público, que sempre foi um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Brasil, está deixando de lado o mais importante que é seu papel social”, lamentou Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.

O secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Sergio Takemoto, lembra que o lucro da Caixa é fruto do esforço realizado pelos empregados, que não está sendo reconhecido pela direção da empresa. “A recompensa dada pela direção da Caixa é a reestruturação que retira direitos dos trabalhadores, com ameaça de redução de remuneração e transferências compulsórias, gerando intranquilidade. Esperamos que a direção do banco reconheça esse esforço e reveja as medidas que estão prejudicando milhares de trabalhadores”, argumentou.

A secretaria de Cultura e representante da Contraf-CUT nas negociações com o banco, Fabiana Uehara Proscholdt, completou. “Quem faz a Caixa são os empregados e, mesmo sendo assediados no dia a dia, sem as melhores condições de trabalho, fazem o seu melhor.”


Demissões

O banco encerrou o ano de 2019 com 84.006 empregados, com fechamento de 886 postos de trabalho no ano. A Caixa lançou um PDV com 2.319 adesões em sua primeira etapa, resultando no desligamento de 2.020 empregados. Já a segunda etapa, registrou 686 desligamentos, resultando em 2.706 desligamentos no ano. Nesse mesmo período, foram fechadas duas agências, 39 PAs, 63 lotéricas e 310 correspondentes Caixa Aqui. Em contrapartida, houve aumento de 10,6 milhões de novos clientes.

As receitas de prestação de serviços e com tarifas bancárias cresceram 0,57%, totalizando R$ 27,0 bilhões. Já as despesas de pessoal, considerando-se a PLR, apresentaram expansão de 8,76%, atingindo R$ 23,8 bilhões. Com isso a cobertura das despesas de pessoal pelas receitas secundárias do banco foi de 113,2%.

Carteira de crédito

A carteira de crédito ampliada teve redução de 0,11% em doze meses, totalizando R$ 693,7 bilhões. A Carteira Comercial Pessoa Física manteve-se estável, totalizando R$ 81,9 bilhões. A Carteira Comercial Pessoa Jurídica apresentou queda de 30,2%, somando R$ 38,6 bilhões. O crédito imobiliário cresceu 4,6%, num total de R$ 465,1 bilhões, e a carteira de infraestrutura teve redução 0,3%, totalizando R$ 84,0 bilhões. As variações na carteira estão de acordo à estratégia que prioriza concessões nos segmentos ligados a microempresas e fomento ao crédito imobiliários. A taxa de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias foi de 2,18%, com redução de 0,01 ponto percentual.
Caixa Pagou a PLR dia 19/02, após solicitação da CONTRAF-CUT



Depois de ofício enviado pela Contraf-CUT, a segunda parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) dos empregados da Caixa será creditada, nesta quarta-feira (19), e poderá ser vizualizada em conta, na quinta-feira (20). “A PLR na Caixa é uma conquista de luta e um reconhecimento dos empregados, o que é uma cobrança constante nossa”, afirmou Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.

Mais cedo, a Caixa Econômica Federal divulgou um de R$ 21,1 bilhões em 2019, o que representa uma alta de 103% frente ao ano anterior (R$ 10,3 bilhões). Segundo o banco estatal, o lucro registrado no ano passado foi recorde. “É uma pena que este valor recorde só tenha sido alcançado com a venda de ativos do banco público, que na verdade é patrimônio do povo brasileiro”, lamentou o coordenador da CEE/ Caixa.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) está preparando os destaques do balanço divulgado e, em breve, publicaremos a matéria completa.

PLR

A PLR na Caixa é composta, além da regra básica e da parcela adicional previstas na CCT da categoria (módulo Fenaban), pela PLR Social, conquista dos empregados na campanha de 2010. A regra básica corresponde a 90% do salário-base mais verbas fixas de natureza salarial. Além disso, soma-se também um valor fixo de R$ 2.457,29. O valor individual limita-se a R$ 13.182,18. Se o total apurado na aplicação da Regra Básica ficar abaixo de 5% do lucro líquido apurado no exercício de 2019, o valor será majorado até que se atinja esse percentual ou será pago 2,2 salários do empregado, com limite de R$ 29.000,77, o que ocorrer primeiro.

