sexta-feira, 30 de setembro de 2016

ASSEMBLEIA GERAL - SEGUNDA 03/10 19:00


Só a luta te garante!

Só a tua luta garante!

Só a nossa luta garante!

Por isso, a participação de todos(as) é fundamental para definir coletivamente os rumos da nossa Campanha Nacional 2016.


Compareça!

Convide os(as) colegas de trabalho!

O Sindicato somos nós!


Juntos somos fortes!
Direitos Não se Reduzem, SE AMPLIAM! 



Nesta segunda, 03/10, a greve completará 28 dias. Na nossa base, 26.

Seguindo orientação do Comando Nacional, o Sindicato dos Bancários e Bancárias de Nova Friburgo e Região realizará as 19 horas  em seu Auditório (Praça Dermeval Barbosa Moreira, 28, sala 208, Centro, Nova Friburgo), Assembléia Geral para definir os rumos da Campanha Nacional 2016.

Paralisações em 30/09. 52 agências num total de 56.

21 - Nova Friburgo
08 – Itaú
05 – Bradesco
03 – Banco Brasil
03 – Caixa
01 – Santander
01 - HSBC

04 - Bom Jardim
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

01 – Sumidouro
01 – Banco do Brasil

02 – Trajano de Moraes 
01 – Itaú
01 – Bradesco

03 - Santa Maria Madalena
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

03 – Carmo
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

05 – Cachoeiras de Macacu 
02 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

03 – Duas Barras
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

04 – Cordeiro
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

04 – Cantagalo
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

02 – Macuco
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

52 Agências
17 - Itaú
14 - Bradesco
12 - Banco do Brasil
07 - Caixa Econômica Federal
01 – Santander
01 - HSBC


21 - Nova Friburgo
08 – Itaú
05 – Bradesco
03 – Banco Brasil
03 – Caixa
01 – Santander
01 - HSBC

04 - Bom Jardim
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

01 – Sumidouro
01 – Banco do Brasil

02 – Trajano de Moraes 
01 – Itaú
01 – Bradesco

03 - Santa Maria Madalena
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

03 – Carmo
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

05 – Cachoeiras de Macacu 
02 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

03 – Duas Barras
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

04 – Cordeiro
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

04 – Cantagalo
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

02 – Macuco
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

52 Agências
17 - Itaú
14 - Bradesco
12 - Banco do Brasil
07 - Caixa Econômica Federal
01 – Santander
01 - HSBC

Com ameaças, assédio e interditos, bancários provam sua capacidade de luta



Os bancários chegam ao 25º dia de greve com o movimento crescendo em relação ao dia anterior diante da falta de proposta decente dos banqueiros, mesmo enfrentando forte repressão ao movimento por parte dos bancos.  Nesta sexta-feira (30) em todo o país foram 13.358 agências paralisadas, o que corresponde 57% do total e 34 centros administrativos.
“Nossa greve continua forte e indignada. Estamos lutando por dignidade e respeito, mas tivemos um dia muito difícil. O assédio foi permanente, as ameaças aos grevistas foram violentas, a retirada de nosso material que avisa a população que aquele local aderiu é feita para parecer que o local não está na greve, os interditos choveram para todos os lados.  A OAB Pernambuco chegou a pedir a prisão da presidenta do Sindicato de Bancários de lá.  Os banqueiros tentaram de todas as formas desestruturar pessoas que lutam por seus direitos e por suas famílias.  Elas não fraquejaram.  Os bancários e as bancárias mais uma vez mostraram seu valor e obstinação. Continuaremos fortes na luta. Cada um de nós sabe, cada vez com mais convicção, que “Só a luta te garante!”, afirma Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT.
Greve recebe apoios de outros países
A Contraf-CUT está recebendo cartas de apoio de sindicatos de diversos países: “A visibilidade de nossa greve está muito grande e a própria mídia fica procurando entender as razões para os bancos não atenderem as reivindicações, inclusive a mídia internacional. Sabem que o setor não passa por dificuldades. Ao contrário, lucraram bilhões. A recente divulgação das taxas de juros que eles cobram dos clientes mostrou isso. A taxa de juros do supercheque, por exemplo, chegou ao incrível patamar de 321,1% ao ano, subindo 2,7% só no último mês e crescendo 34,1% desde dezembro de 2015. Escandaloso se comparar com a recusa intransigente de reajustar decentemente nosso salário” destaca Roberto.
Perdas salariais aos bancários e juros no cartão de 475%
Os bancários acumularam uma redução salarial de 9,62% desde agosto do ano passado e os bancos  recusam a fazer minimamente a correção disso. Os bancos oferecem 7%, o que vai causar uma perda de 2,39%.
“E se a gente considerar que os juros do cartão de crédito, onde eles cobram 475% ao ano, subiram 43,88% só este ano acha que é uma piada a recusa em reajustar o nosso salário. Desconfiamos que é algum tipo de acordo com algum plano de ajuste fiscal deste governo. Só isto explicaria” afirma o presidente da Contraf-CUT.

