sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Direção da Caixa dá golpe nos empregados

Instituição impõe aumento no valor da mensalidade, no teto de pagamento e no percentual de coparticipação


A direção da Caixa desferiu mais um golpe contra os empregados. No final da tarde desta quinta 26 enviou comunicado no qual informa novos valores a serem cobrados dos assistidos pelo Saúde Caixa a partir de 1º de fevereiro.
De acordo com o documento, a mensalidade dos trabalhadores da ativa e aposentados aumenta de 2% para 3,46% da remuneração base; a coparticipação das despesas assistenciais sobe de 20% para 30% e o valor limite da coparticipação passa de R$ 2.400 para R$ 4.200. Nesse último caso, toda vez que o assistido ultrapassa esse gasto, o complemento é feito pela Caixa.
“A medida da Caixa é um desrespeito à cláusula 32ª do acordo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que estabelece a manutenção dos percentuais de mensalidade, da coparticipação e do valor para o teto. A empresa jamais poderia ter tomado uma decisão como essa sem que fosse negociada com o movimento sindical e discutida no Conselho de Usuários”, afirmou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE). Dionísio Reis. “Além de querer economizar com a redução do quadro de bancários, com descomissionamentos e fechamento de agências. O banco quer agora cortar custeio do Saúde Caixa. Um absurdo que não aceitamos e que será respondido com o aumento das manifestações pelos direitos dos trabalhadores e contra o desmonte do banco público.”
Superavit – A representante dos empregados no Conselho de Usuários Ivanilde Moreira, a Ivi, denuncia que essa medida em nenhum momento foi apresentada pelo banco aos representes dos assistidos.
Ela explica que em vez de querer penalizar os trabalhadores, a Caixa deveria discutir com seriedade a destinação do superávit. Segundo dados atuariais do próprio banco, o Saúde Caixa apresenta superávit acumulado de cerca de R$ 700 milhões em 2016 e que deve ter resultado novamente positivo em 2017.
Ivanilde explica que isso decorre do fato de as coparticipações e as mensalidades têm ultrapadado os 30% de custeio do plano que cabem aos trabalhadores. A Caixa arca com os outros 70%.
“ Vamos usar todos os meios para fazer com que a Caixa cumpra o acordo coletivo e respeite os empregados, inclusive recorrendo ao judiciário" acrescentou o coordenador da CEE.

Bancos cortam mais de 20 mil empregos em 2016

O saldo negativo de postos de trabalho nos bancos em 2016 foi 107,9% superior ao de 2015, quando foram cortados 9.886 postos


De janeiro a dezembro de 2016 foram fechados 20.553 postos de trabalho nos bancos brasileiros, sendo a maioria em São Paulo e no Rio de Janeiro, de acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada pela Contraf-CUT, nesta quinta-feira (26). O número superou amplamente o corte em 2015, que foi de 9.886 empregos. Representando um aumento de 107,9%. Ou seja, o corte de empregos nos bancos mais que dobrou no período.
O estudo em parceria com o Dieese, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, também chama a atenção para saldo negativo de postos de trabalho em dezembro de 2016, que chegou a 9.028 e pode estar relacionado aos desligamentos ocasionados pelo plano de reestruturação e de aposentadorias incentivadas adotados pelo Banco do Brasil.
Os trabalhadores mais velhos e com mais tempo no emprego foram os mais afetados. A análise por setor de atividade econômica mostra que os bancos múltiplos, com carteira comercial, que incluem grandes instituições como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil foram os principais responsáveis pelo saldo negativo. Juntos, cortaram 18.434 postos de trabalho (93% do total).
O presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, critica a falta de responsabilidade social dos bancos com o emprego dos trabalhadores, principalmente neste momento de instabilidade política, social e econômica no país.
“No ano de 2015, abrimos negociações banco a banco para combater e achar alternativas para a redução de postos de trabalho, uma vez que os nossos sindicatos captaram uma ampliação do número de demissões. Os bancos negaram estarem demitindo, mas foram desmentidos pela nossa pesquisa conjunta com o Dieese. Cortaram quase dez mil empregos em plena crise política que se transformava em uma crise econômica”, destaca Roberto von der Osten, ao comentar, também, o grande corte de empregos em todo o ano passado.
“Em 2016, a redução foi muito maior e agora os bancos admitem estar se ajustando tanto à crise quanto ao novo cenário digital em que os bancos querem operar. Sem dúvida, um dos grandes desafios do movimento sindical é defender os empregos. Ao lado disto, lutar pela qualidade dos empregos, já que direitos estão sendo ameaçados, e lutar contra a flexibilização defendida pela elite empresarial brasileira como medida geradora de emprego. Nesta balela os bancários não caem”, alerta o presidente da Contraf-CUT.
Números estaduais
Nenhum estado registrou saldo positivo no emprego bancário no período. São Paulo foi o estado onde ocorreram mais cortes (-7.842 postos, 38% do total de postos fechados), seguido pelo Rio de Janeiro, que fechou 2.373 postos, Minas Gerais, com 1.655 postos extintos e Paraná, que fechou 1.441 postos.
Banco do Brasil
Do total dos desligamentos ocorridos nos bancos, metade foi sem justa causa, perfazendo 20.566 desligamentos. Os desligamentos a pedido do trabalhador somaram 16.961 e representaram 41,6% do total. O elevado percentual de desligamentos a pedido deve estar relacionado à implementação do plano de reestruturação do Banco do Brasil e de incentivo à aposentadoria no banco. Números extremamente negativos para categoria bancária, já que o BB não pretende repor as vagas.
“O Banco do Brasil realmente contribui para este número, considerando que desde o momento em que anunciou a reestruturação, foram cortadas 9.400 vagas, empregos que não serão repostos. A estatística ficou em 2016, mas o grande problema está agora em 2017. Além de reduzir o número de empregados, piora as condições de trabalho para quem ficou. O que pode agravar adoecimentos e afastamentos por conta da sobrecarga de trabalho”, afirma Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.
“A justificativa do Banco do Brasil não difere de boa parte do sistema financeiro, ao alegar que as novas tecnologias tendem a diminuir o número de contratações. A argumentação não é correta, já que o BB já vinha investimento em seu parque tecnológico nos últimos anos e mesmo assim com uma política expansionista de mercado, construindo novas agências e incorporando outros bancos, como Nossa Caixa e Banco Patagônia, na Argentina”, lembra Carlos de Souza, secretário-geral da Contraf-CUT.
“A questão real é uma mudança de governo. Um governo golpista, que tem uma relação muito próxima, de compromisso com o sistema privado, como o Itaú, grande concorrente do Banco do Brasil, nos últimos anos. Sabemos que estes bancos financiaram o golpe e agora estão cobrando o financiamento”, completa o dirigente sindical.
Desigualdade entre homens e mulheres
As 9.992 mulheres admitidas nos bancos, de janeiro a dezembro de 2016 receberam, em média, R$ 3.187,18. Esse valor correspondeu a 71,6% da remuneração média dos 10.243 homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 4.450,40.
No momento do desligamento também se observou diferença na remuneração entre homens e mulheres. As 19.927 mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos no período recebiam, em média, R$ 5.902,45, enquanto os homens desligados dos bancos, recebiam R$ 8.118,63.
Faixa Etária
Os bancários admitidos concentraram-se na faixa etária até 24 anos de idade, com saldo positivo de emprego nessa faixa de 7.816 postos. Já os desligamentos se concentraram nas faixas etárias superiores a 25 anos e, especialmente, na de 50 a 64 anos, que registrou um saldo negativo de 14.763 postos de trabalho (37,2% do total de postos fechados).
Tempo no Emprego
Entre os 40.788 desligados, a maior parte tinha 120 meses ou mais anos no emprego (12.988 cortes que correspondem a 31,9% do total). Outros 9.647 desligados tinham entre 60 e 119,9 meses no emprego (23,7%). Ou seja, observa-se que o corte dos postos nos bancos se deu principalmente entre aqueles com maior tempo de casa, sendo compatível com o fato de serem os trabalhadores mais velhos.