A parcela adicional é a divisão linear de 2,2% do lucro líquido apurado em 2019, dividido pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras da CCT, em partes iguais, até o limite individual de R$ 4.914,59.

Os valores individuais relativos à parcela adicional não são compensáveis com valores devidos em razão de planos específicos, mas aqueles referentes à regra básica podem, dependendo do que é definido pelo acordo específico do banco.

Lembrando que se trata da segunda parcela. Portanto, são descontados os valores pagos na antecipação.

A PLR Social é a distribuição linear de 4% do lucro líquido a todos os empregados. Na Caixa, é antecipado 50% do valor da PLR na primeira parcela (levando em consideração a projeção de lucro).

 FONTE: CONTRAF-CUT











sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Itaú lucra R$ 28,363 bilhões em 2019

Mesmo com bom desempenho, banco fechou 5.110 postos de trabalho no ano


O Banco Itaú obteve um lucro líquido recorrente de R$ 28,363 bilhões em 2019, com crescimento de 10,2% em relação ao ano de 2018, segundo os destaques do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). De acordo com o banco, o crescimento da margem financeira com clientes, devido ao aumento das carteiras com pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas foram os principais destaques positivos. O retorno recorrente sobre o Patrimônio Líquido médio anualizado (ROE) cresceu 1,8 p.p. em doze meses, ficando em 23,7%.
Jair Alves, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (COE) do Itaú, acredita que, com este lucro, o banco tem total condição de manter o nível de emprego, apostar mais nos funcionários, com cursos de capacitação e treinamentos para o desenvolvimento profissional. “A comissão irá cobrar do banco uma distribuição melhor dos programas de remuneração banco, como o Agir e Prad. Precisamos ampliar os públicos destes programas e discutir o pagamento proporcional do principal programa do banco, que é o Agir, pago no varejo (agencias). Com esse lucros, o Itaú pode alavancar o valor do PCR que é pago a todos os funcionários também.”


Mesmo com este bom desempenho, a holding fechou 5.110 postos de trabalho no ano, com 81.691 empregados no país ao final de 2019. No 2º trimestre, o banco lançou um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) ao qual, segundo comunicado, atingiu 3,5 mil adesões, gerando uma despesa não recorrente de R$ 2,4 bilhões. Além do PDV, de acordo com o relatório do banco, a redução do quadro de colaboradores no Brasil deve-se, também, ao encerramento de agências físicas. Em doze meses, foram fechadas 372 agências físicas e foi aberta apenas uma agência digital, totalizando 3.158 e 196, respectivamente.

A Carteira de Crédito do banco apresentou crescimento de 10,9% em doze meses e 2,6% no trimestre, atingindo R$ 706,7 bilhões. As operações com pessoas físicas (PF) cresceram 13,5% em relação a dezembro de 2018, chegando a R$ 239,0 bilhões, com destaque para veículos (+19,3%), crédito pessoal (+18,2%) e cartão de crédito (+17,4%). As operações com pessoas jurídicas (PJ) no país somaram R$ 190,4 bilhões, com alta de 11,9% em doze meses. Veículos (+112,7%), Financiamento à importação/exportação (20,4%) e Capital de Giro (+15,7%) foram os destaques no segmento. A carteira de crédito para a América Latina apresentou pequena alta de 1,1% no período, totalizando R$ 153,7 bilhões. O Índice de Inadimplência superior a 90 dias, no país, subiu 0,1 p.p., ficando em 3,0%. Por sua vez, as despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) cresceram 64,8%, totalizando R$ 23,9 bilhões.

A receita com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceu 5,6% em doze meses, totalizando R$ 40,6 bilhões. As despesas de pessoal, por sua vez, subiram 12,6%, somando, aproximadamente, R$ 27 bilhões. Com isso, a cobertura destas pelas receitas secundárias do banco foi de 150,48% no período.