El País: Greve dos bancários, a queda de braço para arrancar um reajuste na crise



A greve dos bancários completou, nesta terça-feira, 22 dias sem grandes perspectivas de um acordo salarial à vista após nove rodadas de negociações. A duração da paralisação já supera a do ano passado, quando os bancários também cruzaram os braços para pressionar os patrões a pagarem o reajuste que eles defendiam. Na ocasião, a pressão deu certo. Os bancários conseguiram um reajuste de 10%, com ganho real de 0,11%. A dinâmica tem sido a mesma desde 2004. Perto da data base, os bancários param e conseguem um aumento pelo menos igual a inflação do período.
Neste ano, porém, o cenário está mais complicado com o agravamento da crise econômica. Os bancos parecem mais duros nas negociações prevendo que a tendência no próximo ano é de que os lucros devam encolher como consequência da recessão. “Apesar do sindicato (dos bancários) ser forte, existe toda essa argumentação dos bancos de que passamos por um um momento em que é preciso evitar aumento de despesas”, afirma Luis Santacreu, da Austing Rating. O analista explica, no entanto, que apesar da conjuntura econômica mais complicada, os bancos ainda estão registrando lucro. “Diferentemente de setores como o da construção civil, o setor bancário não está em crise de quebra de bancos ou com prejuízos para justificar essa não renovação da inflação”.
Juntos, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú- Unibanco e Santander lucraram 13,46 bilhões de reais no segundo trimestre de 2016 – nos três meses anteriores, o lucro havia sido de 12,877 bilhões, segundo a Economática. Apesar da recuperação frente aos trimestres anteriores, o lucro ficou abaixo dos 17,3 bilhões do mesmo período de 2015.
Para a Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), as justificativas dadas pelos bancos para não aceitar as propostas da categoria não correspondem à realidade do setor. “Estamos negociando com um dos setores que mais teve lucro na sociedade, não somos trabalhadores de montadoras ou da construção civil que estão sofrendo com a crise”, afirma.
NEGOCIAÇÕES
O que os bancários pedem?
- Reajuste - 5% mais a inflação de 9,62%.
- Benefícios - 880 reais em vales-alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche.
-Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações.
Qual a proposta dos bancos?
Reajuste - 7% sobre salário e benefícios
-Abono -  3.300 reais
Há 13 anos a categoria não aceita nenhuma negociação de reajuste salarial abaixo da inflação e, segundo Osten, não pretende começar a fazer parte da estatística da maioria dos setores que vem perdendo a queda de braço nas negociações. Segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mais da metade das negociações coletivas com vigência em agosto terminaram em ajustes abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período.
“O que nos deixa preocupados é que, como agora há um Governo de viés neoliberal, eles podem tentar usar a redução dos salários como mecanismo para baixar a inflação”, explica Osten, que ressalta que essa greve não é política e afirma que a categoria realiza paralisações anualmente.
Os bancários pedem atualmente um reajuste de 5% mais a inflação no período, que até agosto foi de 9,62%, além do equivalente a um salário mínimo de benefícios como vale-refeição, vale-alimentação e auxílio-creche. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), no entanto, continua mantendo a proposta inicial em que oferece reajuste salarial de 7% mais um abono de 3.300 reais a ser pago dez dias após a assinatura do acordo. Segundo a federação, a proposta resulta numa remuneração superior à inflação prevista para os próximos meses, mas a categoria discorda.
“Estão oferecendo um reajuste que vai reduzir o nosso salário, que não cobra nem a inflação. Não faz sentido essa proposta, porque quando o abono termina o aumento terá sido de 7% apenas. Ou seja, no próximo ano, teríamos que negociar a inflação mais esse aumento que estamos perdendo agora”, afirma Osten, presidente da Contraf-CUT.
Em todo o Brasil, 36 sedes administrativas e mais de 13 mil agências fecharam as portas nesta terça-feira, o que representa mais da metade do total delas em todo o país.Nesta tarde, a Fenaban voltou à mesa de negociação com os bancários, mas as partes não chegaram a um acordo. Uma nova reunião foi marcada para esta quarta-feira.

