quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Negociação com Fenacrefi conquista 8,88% de reajuste no salário e 12,84% nos vales

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A Contraf-CUT está enviando comunicado jurídico aos sindicatos sobre a proposta - Jaílton Garcia - Contraf-CUT

Bancários assinam convenção coletiva e acordos aditivos específicos com BB, CEF, HSBC e Itaú

Campanha salarial dos bancários terá impacto de R$ 11 bilhões na economia

Contraf-CUT
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O Comando Nacional dos Bancários e a federação dos bancos (Fenaban) assinam nesta terça-feira (3), em São Paulo, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), conquistada com a forte greve da Campanha Nacional 2015, que garantiu reajuste de 10% para salários, piso, PLR, verbas, e de 14% nos vales refeição, alimentação e na 13ª cesta. A assinatura será realizada no hotel Macksoud Plaza, ás 16h, em São Paulo.

O evento também contará com as assinaturas dos acordos aditivos específicos com as direções do Banco do Brasil e da Caixa Federal; do PCR, com o Itaú; e da gratificação de R$ 3 mil conquistada pelos bancários no HSBC. A partir da data, os bancos têm até dez dias para depositar a antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A forte mobilização da categoria, de 21 dias em greve, conseguiu dobrar os banqueiros que queriam impor perdas aos bancários. A Campanha 2015 também garantiu a assinatura de um termo de entendimento entre os seis maiores bancos e o movimento sindical bancário para tratar das condições de trabalho nos bancos, na gestão das instituições de modo a reduzir as causas de adoecimento. As comissões de empresa acompanharão para garantir a melhoria das condições de trabalho.

Bancos Públicos - No caso do BB foram assegurados avanços no que se refere à isonomia dos egressos de bancos incorporados (como a antiga Nossa Caixa), para atendentes do Serviço de Apoio ao Cliente (SAC) e da Central de Atendimento (CABB), além da manutenção da distribuição semestral da PLR. Os empregados da Caixa Federal conseguiram barrar a implantação da terceira etapa do plano Gestão de Desempenho Pessoal (GDP) e mantiveram a promoção por mérito e a PLR Social.

Itaú Também será renovado acordo referente à bolsa de estudos e ao Programa Complementar de Remuneração (PCR) do Itaú, que prevê pagamento de R$ 2.285 sem desconto na PLR da categoria.

HSBC Na ocasião será concretizado acordo sobre a gratificação de R$ 3 mil aos funcionários do HSBC.

Dias parados - A negociação garantiu que não haverá desconto dos dias, com anistia de 63% dos dias parados para quem faz jornada de seis horas e de 72% dos dias para quem faz oito horas. A compensação, seja para quem fez os 14 dias úteis de greve ou menos será de, no máximo, uma hora por dia, entre 4 ou 5 de novembro (quando o acordo será assinado) até 15 de dezembro.

Campanha salarial dos bancários terá impacto de R$ 11 bilhões na economia

Este ano, o índice conquistado pelos bancários foi de 10% no piso e PLR e 14% nos vales refeição e alimentação. Com esse índice, em 12 anos, a categoria vai acumular 20,84% de ganho real nos salários e 42,3% nos pisos e 26,30% nos vales.

“Os bancários têm motivos para comemorar. Conseguimos avançar numa campanha em que os bancos, desde o início, alegavam não ter condição de dar um reajuste digno para os trabalhadores. Nossa união e mobilização garantiu pelo décimo segundo ano seguido aumento real para os salários”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos bancários.

Impacto na economia - O reajuste de 10% nos salários, 14% nos vales refeição e alimentação e os valores da PLR significam incremento anual de cerca de R$ 11,2 bilhões na economia, de acordo com projeção feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Desse montante, R$ 6,04 bilhões referentes ao pagamento da PLR, sendo que R$ 2,4 bilhões já devem ser distribuídos na antecipação, em até 10 dias depois da assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho. As diferenças salariais anuais dos bancários devem injetar R$ 4,240 bilhões na economia brasileira, sem contar os reflexos em FGTS e aposentadorias. As diferenças nos auxílios refeição e alimentação devem ter um impacto anual de R$ 894 milhões na economia.

Os bancários são uma das poucas categorias no país que possui Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) com validade nacional. Os direitos conquistados têm legitimidade em todo o país. São mais de 512 mil bancários no Brasil, sendo 142 mil na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.



Fonte: Contraf-CUT com Seeb SP

Greve de 1985: 30 anos depois, segue a certeza de que lutar sempre vale a pena

Foi graças à paralisação de 24 horas, no dia 30 de outubro, que os empregados da Caixa conquistaram a jornada de seis horas e a condição de bancário


Foi graças à paralisação de 24 horas, no dia 30 de outubro, que os empregados da Caixa conquistaram a jornada de seis horas e a condição de bancário. Conhecer a história da mobilização é essencial, principalmente para os que ingressaram no banco mais recentemente

Há exatos 30 anos, os empregados da Caixa Econômica Federal inauguraram um novo tempo no que diz respeito à mobilização. Foi em 30 de outubro de 1985, data da greve histórica da categoria, quando todas as unidades do banco foram fechadas por 24 horas. A paralisação teve adesão de praticamente 100% dos trabalhadores, em todo o país, e consolidou o movimento organizado dos, hoje, bancários e bancárias da empresa.