Santander lucra R$ 7,3 bilhões e reduz 2.770 postos de trabalho em 2016

Foram fechadas 8 agências nesse período e o número, enquanto o número de clientes cresceu em 1,9 milhão.



O Banco Santander fechou 2016 com um lucro líquido de R$ 7,3 bilhões, crescimento de 10,8% em relação à 2015. O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado (ROE) ficou em 13,3%, com crescimento de 0,5 p.p. em doze meses. O lucro obtido no Brasil representou 21% do lucro global que foi de € 6,204 bilhões (alta de 4% em relação a 2015).
Apesar disso, a holding encerrou o ano de 2016 com 47.254 empregados, uma redução de 2.770 postos de trabalho em relação a 2015. Foram fechadas 8 agências nesse período e o número, enquanto o número de clientes cresceu em 1,9 milhão.
Clique aqui e veja os destaques do Dieese.
A Carteira de Crédito Ampliada do banco decresceu 2,5% em doze meses e atingiu R$ 322,8 bilhões (no trimestre houve crescimento de 2,5%) impactada negativamente pela variação cambial do período. As operações com pessoas físicas cresceram 7,8% em relação a 2015, chegando a R$ 91,4 bilhões. Já as operações com pessoas jurídicas alcançaram R$ 130,6 bilhões e tiveram queda de 8,1% em doze meses.
No segmento de pequenas e médias empresas houve queda de 7,6% em doze meses, enquanto no segmento de grandes empresas a redução foi da ordem de 8,3%. De acordo com o Relatório da Administração que acompanha as demonstrações contábeis do banco, “Em doze meses a carteira foi impactada negativamente pelo efeito da variação cambial. Excluindo este efeito, teria apresentado redução de 2,4% em 12 meses.” O Índice de Inadimplência superior a 90 dias apresentou aumento de 0,2 p.p. no período, ficando em 3,4%. No entanto, as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) reduziram 10,4%, totalizando R$ 13,2 bilhões.
A redução das receitas com Títulos e Valores Mobiliários (TVM) foi diretamente influenciada pela pequena queda na taxa Selic. No Santander, essas receitas apresentaram queda de 20,4%, totalizando R$ 23,5 bilhões. A receita com prestação de serviços mais a renda das tarifas bancárias cresceu 15,6% no período, totalizando R$ 13,7 bilhões. As despesas de pessoal subiram 9%, atingindo R$ 8,8 bilhões. Assim, em 2016, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 155,8%, elevação de 8,9 p.p. em relação a 2015.
É importante salientar que, em 2016, houve reversão significativa no que se refere aos impostos diferidos (ou créditos tributários), impactando o resultado do banco. Os créditos tributários, que em 2015 representaram uma receita de R$ 9,4 bilhões, figuraram uma despesa da ordem de R$ 5,3 bilhões ao final de 2016. Segundo o banco Santander, “uma posição de hedge de câmbio foi montada com o objetivo de tornar o Lucro Líquido protegido contra as variações cambiais relacionadas com esta exposição cambial nas linhas de impostos”.