Efeitos dos bancos minimizados pela tecnologia

Embora os transtornos causados pela paralisação sejam relevantes, o efeito da greve dos bancários no dia-a-dia dos clientes parece ser menor já que a maioria das transações pode ser feitas por Internet e os clientes estão cada vez mais acostumados a usar as plataformas digitais. Hoje menos de 7% das transações são realizadas nas agências, segundo o sindicato dos bancários. O internet banking e o mobile banking respondem, atualmente, por mais da metade das transações, atingindo 54%, de acordo pesquisa da Febraban.
"As pessoas que acabam sentindo mais são as que não utilizam tanto a Internet e pessoas mais idosas. Mas a paralisação das agências representa muito para os bancos já que não conseguem vender produtos como seguros e novas linhas de crédito. E afeta muito as pessoas que não conseguem resolver algum problema no canal online", explica Osten.
motoboy Euflásio Ferreira, de 55 anos, por exemplo, teve problemas para depositar e pagar alguns boletos e teve que rodar a capital paulista para encontrar alguma agência do Itaú em que o caixa estivesse funcionando. "Já está passando da hora dessa greve acabar, é muito transtorno", afirmou nesta segunda-feira.
Os serviços de financiamentos oferecidos pelas instituições bancárias também estão sendo afetados. Há problemas também em instituições públicas. Pessoas que não possuem conta na Caixa, por exemplo, enfrentam mais dificuldade para receber benefícios como FGTS e seguro-desemprego. Outro problema relatado por clientes é a retirada de ordens de pagamento.
A digitalização bancária, apesar de ser atrativa para o cliente  - por ser menos burocrática-  e para os bancos - por diminuir gastos com infraestrutura de locais físicos -, não tem agradado a todos os funcionários dos bancos nos últimos tempos. Um reflexo dos clientes terem ido menos às instituições financeiras é a diminuição do número de agências no Brasil. Só no ano passado, mais de 400 agências fecharam. O reajuste de gastos nos bancos também aumentou com a crise. De acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada nesta segunda-feira, de janeiro a agosto de 2016, foram fechados 9.104 postos de trabalho nos bancos brasileiros, sendo a maioria em São Paulo e no Rio de Janeiro,  o que preocupa a categoria. A maioria dos desligados foram trabalhadores mais velhos e com mais tempo no emprego.
Há alguns anos, algumas contas ganharam também status de digitais, o que significa que os clientes têm acesso aos gerentes por telefone ou internet em um período maior que o horário comercial dos bancos. O que, para algumas entidades dos bancários, causou uma pressão maior aos funcionários, que estariam mais sobrecarregados.
Na atual pauta de reivindicação dos bancários, além do reajuste, os trabalhadores pedem o fim das demissões, a ampliação das contratações, o combate às terceirizações e à precarização das condições de trabalho. Eles também reivindicam mais segurança nas agências bancárias, participação nos lucro,  o fim das metas abusivas e assédio moral.

Apoio da Direção do Sindicato dos Bancários a candidaturas

Nova Friburgo, 30 de setembro de 2016.



Estimado(a) Companheiro(a),



Entendemos que o Sindicato é um dos instrumento de luta e resistência da nossa Categoria e da nossa Classe contra a retirada de direitos por parte dos bancos, governo, enfim, da representação patronal.

O Sindicato dos Bancários e Bancárias de Nova Friburgo e Região sempre esteve atento a estes ataques constantes contra todos nós, trabalhadores(as) aposentados(as) e ativos(as), desempregados(as), estudantes... Por isso, temos apoiado candidaturas nas eleições desde quando assumimos a Direção da nossa Entidade desde 1996.

Sendo assim, neste momento de incertezas, dúvidas e descrença com a política e os políticos, afirmamos que existem pessoas que estão do lado certo da história , ao lado da classe trabalhadora e de quem necessita do poder público e que farão o melhor para que a sociedade seja mais justa e menos desigual. Cláudio Damião e Vicente Guerra reúnem estas qualidades e têm o nosso apoio e confiança.

Claudio Damião 50 atuou como Presidente do Sindicato de 1996 até 2008,é bancário, sindicalista, e Vereador desde 2009.

Vicente Guerra 54.180 atuou no Departamento Jurídico do Sindicato de 1996 até 2008, é advogado tendo trabalhado no escritório que assessora o Sindicato entre 2008 e 2012, e desde então é funcionário da nossa Entidade.

Se você vota ou conhece eleitores em Nova Friburgo, pedimos o seu voto e também de seus familiares e conhecidos para Cláudio Damião, candidato a Vice-Prefeito de Glauber Braga, 50 e para vereador Vicente Guerra, 54.180.