Banco do Brasil lucra mais de R$ 18 bi, alta de 41,2%


Mesmo com grande lucro e rentabilidade, o governo está vendendo partes do banco e promovendo uma reestruturação que pode prejudicar a capacidade de atendimento às demandas da população e a realização de diversas políticas sociais 


O Banco do Brasil obteve lucro líquido contábil de R$ 18,16 bilhões em 2019, segundo análise do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no relatório de balanço apresentado pelo banco. O montante representa um crescimento de 41,2% na comparação com 2018, quando a instituição lucrou R$ 12,86 bilhões.

Se considerarmos os dados apenas do 4º trimestre, o lucro líquido foi de R$ 5,69 bilhões, alta de 33,8% na comparação com o trimestre anterior e de 49,7% ante os últimos 3 meses de 2018, quando o lucro foi de R$ 4,25 bilhões.

“O Banco do Brasil é uma empresa altamente rentável. Além de promover uma política de fomento ao desenvolvimento agrário e à produção de alimentos, o que por si só já contribui para a economia do país como um todo, abastece o Tesouro Nacional com recursos que são utilizados pelo governo para a realização de outras políticas governamentais”, observou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.

“Mesmo com o grande lucro e rentabilidade, o governo está vendendo partes do banco e promovendo uma reestruturação que pode prejudicar a capacidade de atendimento às demandas da população e a realização de diversas políticas sociais. Isso é uma privatização disfarçada”, criticou.
“Segredo” do resultado
O resultado foi impulsionado pelo aumento da margem financeira bruta e pelas receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias, que cresceram 6,5% em um ano, alcançando R$ 29,2 bilhões, enquanto, as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, cresceram 13,6% no mesmo período, totalizando a R$ 25,6 bilhões. Assim, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 114,06% em dezembro de 2019.

O banco também tem promovido constantes “reestruturações”, com demissões de pessoal, descomissionamento, redução das remunerações e alteração do plano de carreira entre outros.

Ao final de 2019, o banco contava com 93.190 funcionários, uma redução de 3.699 postos de trabalho no ano. Essa redução do quadro se deve ao Programa de Adequação de Quadros (PAQ), anunciado ao final de julho de 2019, e que, de acordo com o relatório do banco, resultou no desligamento de 2.367 funcionários, gerando uma despesa de R$ 250 milhões. No período, também em função do PAQ, foram fechadas 366 agências e aberto 1 posto de atendimento bancário.

Os funcionários têm se manifestado contra as reestruturações promovidas pelo banco. Na quarta-feira (12), sindicatos de todo o país realizaram um Dia Nacional de Luta contra as reestruturações em andamento. Além das atividades nas agências e departamentos administrativos de todo o país, a Contraf-CUT, através do secretário de Relações do Trabalho, Jefão Meira, foi ao Congresso Nacional para solicitar apoio dos parlamentares na denúncia do desmonte do BB. Na própria quarta-feira, o deputado Paulo Pimenta (PT/RS) atendeu o pedido e denunciou a privatização disfarçada do banco e declarou seu apoio à luta dos trabalhadores.
Acionistas lucram alto
O retorno sobre patrimônio líquido (RSPL), que mede como o banco remunera seus acionistas, cresceu para 18,8% em 2019, alta 3,7 pontos percentuais na comparação com 2018.

O Conselho de Administração do banco aprovou para o exercício de 2020 a manutenção do intervalo de 30% a 40% do lucro líquido a ser distribuído (payout), via dividendos e/ou juros sobre o capital próprio (JCP) aos acionistas.
Carteira de crédito cai 2,6%
O Banco do Brasil fechou o ano com uma carteira de crédito de R$ 680,7 bilhões, queda de 2,6% na comparação com 2018. Segundo o banco, a “a redução pode ser explicada principalmente pela dinâmica da carteira atacado, onde tem se observado uma migração para mercado de capitais”.

“A verdade é que a queda na carteira reflete a política do governo, de redução da capacidade de fomento dos bancos públicos. Essa política abre espaço para que os bancos privados avancem sobre o mercado de crédito, antes dominado pela esfera pública”, afirmou Fukunaga. “O problema é que os privados não têm a mesma política de fomento dos bancos públicos. Os privados concentram os créditos na região Sudeste e oferecem crédito para quem já tem dinheiro. Isso aumenta a concentração de renda e do mercado e aumenta as desigualdades regionais”, observou.