Até então, os empregados da Caixa eram conhecidos apenas como economiários. E foi com base nessa injusta discriminação que surgiram as principais reivindicações da greve de 1985: a jornada de seis horas e a condição de trabalhador bancário, com direito à sindicalização. E a Fenae, que havia sido criada há 16 anos, em 29 de maio de 1971, se orgulha de ter sido uma das entidades protagonistas neste processo.

“Na greve histórica de 85, nossa categoria mostrou exatamente o que tem mostrado ao longo de todos esses anos. Que quando a gente se une, a busca por conquistas fica um pouco mais fácil. Há situações em que avançamos mais e outras em que avançamos menos. O mais importante, como diz o slogan da campanha que criamos, é que a luta não pode parar, em defesa dos trabalhadores e da própria Caixa”, diz o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

Segundo a secretária da Juventude da Contraf-CUT, Fabiana Uehara Proscholdt é um grande orgulho a história de organização de luta dos empregados da CAIXA. “Temos muito o que comemorar e compartilhar com os que não vivenciaram essa grande conquista. E a luta não para. Ainda temos muito que avançar na luta pela valorização e direitos dos empregados da CAIXA”, ressaltou.

Fabiana Matheus, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) e diretora de Administração e Finanças da Federação, também destaca a importância da mobilização. “Muita coisa melhorou na empresa nos últimos anos. Mas as condições nas unidades de todo o país estão muito longe das ideais, e um exemplo é a falta de contratações. O quadro de pessoal insuficiente e a política adotada pelo banco, inclusive, exige luta constante para que a jornada de 6 horas seja realmente respeitada”, afirmou.

Mesa unificada da categoria bancária

Em 2003, com a conquista da mesa unificada da categoria bancária, os empregados da Caixa passaram a assinar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e o Acordo Aditivo. Até então, os acordos coletivos eram debatidos e assinados pela Caixa e por uma entidade que não representava nem 10% da categoria. Os trabalhadores sequer eram consultados sobre os itens das propostas. Ao longo dos anos, graças à mobilização, ocorreram avanços significativos nos direitos e nas condições de trabalho. Foi instituída também uma mesa de negociação permanente, com representantes dos trabalhadores e do banco.

Publicações especiais

Em comemoração aos 30 anos da greve de 1985, a Fenae lançou um hotsite com a linha do tempo da mobilização que culminou com a conquista da jornada de seis horas e do direito à sindicalização. O endereço é o http://grevede85.fenae.org.br. Por meio do endereço, a Federação também quer receber depoimentos, fotos e vídeos. E não apenas de quem participou da paralisação de 24 horas, mas também de todos que têm algo a dizer sobre o fato.

Além disso, a próxima edição da revista Fenae Agora, que será publicada em novembro, trará um encarte especial com textos, entrevistas, depoimentos e fotos da greve histórica. Segundo Natascha Brayner, diretora de Comunicação e Imprensa da Federação, é essencial conhecer essa história. “Nesses 30 anos, o quadro de empregados da Caixa se renovou muito. Boa parte deles, hoje, tem até 10 anos de banco e não compreendem a importância da greve de outubro de 1985, que deixou um legado importante: a certeza de que a mobilização é indispensável para o fortalecimento do movimento da categoria”, frisa.

Algumas datas importantes de 1985:

- 6 de agosto: Dia Nacional de Luta. Empregados da Caixa distribuem cartas abertas à população e enviam telegramas ao Ministério da Fazenda.

- 11 de agosto: Paralisações de duas horas realizadas em agências de Brasília (DF) e do Ceará.

- 11 de setembro: Presidente da Fenae, José Gabrielense, recebe mensagem informando que o ministro da Fazenda havia se manifestado contrário às reivindicações da categoria.

- 13 de setembro: Cerca de 800 empregados da Caixa protestam e realizam uma passeata na Avenida Paulista, em São Paulo (SP).

- 19 e 20 de outubro: Realização do 1º Conecef, no qual mais de 500 pessoas aprovam a data de 30 de outubro para a greve de 24 horas.

- 30 de outubro: Greve histórica, quando todas as unidades da Caixa são fechadas.

- 4 de novembro: Caravanas de empregados da Caixa ocupam Brasília (DF). Pressionado, o deputado federal Pimenta da Veiga dá aval para o regime de urgência ao projeto de lei que estabelece a jornada de seis horas para a categoria.

- 28 de novembro: Projeto das seis horas é aprovado na Câmara dos Deputados. No mês seguinte, a proposta também passa pelo Senado Federal.

- 17 de dezembro: Presidente da República, José Sarney, sanciona a lei que garante a condição de bancário aos empregados da Caixa.


Fonte: Fenae