Nosso posicionamento é claro! Ao lado da Categoria Bancária e da Classe Trabalhadora!


Diretoria Executiva do Sindicato dos Bancários e das Bancárias de Nova Friburgo e Região



[TEASER #20 DCM NA TVT] Eugênio Aragão: A justiça do Brasil parece tribu...




A justiça brasileira parece um tribunal nazista.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Bancários: por que a greve não acaba

Bancos lucram 20% ao ano e não querem pagar nem a inflação


A propósito da mais longa e extensa greve de bancários do Brasil, siga a entrevista abaixo:
PHA: Eu converso com Roberto von der Osten, presidente da Contraf/CUT e um dos coordenadores do comando nacional dos bancários.
Roberto, vocês tiveram ontem (quarta-feira 28/set) uma nova seção de negociações com a Febraban sobre a questão do reajuste salarial dos bancários. O que ainda separa vocês dos bancos?
ROBERTO: O que nos separa, primeiro, é o modelo de campanha nacional, o modelo de reajuste de salário que os bancos pretendem aplicar. A nossa proposta foi entregue no dia 9 de agosto, previa o reajuste pela inflação, mais 5% de ganho real - até porque o lucro dos bancos é uma coisa fabulosa, e nós achamos que tínhamos que fazer um esforço pra crescer o salário da nossa categoria.
Os bancos apresentaram um modelo que implica em reajuste do salário abaixo da inflação. No caso, eles oferecem 7%, o que causa uma perda de 2,39%. E oferecem um abono que não compensa isso, não recompõe a massa salarial, o poder de compra que os bancários perderam entre 2015 e 2016. Isso é um abismo. E não teve jeito, não caminha, nós tivemos uma infinidade de rodadas de negociação.
Não caminha por uma razão muito simples: tem um componente que está na mesa de negociação com a Febraban que não é um componente das relações de trabalho. Nós temos os estudos do DIEESE... Eu recebi uma tabela ontem, de 1995 a 2016, que mostrava quais foram os reajustes, desde o período FHC, do período do governo Lula, do governo Dilma, e do governo que está aí agora. Fica claro, você visualiza claramente, que havia uma política, uma âncora salarial na intenção de ajudar a conter a inflação, que foi abandonada no período seguinte ao FHC, quando nós conseguimos ganho todo ano. Conseguimos [reposição da] inflação, mais um ganho real e aumentamos em 20,8% nosso salário. Agora, a lógica se inverteu.
Então isso fica intransponível, e não é com negociação que a gente resolve. Não tem argumento que convença o outro que ele deve aceitar ou reposição da inflação mais o ganho real ou, no caso nosso, que a gente aceite uma redução de 2,39% do nosso salário.
PHA: Vocês já mediram ou compararam a rentabilidade dos bancos brasileiros com bancos de outros países?
ROBERTO: Sim. Nós temos aqui uma subseção do DIEESE que faz todos esses comparativos, de rentabilidade de banco, rentabilidade do setor financeiro comparando com outros setores da economia brasileira. E fica evidente! Você acompanhou ontem (28/09) a publicação dos juros do cheque especial e do cartão de crédito (475% ao ano). É inacreditável! Em outros lugares do mundo, as pessoas não acreditam nesses patamares! Quando a gente faz essas comparações na mesa de negociação, os bancos não respondem.
Tem empresas no Brasil que têm uma lucratividade maior do que os bancos, mas você pergunta, qual empresa é essa? Se você descola de setor, se você pega uma empresa específica, é o bar lá da esquina da vila-não-sei-o-quê que pode ter uma rentabilidade maior que um banco. Mas não é disso que nós estamos falando. Estamos falando de um setor da economia.
PHA: Comparando com outros países, o que se pode dizer, efetivamente, da rentabilidade dos bancos brasileiros? É alta, baixa? Como se pode definir?
ROBERTO: É muito alta. Muito alta. A rentabilidade média, eu creio, sobre o patrimônio líquido dos bancos deve estar na casa dos 20% a 22% de crescimento ao ano. É uma coisa fantástica para um retorno de investimento, para a rentabilidade de um capital que você tenha.
Quando nós falamos em bancos e falamos também em setor, nós temos que lembrar o seguinte: se a Febraban representa 160 bancos, eu creio que mais de 80% disso é referente a cinco bancos. O número de agências, 23.544 agências no Brasil, um número impressionante está concentrado. Estamos falando de um sistema financeiro extremamente concentrado em cinco bancos.
PHA: Então, aparentemente, não há possibilidade de negociação, e cria-se um ambiente onde a alternativa é a greve. E os documentos que vocês distribuem dizem que o número de grevistas atinge 57% dos locais de trabalho em todo o Brasil.
Hoje, quando muitas das transações podem ser realizadas via internet, essa greve tem como, de fato, pressionar os bancos?
ROBERTO: Esse é o grande dilema. Veja, nós estamos enfrentando, além de todo o stress e instabilidade em relação ao emprego, quando um trabalhador vai à greve... A greve é um ato de coragem das pessoas, não? As pessoas que estão aposentadas pela Previdência, se o governo muda as regras e resolve reduzir o que eles estão aferindo como benefício, eles não têm grandes armas pra se defender, não têm como fazer uma greve. Os trabalhadores da atividade têm essa arma de negociação que, em tese, é poderosa.