O crédito para Pessoa Jurídica teve queda de 10,9% em relação a dezembro de 2018, totalizando R$ 247,1 bilhões, com redução maior nas linhas para Grandes Empresas (-7,6%) e Governo (-0,7%). O destaque positivo no segmento PJ ocorreu nas linhas de financiamento para Micro, Pequenas e Médias Empresas (alta de 8,5% no período). O crédito para Pessoa Física cresceu 8,9% em doze meses, totalizando R$ 215,0 bilhões e com destaques para os empréstimos pessoais (+45,2%), o crédito renegociado (+19,2%) e o crédito consignado (+14,3%), enquanto o cheque especial caiu 17,7% e as linhas de financiamento a veículos caíram 9,3% em doze meses. A carteira do Agronegócio (que representa 55,4% do segmento no país) caiu 2,7% em doze meses, com leve alta de 0,5% no trimestre, chegando a R$ 183,5 bilhões.
Resultados da concorrência
O maior lucro entre os grandes bancos em 2019 foi o do Itaú, que registrou ganhos de R$ 28,363 bilhões, um crescimento de 10,2% sobre 2018.

No Bradesco, o lucro chegou a R$ 25,887 bilhões em 2019, um aumento de 20% em relação aos R$ 21,564 bilhões apurados no exercício de 2018.

O banco Santander obteve um Lucro Líquido Gerencial de R$ 14,550 bilhões em 2019, crescimento de 17,4%, em relação a 2018. O lucro obtido no Brasil representou 28% do lucro global do banco, que foi de € 8,252 bilhões (com crescimento de 3% em um ano).

A tabela abaixo traz um resumo dos dados e o arquivo anexo a análise completa.



Dia Nacional de Luta ganha força com proposta ameaçadora da Caixa

Conheça as ameaças colocadas no papel que levaram os empregados a vestirem preto para protestar contra a reestruturação que além de atacar papel social do banco desrespeita o histórico profissional dos trabalhadores

Trabalhado@s da Caixa da base


A proposta apresentada pela Caixa Econômica Federal em reunião realizada durante toda a quarta-feira (12) representa ameaça de descomissionamento sumário e de transferência arbitrária da totalidade dos empregados, sem as garantias, como “incorporação” e “asseguramento”, além das garantias para quem está de licença maternidade e saúde. O texto também não discute os direitos como “Porte” e “APA”. Por tudo isso, o Dia Nacional de Luta, realizado pelos empregados em todo o país nesta quinta-feira (13), ganhou ainda mais força.


A Caixa negava que o processo de manifestação de interesse era uma revalidação das funções feita pelos trabalhadores até então. Porém, o documento entregue na quarta-feira (13) comprova a acusação dos representantes dos empregados.

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa tentou negociar com o banco a todo momento. “Depois que a Caixa nos apresentou sua proposta, dissemos que deveríamos levar para a apreciação da base e apresentamos nossa contraproposta, com a cobrança das garantias necessárias para todos os empregados. Foi aí que a direção do banco encerrou a reunião, declarando encerrada a negociação e se retirando da mesa”, afirmou Dionísio Reis, coordenador da CEE/ Caixa.

Ainda na quarta-feira, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) conseguiu suspender todo o processo de reestruturação, por meio de uma liminar e – por pressão da Comissão – o portal UmasóCaixa foi retirado do ar pelo banco. A plataforma era responsável por receber as manifestações de interesse dos empregados que optaram pela mudança de função e lotação do plano de reestruturação, sendo usada pela Caixa para validar a função dos empregados.

Dionisio lembra que a CEE não pode assinar qualquer documento sem a apreciação da base, por simples ameaça do banco. “A direção da Caixa sabe da força da luta dos empregados. Seremos vitoriosos e não assinaremos o descomissionamento arbitrário de ninguém, ninguém solta a mão de ninguém.”

A coordenação das CEE reafirma que representa todos os empregados, sem qualquer discriminação. “A Caixa tenta dividir os trabalhadores por cargos. Mas, eles esquecem que na Comissão Executiva dos Empregados estão representados a Contraf-CUT, as federações e os sindicatos e, através deles, a totalidade dos empregados da Caixa. Temos responsabilidade na defesa da Caixa 100% pública e dos direitos. Enfrentaremos processo de negociação e esperamos garantir a assinatura de um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ainda neste ano de 2020. Para isso, precisaremos de muita união e luta. Contamos com 100% dos trabalhadores”.

Fonte: CONTRAF-CUT


SEEB Nova Friburgo e Região
Os dirigentes do Sindicato estiveram na agência 0186 dialogando com os/as bancários/as e os clientes, usuários e consumidores de serviços bancários.

Desde segunda, 10/02, os dirigentes dos SEEB -NF estão percorrendo a base verificando as condições de trabalho e dialogando sobre a reestruturação nos bancos públicos promovida por Paulo Guedes e Bolsonaro.

Neste diálogos, o Sindicato reforçou a necessidade de que em qualquer atividade que a categoria opte em paralisar, parcialmente ou todo dia, o ideal é a realização de uma assembleia com todos os trâmites jurídicos para tentar resguardar os/as bancárias de possíveis penalizações futuras.
E o  sentimento da categoria é que somente a luta é capaz de garantir nossos direitos e reverter esse quadro.



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Contraf-CUT consegue liminar para barrar reestruturação da Caixa

Banco terá que esperar resultado das negociações com empregados para, somente depois, agendar prazo para adesão ao processo



A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) conseguiu, nesta terça-feira (11/02) uma liminar que impede a Caixa Econômica Federal de dar continuidade aos procedimentos de reestruturação que estão sendo implantados pelo banco.

Os empregados estavam sendo obrigados a se inscrever no processo antes da data agendada para a negociação entre a representação dos trabalhadores e o banco, agendada para esta quarta-feira (12).

Na decisão, o juiz Antonio Umberto de Souza Junior, da 6ª Vara do Trabalho de Brasília, determinou o imediato sobrestamento do processo até que haja a realização de reunião e de tratativas no âmbito da Mesa Permanente de Negociação. O juiz determina ainda que o banco reformule o cronograma de adesão e fixe novos prazos para adesão pelos empregados, não inferior a quinze dias após a conclusão das negociações.

Em total desrespeito ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), o banco quer implementar um processo de reestruturação que traz diversas interferências na vida dos trabalhadores e na relação de trabalho com o banco. Decidimos intervir para defender os interesses dos empregados”, explicou o diretor de Finanças da Contraf-CUT e vice-presidente da Federação Nacional das Associações de Empregados da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto.

Negociações prévias

Em sua decisão, o juiz observa que a Caixa assumiu a obrigação de manter uma mesa permanente de negociação para abordar, dentre outros assuntos, quaisquer mudanças nos processos de trabalho que impactassem na vida dos empregados (Aditivo ao ACT 2018/2020, Cláusula 48, caput e § 2º).

O juiz diz ainda que esse tipo de desrespeito às normas e às leis não pode ser ignorado, “em especial quando a própria Constituição Federal atribui especial relevância às negociações coletivas, a ponto de consistirem no único instrumento jurídico viabilizador da grave medida da redução salarial (CF, art. 7º, VI)”. Em sua decisão, o juiz diz ainda que “o cumprimento da obrigação não se exaure numa protocolar marcação de reunião, mas em desdobramentos inevitáveis, com a apresentação dos argumentos de cada parte, interlocução e tentativa de construção consensual de uma solução que atenda os desígnios empresariais sem afrontar ou surpreender cruelmente os trabalhadores”.

O banco está tomando ações truculentas, típicas do atual governo. É preciso por um freio nestas ações e mostrar é preciso respeitar as leis e os acordos que são estabelecidos com os trabalhadores. Eles não podem fazer o que bem entenderem”,  concluiu o dirigente da Contraf-CUT.