Nós acompanhamos... Inclusive, tem uma tabela que a Febraban coloca em seu site, que trata do volume de transações bancárias. Deste volume hoje, é evidente que algo na casa de 54% são feitas por meio de internet ou de mobile banking. Dependendo do banco, a internet é um pouco maior que o smartphone, do que a telefonia. Dependendo do banco, dependendo do grau de desenvolvimento tecnológico, isso é mais ou é menos. Até porque existe hoje um perfil de usuário jovem de banco que não quer mais ir à agência bancária. Ele quer comprar por telefone, vender por telefone, operar sua conta corrente por telefone.
Nesse perfil, os bancos vêm fazendo uma aposta muito grande. Eles próprios têm declarado para a mídia que eles são baixamente afetados [pela greve], porque o atendimento está sendo feito por internet e nos auto-atendimentos das agências, porque os bancários há muito tempo decidiram que não iam fechar esses caixas eletrônicos, pois nossa greve não é contra a população. Então, o auto-atendimento faz um grande volume, os correspondentes bancários têm outra parte desse volume... E as lotéricas, de uma maneira geral, que operam como bancos, têm também.
O que nos resta? Segundo algumas dessas pesquisas dos bancos, coisa na casa de 6,8%, dependendo do banco. Abaixo de 10% das transações, de uma maneira genérica. Abaixo de 10% das transações bancárias são feitas nas agências bancárias.
Se nós estamos fazendo uma greve forte contra os bancos, nós vamos atingir, no limite, 10% de suas transações bancárias? E por que os bancos ficam tão preocupados a ponto de adiantar com associações comerciais...?
Hoje, o banqueiro chama sua agência bancária de "loja". Dentro daquilo ali, tem uma cesta de produtos para os bancários e bancárias que ali estão. E quando você entra numa agência bancária, eles vão lhe oferecer um seguro, um título de capitalização, uma previdência complementar, um rol de produtos.
PHA: Um supermercado financeiro, não é isso?
ROBERTO: Isso daí. É um supermercado. Você entra na agência quase como se estivesse conduzindo um carrinho de compras, não é? E o bancário e a bancária são obrigados a lhe oferecer. Eles têm metas de vendas de produtos, cada um deles. Eu tenho que mandar um seguro pra alguém, mandar uma previdência complementar, uma capitalização, um plano de saúde, consórcio de bens, crédito habitacional... Qualquer outro produto. Alguma coisa eu preciso vender. Eu tenho metas a cumprir. A agência tem metas, coletivamente.
PHA: Roberto, hoje, por exemplo, nos jornais de manhã, eu vi uma ex-jornalista, Ana Paula Padrão, fazendo publicidade do Banco Original. Oferecendo serviços na internet. O Itaú tem uma campanha publicitária muito forte, oferecendo serviços na internet. Ou seja, um dos problemas dos bancários hoje é, exatamente, essa competição com a tecnologia...
ROBERTO: Não diria pra você que é dos bancários, eu diria que é da humanidade. Amanhã pode ter um aplicativo onde eu fale a respeito de uma notícia e ele redija uma matéria.
PHA: Claro, claro.
ROBERTO: Os advogados têm um aplicativo que faz petição, os médicos têm aplicativo...
PHA: O jornalismo está sendo espancado pela tecnologia, se eu posso dizer assim.
ROBERTO: Inclusive, muda o perfil do clássico jornalão, que você sentava no café da manhã e abria. O jornal não é mais aquilo que fica entre o leitor e a mesa de manhã.
PHA: Eu acho que eu sou o último leitor de jornal impresso que eu conheço...
Roberto, qual é o seu prognóstico? Esse impasse dura até quando? Como se resolveria?
ROBERTO: A gente acreditava que essa campanha seria rápida. No começo, nós fizemos uma negociação mais produtiva, mais objetiva, nós chegamos ao conflito mais objetivamente... O conflito era pra você avaliar a proposta do banqueiro, recusar e falar: "por que não modificar isso? Se não, vão nos obrigar a ir à greve. Não tem outro caminho por aqui".
Chegamos rapidamente, no dia 1o. de setembro, dia de nossa data-base. Fizemos nossa assembleia, que a gente faz lá pra frente, em meados de setembro. Acreditávamos que, num ano de instabilidade política, num ano em que a democracia foi fortemente golpeada no país, um cenário absolutamente ruim, não se sabe o que vai acontecer em janeiro... a instabilidade é política, não se sabe qual vai ser.
Então, nesse cenário, a gente acreditava que eles iriam repor a inflação, dizer que esse ano não dá pra dar ganho real, a gentia ia insistir pra ter algum ganho real, já que o lucro deles é real. Eles têm um ganho real fabuloso. Nós pensávamos assim, uma campanha rápida, fácil, pronto e acabou. Um ano eleitoral, disputa de hegemonia, Congresso nacional, movendo uma agenda nociva para os trabalhadores, pauta bomba, recheada de coisas contra a sociedade... Acreditávamos assim. Até que caiu nossa ficha e percebemos que, contrariamente ao que eles têm mandado dizer em alguns jornais, que essa greve é contra o governo que aí está, a gente disse que não. A gente fez greve nos governos FHC, no governo Lula, Dilma, e faremos no governo Temer. Estamos fazendo.
Então, não tem nada a ver com apoio, se é contra ou a favor de governo. Nós estamos negociando com o banqueiro. Quem meteu a política no meio da campanha foram eles! Buscando, quem sabe, entregar um produto que eles ofereceram aos banqueiros que estão no governo. Tem um banqueiro na Fazenda e outro presidindo o Banco Central.
Dentro desse cenário, é imprevisível. Nós gostaríamos de não estar em greve. Gostaríamos de ter terminado isso a tempo de a população não ser onerada, não ser sacrificada. Mas não conseguimos e afirmo pra você, com convicção e com provas: o culpado é o banqueiro.