Direção da Caixa nega negociação sobre reestruturação

Apesar de negativa, empregados garantem, via liminar da Contraf-CUT, a suspensão do processo por 15 dias. 



Depois de mais de 11 horas de reunião com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, nesta quarta-feira (12/02), a direção do banco não respondeu às perguntas dos empregados e não aceitou parar a reestruturação, colocando os trabalhadores em risco. Sem negociar, a direção do banco encerrou a reunião.


Durante a quarta-feira, a CEE/Caixa conseguiu suspender todo o processo de reestruturação, por meio de uma liminar e – por pressão da Comissão – o portal UmasóCaixa foi retirado do ar pelo banco. A plataforma era responsável por receber as manifestações de interesse dos empregados que optaram pela mudança de função e lotação do plano de reestruturação, sendo usada pela Caixa para validar a função dos empregados.



Recebemos muitas denúncias de problemas no sistema, para manifestações de interesse. O mínimo que a Caixa deveria fazer era suspender o processo para melhorar o sistema. Além disso, o número de perguntas superou 4 mil em poucos dias de consulta. Isso quer dizer que os empregados não tinham entendimento sobre o processo. Então, a suspensão é necessária para que as pessoas tenham mais segurança para tomar a decisão” reforçou o coordenador do CEE/Caixa, Dionísio Reis



A proposta da Caixa é revalidar a função dos empregados, colocando sob ameaça os trabalhadores, tanto do descomissionamento sumário quanto da transferência arbitrária. O banco insiste em manter o processo de forma intransigente, mesmo com a plataforma com mau funcionamento e sem tempo hábil para os empregados fazerem as escolhas.



A remodelagem proposta pela Caixa retira do banco seu caráter social, além de ampliar o modelo de mercado da instituição, visando áreas que estão prestes a serem vendidas como a Caixa Seguridade e a Caixa Cartões.



Na reunião, a direção da Caixa apresentou informações superficiais sobre o plano de reestruturação, como o número de funções criadas e as lotações. Insistindo que cerca de cinco mil novas funções serão criadas, além das que já existem, sem mostrar onde. A Caixa justificou que a reestruturação cria mais estruturas de atendimento, sendo necessária para garantir a sobrevivência da empresa.



A CEE questionou com relação aos estudos de impacto do plano de reestruturação, tanto com relação aos empregados quanto para o Brasil. A secretária de Cultura e representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) nas negociações com o banco, Fabiana Uehara Proscholdt, destacou que a Caixa não mostra a realidade dos efeitos da reestruturação. “Sabemos que a reestruturação é um golpe com relação a própria empresa, mudando o carácter social da instituição, focando no mercado e nos negócios. Então, estamos pedindo transparência nos dados e estudos para que a gente possa fazer uma avaliação e dentro desta perspectiva orientar melhor os empregados”, afirmou.

Dia de luta

Em defesa da Caixa 100% pública, empregados e entidades estão mobilizados em todo o Brasil nesta quinta-feira (13/02). O Dia Nacional de Luta tem como objetivo reforçar a campanha #ACAIXAÉTODASUA e denunciar os ataques que os trabalhadores estão sofrendo diante da reestruturação prevista pela gestão da instituição. Para reforçar o ato, as entidades orientam os empregados a usarem preto no dia da mobilização e realizarem reuniões com os colegas e conversas com a população para apresentar os riscos que a Caixa corre com as vendas de áreas estratégicas do banco.
SEEB Nova Friburgo e Região
Os dirigentes do Sindicato estiveram na agência 0186 dialogando com os/as bancários/as e os clientes, usuários e consumidores de serviços bancários.
Desde segunda, 10/02, os dirigentes dos SEEB -NF estão percorrendo a base verificando as condições de trabalho e dialogando sobre a reestruturação nos bancos públicos promovida por Paulo Guedes e Bolsonaro.
Neste diálogos, o Sindicato reforçou a necessidade de que em qualquer atividade que a categoria opte em paralisar, parcialmente ou todo dia, o ideal é a realização de uma assembleia com todos os trâmites jurídicos para tentar resguardar os/as bancárias de possíveis penalizações futuras.
E o  sentimento da categoria é que somente a luta é capaz de garantir nossos direitos e reverter esse quadro.