Greve vence intransigência dos banqueiros e segue forte no 24º dia

No 24º dia de mobilização, 13.246 agências e 29 centros administrativos tiveram as atividades paralisadas



A greve nacional dos bancários encerrou o 24º dia de mobilização com 13.246 agências e 29 centros administrativos com as atividades paralisadas. O número representa 56% das agências de todo o Brasil.
Para Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários, apesar de tudo que estão fazendo, a indignação faz a greve permanecer num patamar muito alto. “Mesmo com pequenas variações para cima e para baixo. É, sem dúvida, a maior greve da categoria, considerando o número de locais aderidos. Está na hora dos bancos ouvirem a voz da sociedade e apresentarem uma proposta que possa encerrar o conflito. Só depende deles. Nós vamos continuar lutando para defender o salário de nossas famílias.”
Segundo ele, os banqueiros fracassaram na tentativa desmobilizar a categoria. 
“Tentaram deixar a greve invisível retirando os cartazes e faixas que avisavam a população sobre o conflito. Não adiantou. Solicitaram ao Judiciário interditos e arranjaram intervenções policiais para intimidar os trabalhadores. A greve continuou. Emitiram ordens para os gerentes intimarem os trabalhadores a abandonar a greve. Não tiveram êxito. E ainda não adiantou plantarem matérias tendenciosas na mídia, que eles patrocinam, enganando os clientes de que a culpa da greve é dos trabalhadores. Os clientes sabem o quanto pagam por serviços e tarifas bancárias. E sabem a quantas andam os juros. Sabem que dinheiro os banqueiros têm. Então qual será a causa desta intransigência em reajustar o salário dos empregados e encerrar a greve?”
Roberto lembra ainda que muita gente já está desconfiada de que os motivos podem não estar nas relações trabalhistas. “O real motivo pode ter conotações políticas e pode estar atendendo a pedidos de gente fora da mesa de negociação. Afinal somos a maior categoria organizada em greve neste momento. Nossas negociações vão balizar outras categorias. Pode ter dedo de gente graúda interessada em achatar o poder de compra de 500 mil famílias para promover um ajuste fiscal.”
Diretoria reunida avaliando a greve



21 - Nova Friburgo
08 – Itaú
05 – Bradesco
03 – Banco Brasil
03 – Caixa
01 – Santander
01 - HSBC

04 - Bom Jardim
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

01 – Sumidouro
01 – Banco do Brasil

02 – Trajano de Moraes 
01 – Itaú
01 – Bradesco

03 – Carmo
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

05 – Cachoeiras de Macacu 
02 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

03 – Duas Barras
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

04 – Cordeiro
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

04 – Cantagalo
01 – Itaú
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil
01 – Caixa

03 – Macuco
01 – Bradesco
01 – Banco Brasil

Bob Fernandes/Carandiru: 24 anos e punição anulada. O Haiti é aqui.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Fenaban mantém 7% de reajuste, abono de R$ 3,5 mil e Comando Nacional rejeita proposta

A orientação é reforçar a greve que já é histórica e pressionar os banco



Foram mais dois dias de negociação à espera de uma proposta que valorize os bancários, só que novamente a Fenaban optou por desrespeitar a categoria. O acordo de dois anos proposto nesta quarta-feira (28) pelos bancos mantém os 7% de reajuste nos salários e abono de R$ 3,5 mil, agora em 2016, e reposição da inflação, mais 0,5% de aumento real, em 2017. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta na própria mesa de negociação, por considerar insuficiente, com perdas para os trabalhadores e orienta que os sindicatos realizem assembleias em suas bases, na próxima segunda-feira (3 de outubro), para debater e organizar os rumos do movimento.
O Comando Nacional dos Bancários reiterou que continua à disposição da Fenaban para ter uma proposta que permita resolver a Campanha Nacional sem perdas para os bancários e bancárias.  
“Os bancos perderam uma excelente oportunidade de resolver a greve mantendo a proposta que provoca perdas nos nossos salários. Fica cada vez mais evidente que é uma decisão tomada fora da nossa mesa de negociação e que dialoga com a intenção de promover uma redução dos salários para atender ao ajuste fiscal que está sendo imposto por este governo. Desde o início da nossa campanha, dissemos que o setor financeiro teve lucros fabulosos e que poderia atender, confortavelmente, às nossas reivindicações. Só um acordo estranho às nossas relações de trabalho poderia explicar esta tentativa de reduzir salários”, afirmou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários.  
“Quando os bancos propuseram um acordo de dois anos, deixamos claro que não poderia trazer perdas e que ainda precisaria comtemplar emprego, saúde, vales, creche, piso, igualdade de oportunidades, segurança. Nada disso veio hoje”, ressaltou.
Roberto ainda destacou que a resposta dos bancários tem sido a greve forte. “A greve deste ano já entrou para a história com o maior número de agências com as atividades paralisadas e a tendência é de aumentar ainda mais, em virtude da crescente insatisfação dos bancários com os banqueiros”.
A greve dos bancários chegou ao 23º dia com 13.254 agências e 28 centros administrativos com atividades paralisadas nesta quarta-feira. O número representa 57% dos locais de trabalho em todo o Brasil.
"Em sintonia com a política do governo, banqueiros querem reduzir o custo do trabalho no acordo com os bancários. A greve continua e estamos à disposição para nova negociação com a Fenaban", disse Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
Altos lucros
Os lucros dos bancos permanecem nas alturas, enquanto muitos setores registram perdas. Os cinco maiores bancos brasileiros (Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) apresentaram, no primeiro semestre de 2016, o lucro líquido de R$ 29,7 bilhões.
A população também sente no bolso a ganância dos banqueiros. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Banco Central, revela que a taxa de juros do cheque especial bateu novo recorde de julho para agosto, e chegou a 321,1% ao ano.
Os juros do cartão de crédito não param de subir. Em agosto, na comparação com o mês anterior, houve alta de 3,5 pontos percentuais, com a taxa em 475,2% ao ano. Neste ano, essa taxa já subiu 43,8 pontos percentuais.
Principais reivindicações dos bancários
Reajuste salarial: reposição da inflação (9,62%) mais 5% de aumento real.
PLR: 3 salários mais R$8.317,90.
Piso: R$3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).
Vale alimentação no valor de R$880,00 ao mês (valor do salário mínimo).
Vale refeição no valor de R$880,00 ao mês.
13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.
Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.
Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.
Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
Fonte:Contraf-CUT


Comando rejeita na mesa proposta dos bancos

Representação dos bancários convocou assembleias para segunda-feira 3 a fim de debater o movimento com os trabalhadores; também comunicou a Fenaban que está a disposição para ouvir novas propostas







A federação dos bancos voltou à mesa de negociação com o Comando Nacional dos Bancários, nesta quarta-feira 28, com proposta de 7% de reajuste mais abono de 3.500 para 2016. Em 2017, pagariam a inflação mais 0,5% de aumento real. Vales e auxílios seriam corrigidos pelos índices.