Fonte: CONTRAF-CUT


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Direção da Caixa invalida carreiras

Direção do banco implementa reestruturação antes de qualquer negociação com empregados




A direção da Caixa ignora o processo negocial com os trabalhadores e além de anunciar seu projeto de reestruturação limita prazos de inscrição para os empregados antes da data agendada pelo banco para tratar do assunto. Nesta segunda-feira (10), dois dias antes da mesa de negociação, o banco divulgou uma apresentação com as alterações e os prazos que no caso do regional é hoje até às 20h. A reunião de quarta-feira (12) foi agendada pela própria direção do banco público, em resposta aos ofícios enviados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) cobrando explicações e cumprimento da cláusula 48 do ACT sobre o processo de reestruturação, que exige prévia negociação.

A Caixa marcou uma reunião conosco para quarta-feira, mas hoje solta essa apresentação na qual dá um prazo que os empregados interessados em mudanças na nova rede de varejo se manifestar entre hoje e amanhã? É um completo desrespeito com os empregados”, cobrou Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa.

A reestruturação é um processo de descomissionamneto sumário, com novos processos seletivos e novos critérios, os empregados chamam de Revalida, que excluem quem está de licença maternidade, licença-médica ou de férias. Exclui também quem esteve de licença e não participou dos ciclos da Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) nos últimos períodos. Segundo a apresentação do banco será uma dança das cadeiras que os cargos superiores terão prioridade. Nesse processo a Caixa rebaixa os trabalhadores sem garantir lisura em nenhum processo e discriminando milhares de trabalhadores.

Estabilidade remuneratória

Bom lembrar que os empregados têm um direito que vem da constituição e que para os empregados foi firmado no normativo RH 151 que a direção do banco tentou revogar no dia 9 de novembro de 2017, véspera da entrada em vigor da reforma trabalhista. Mas ação da Contraf-CUT garantiu a manutenção por liminar do RH e do direito a incorporação de função para os trabalhadores que desempenharam por 10 anos, essa ação aguarda sentença e discute a incorporação da norma mais benéfica ao contrato de trabalho dos empregados.

Dia 13 vista preto para defender a Caixa e seus direitos

Na próxima quinta-feira (13), os empregados da Caixa se mobilizam no Dia Nacional de Luta contra a Reestruturação. “É fundamental que o maior número de empregados participe dessas mobilizações para debater o processo e encontrar formas de barrar essas mudanças que certamente estão impactando negativamente os trabalhadores, que serão afetados por mais uma reestruturação do banco. Está claro que a direção não respeita os empregados. Só unidos vamos mostrar nossa força”, convocou Dionísio Reis, coordenador da CEE/ Caixa. 
#ACaixaÉtodaSua
Fonte: Contraf-CUT

Empresas aproveitam fim da homologação em sindicatos e dão golpe nos trabalhadores

Empresas fazem trabalhador assinar rescisão para sacar FGTS e receber seguro-desemprego, dizem que vão depositar verbas rescisórias e dão o cano. 


Trabalhadores demitidos são vítimas de golpe nas empresas


Empresários sem escrúpulos estão aproveitando o fim da obrigatoriedade da  homologação da rescisão do contrato de trabalho nos sindicatos das categorias para dar golpes nos trabalhadores e nas trabalhadoras. Alguns estão fazendo os trabalhadores assinarem a rescisão sem receber as verbas trabalhistas.

O golpe é simples. Dias depois de demitido, o trabalhador é chamado para ‘assinar a rescisão’. Quando chega no departamento pessoal é informado que tem de assinar para sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e dar entrada no seguro-desemprego e que a empresa irá depositar as verbas rescisórias nos próximos dias, mas não depositam, denunciou o advogado Sérgio Batalha ao jornal O Dia, do Rio de Janeiro.

Segundo ele, “quando o empregado entra com o processo na Justiça do Trabalho [para receber], ela [a empresa] alega que pagou as verbas rescisórias ‘em espécie’, ou seja, em dinheiro”.