O comando rejeitou a proposta na mesa por considerá-la insuficiente e decidiu convocar assembleias para segunda 3 a fim de debater com os trabalhadores os rumos da greve. Também comunicou a Fenaban que está à disposição para ouvir novas propostas.



Proposta dos bancos mantém os 7% para este ano


Proposta de dois anos prevê 7% de reajuste mais abono de 3.500,00 para 2016; em 2017 seria inflação mais 0,5% de aumento real. Negociação ainda não acabou, mais informações em breve


A federação dos bancos voltou à rodada de negociação com o Comando Nacional dos Bancários, nesta quarta-feira 28, com proposta de 7% de reajuste mais abono de 3.500,00 para 2016. Em 2017, pagariam a inflação mais 0,5% de aumento real. Vales e auxílios seriam corrigidos pelos índices.

A negociação, em São Paulo, ainda está em andamento e em breve o Sindicato trará novas informações pelos seus canais oficiais, como o próprio site ou diretamente pelas redes sociais.

28/9/2016 (atualizada às 17h51)

O que dizer de um presidente que se vê obrigado a dar explicações a uma nulidade como Fausto Silva?


O que dizer de um presidente da República que se vê obrigado a dar pessoalmente explicações sobre o seu “programa” para a educação brasileira a uma nulidade como Fausto Silva?
Segundo a coluna de Josias de Souza, um dia após a crítica feita pelo Faustão à Medida Provisória que enfraquece o ensino médio e vai de encontro à insanidade da “escola sem partido”, Temer teria telefonado para o apresentador tentando justificar o injustificável.
O atual presidente sabe que ser avaliado em rede nacional como uma “porra de governo que nem começou” por um pau mandado dos Marinhos, principais responsáveis pela alienação nacional que tornou possível o golpe e sua consequente ascensão ao poder, boa coisa não é.
Não que professores, alunos, pais, filósofos, intelectuais, artistas, estudiosos da educação e a sociedade em geral já não tenham feito inúmeros alertas sobre o sucateamento do ensino público que a medida está proporcionando. Eles que se danem. Michel Temer só deve satisfações a seus verdadeiros patrões.
E seus patrões não são outros senão aqueles que investiram alto na manipulação das massas, no financiamento de “movimentos apartidários”, no antijornalismo intensivo dos grandes meios de comunicação e no enfraquecimento político de uma presidenta legitimamente eleita.
Absolutamente nada neste governo é pensado para o público. A urgência com que foi imposta a MP atende exclusivamente aos interesses do ensino privado do país. Não é por coincidência que em julho deste ano, o ainda ministro interino, Mendonça Filho, já havia convocado o empresariado nacional da educação para “juntos, nos mobilizarmos a fim de fortalecer a base educacional do país”.
Por sinal, a convocação foi feita durante reunião de líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). Também não por acaso, o evento foi realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cujo presidente, Robson Braga de Andrade, é aquele sujeito que defende mudanças nas leis trabalhistas e carga horária de 80 horas semanais.
Por aí dá pra se ter uma vaga idéia do que vem a ser, na cabeça de Temer e de seu ministro da Educação, um “fortalecimento” da base educacional. Um país que pretende aumentar o número de alunos por sala de aula, a extinção de disciplinas fundamentais para o desenvolvimento intelectual de um cidadão consciente e a desobrigação de profissionais capacitados na educação pública só pode estar agindo em total sintonia com a iniciativa privada.
E na mesma esteira do desmonte do patrimônio público que segue a educação, seguem também a Petrobrás, os bancos, as hidrelétricas e as demais estatais que conseguiram sobreviver à verdadeira queima de estoque realizada na era FHC.
A “reforma da educação” via MP é apenas uma das muitas frentes que estão em curso para a completa ausência do Estado em áreas de extremo interesse da população, sobretudo as das parcelas justamente mais necessitadas da atuação estatal.
Aprofundar a insatisfação da sociedade em relação à qualidade dos serviços públicos – ao invés de tentar melhorá-los – é o mesmo Modus Operandi utilizado anteriormente por governos reacionários para justificar a transferência de responsabilidades que deveriam ser arcadas com competência pelos impostos pagos por cada cidadão aos insaciáveis tubarões do capitalismo.
Nessa tragédia onde até um bufão como Fausto Silva critica o que Padilha chama de “monarca” e “imperador”, uma coisa é verdade, esse realmente é uma porra de governo.