Este golpe é possível porque a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer, aprovada pelo Congresso Nacional, acabou com a exigência que consta em artigo 477 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que estabelecia que o pedido de demissão ou o recibo de quitação de rescisão do contrato de trabalho firmado pelo trabalhador com mais de um ano de carteira assinada só seria válido quando feito com a assistência do sindicato da categoria. O papel do sindicato, garantido na CLT, era checar se os valores estavam corretos, se a empresa tinha alguma pendência com o trabalhador ou trabalhadora, pedir documentos comprovando os depósitos na conta individual do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o pagamento das verbas rescisórias.

Desde que a Lei nº 13.467/17 entrou em vigor, em novembro de 2017, a CUT vem orientando as trabalhadoras e os trabalhadores que se sentirem prejudicados ou tiverem dúvidas em relação as contas e ao fim do contrato de trabalho a procurarem seus sindicatos para buscar auxílio jurídico especializado.

A lei de Temer não é motivo para o trabalhador não procurar o sindicato quando se sentir prejudicado ou tiver dúvidas, afirma o secretário de Relações do Trabalho da CUT, Ari Aloraldo do Nascimento. “O sindicato existe para defender seus direitos. Recorra ao seu sindicato para tirar dúvidas, pedir ajuda ou lhe orientar sobre como fazer nessas horas. Uma coisa é certa: não assine a homologação sem receber. Jamais faça isso”, alerta.

Na entrevista ao O Dia, o advogado Sérgio Batalha foi na mesma linha de raciocínio e alertou: “O trabalhador não deve assinar o Termo de Rescisão do contrato de trabalho sem ter recebido as verbas nele discriminadas, pois o termo tem a natureza jurídica de um recibo de quitação. Ou seja, se o valor líquido das verbas rescisórias discriminadas for de R$ 5 mil, por exemplo, quando o trabalhador assina o termo dá um recibo de R$ 5 mil ao empregador”.

E para não cair no golpe de assinar e não receber a rescisão para acelerar o recebimento do FGTS e da entrada no seguro-desemprego, a solução é fazer uma ressalva no próprio termo de rescisão, esclarecendo que não recebeu as verbas nele discriminadas, orienta o advogado.

Confira orientações da CUT para não cair no golpe

Na avaliação do secretário de Relações do Trabalho da CUT, Ari Aloraldo do Nascimento, a nova lei trabalhista tirou direitos dos trabalhadores, beneficiou empresários e ainda abriu essa estrada para patrões sem escrúpulo deixarem até de pagar as verbas rescisórias tirando o papel legal dos sindicatos de acompanhar as homologações.

“É por isso que tanto Temer quanto o atual governo de Jair Bolsonaro atuam para enfraquecer os sindicatos que trabalham para impedir golpes como esse e garantir este e todos os outros direitos da classe trabalhadora”.

O trabalhador não pode se deixar enganar e tem de saber que pode contar com o seu sindicato para ajudá-lo nessa e em todas as lutas que precisar enfrentar, independentemente das medidas tomadas por esses governos pró-empresariado, reforça Ari.

O prazo limite que a empresa tem para pagar as indenizações previstas em contrato é de até dez dias. O mesmo período máximo vale para o envio dos documentos que comprovam o fim do vínculo com a empresa aos órgãos competentes. Os documentos são Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS (GRRF) e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Fontes: Contraf-CUT, SBT Rio 

Palavra do Presidente

Não podemos esquecer o recado do presidente do Bradesco, Octávio Lazari que aposta em reformas que beneficie o sistema financeiro. Ou seja, o capital tem que avançar. Para os banqueiros e  milionários do país, direitos são um fardo pesado. Programas sociais são desnecessários. E assim dia após dia lendo, ouvindo e assistindo a grande mídia que é patrocinada por elles vai se criando um consenso na sociedade que estas reformas são necessárias, porém a raiz da desigualdade não é atacada. A taxação das grandes fortunas por exemplo. Quem tem mais paga por aqueles que não têm e esses que têm muito, muito, muito mais milhões bilhões devem pagar por todos.