segunda-feira, 30 de março de 2015

Procuradores do Trabalho lançam abaixo-assinado para derrubar PL 4330


http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=41594

Mulheres da CUT priorizam paridade, reforma política e mídia democrática

Terminou neste domingo (29) o 8º Encontro Nacional de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores, em Brasília, Distrito Federal. O já histórico e também chamado "Encontro da Paridade", teve início na sexta-feira (27) e reuniu durante três dias, mais de 600 sindicalistas CUTistas de todos os estados brasileiros, de diversas categorias e ramos de atividade econômica para discutir, além da paridade, temas como democratização do Estado, reforma política e democratização dos meios de comunicação, além de lutas históricas da pauta feminista, como a presença das mulheres no mercado de trabalho e a situação das mulheres negras.

Maria Betânia Ávila, do SOS Corpo, e Amanda Villatoro, secretária de Política Sindical e Educação da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), fizeram análise de conjuntura nacional e internacional em mesa coordenada pela secretária nacional de Relações de Trabalho, Graça Costa e pela presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz.

O tema "Paridade: por uma democracia sindical", foi debatido com as contribuições da secretária nacional da Mulher Trabalhadora, Rosane Silva, da secretária nacional de Saúde do Trabalhador e presidenta da Internacional de Serviços Públicos (ISP), Junéia Martins Batista, vice-presidenta do Partido dos Trabalhadores, Clarissa Cunha. A mesa teve a coordenação de Rosana Fernandes, da Executiva Nacional da CUT, e Amélia Costa, presidenta da CUT Alagoas.

Junéia Martins ressaltou a importância da luta por equidade salarial entre homens e mulheres, enfatizando que este tema deve ser prioridade no movimento sindical. Ela também chamou a atenção para a questão do empoderamento das mulheres no movimento sindical. "Devemos impor este debate dentro das entidades sindicais, afinal, estamos preparadas para assumir qualquer cargo no movimento sindical. Temos que estar unidas para esse enfrentamento", conclamou Junéia.

Paridade

E por que paridade? Segundo a vice-presidenta do PT, para responder a esta pergunta é necessário entender o contexto histórico. "Vivemos em uma sociedade capitalista, machista, patriarcal e desigual. Por isso, a paridade deve ser entendida como um desafio e, ao mesmo tempo, entender os obstáculos para fazermos um debate mais geral da sociedade também. A luta por reforma política, a lista com alternância de gênero nas eleições, por exemplo, colocam este debate da paridade também para a sociedade", esclarece Clarissa.

"O debate da paridade precisa evidenciar que existe uma desigualdade tamanha na sociedade e, com a paridade, partimos de outro patamar dentro da sociedade, o da igualdade, que nunca existiu antes. E é esse investimento necessário para que possamos partir do mesmo patamar dentro da sociedade que nos fará ocupar cada vez mais espaços de decisão", enfatiza Clarissa.

Rosane Silva reitera: "não queremos paridade como número apenas. Queremos condições objetivas para atuar no movimento sindical. E quando falamos em condições, estamos dizendo que a CUT deve incorporar esta luta no seu dia a dia, porque essa não é uma luta só de mulheres, é uma luta da Central".

Segundo Rosane, as mulheres representam mais de 50% da classe trabalhadora, mas em condições diferenciadas. Em pleno século 21, ainda há opressão em todos os espaços e no espaço do trabalho produtivo é onde ela mais persiste. Rosane destaca que o sindicato também deve ter o papel de reverter esse quadro.

"Um sindicato e uma central sindical que pensa sua pauta política e de ação sem incorporar o tema da opressão às mulheres, não está representando toda a classe trabalhadora. O tema da igualdade salarial é tão importante quanto o aumento real de salário. Por isso, nós mulheres precisamos estar também nos espaços de negociação coletiva. É preciso preparar as mulheres para que elas possam estar na mesa de negociação", frisou Rosana.

A dirigente da CUT faz um desabafo e alerta: "Temos que provar todo dia que somos capazes, que conquistamos esse espaço por capacidade política. Mas, só vamos avançar e ter uma CUT de fato paritária, se estivermos unidas e solidárias. Se nos dividirmos, é o machismo que avança".

Democratização do Estado e democratização da comunicação

O debate sobre "Democratização do Estado, reforma política, democratização dos meios de comunicação e a luta feminista" foi coordenado pela presidente da CUT Maranhão, Adriana Oliveira, e pela secretária nacional de Comunicação da CUT, que destacou: "se queremos fortalecer a democracia e fortalecer a luta das mulheres, a luta da democratização da Comunicação é uma luta chave".

Tatau Godinho, da secretaria de Política para as Mulheres da Presidência da República, falou sobre o papel do Estado, que é o de cumprir um mandato de uma vontade política e social que é determinada pelas formas de organização da sociedade.

"Às vezes a gente não se da conta que a forma de funcionamento do Estado é resultado de uma correlação de força social, de classe, de relações de gêneros, de herança patriarcal, de formas de dominação que envolve a desigualdade racial e as diversas formas de opressão a grupos sociais. Por isso, quando falamos em democratização do Estado, temos que buscar quais são as formas de organização da sociedade capazes de interferir na organização que não dialoga e não responde às demandas sociais", disse Tatau.

"Parte importante disso é a organização como movimento social, mas outra parte importante é a organização das diversas instituições que acabam construindo verdades, relações, mentalidades e luta política. E talvez não haja um instrumento tão forte de construção da luta política, hoje, como os meios de comunicação. A imprensa, os meios de comunicação tem um papel brutal de construir realidades, de construir visões políticas de que forma cada sociedade está sendo construída", sublinha.

Para Tatau, junto com o debate de aumento da participação feminina, temos que defender uma plataforma de igualdade entre mulheres e homens, de direitos iguais. Segundo a painelista, é preciso ter clareza sobre qual participação queremos, sobre que Estado queremos.

"Nossa plataforma é de democracia na participação, mas também de igualdade, de romper com a dominação e a exploração, de garantir a ampliação dos direitos sociais e que a participação política das mulheres seja parte da construção de uma sociedade igualitária. "Temos que ter esse cuidado, senão, estaremos criando condições para que as mulheres sejam portadoras de uma plataforma que oprime o conjunto das mulheres, e não é isso que queremos", reitera Tatau.

Para Silvia Camurça, da Articulação de Mulheres Brasileiras, democratizar o Estado democratizar o poder do Estado. Silvia menciona três campos de disputa que considera fundamental para as forças populares para que essa democratização possa ocorrer: no campo jurídico, na disputa pela legislação da comunicação; na disputa do Fundo Público - que nasce a partir impostos e outras taxações e é usado para financiar políticas publicas, e na orientação das políticas dos governos que estão gerindo o Estado a cada momento. Silvia cita como exemplo, quando a presidenta Dilma lançou um decreto sobre o sistema de participação, proposta bem menor que os movimentos queriam, segundo ela, e que causou uma rebelião na burguesia e no empresariado, que diziam que presidenta queria fazer do Brasil uma república bolivariana. "Até onde o Estado permite que cidadãos não proprietários possam influenciar diretamente na orientação das políticas? Até onde isso é legítimo? Isso é um tema de disputa, até onde se participa ou não, e luta das mulheres faz parte desta disputa".

Mercado de trabalho e situação das mulheres negras

A secretária de Combate ao Racismo, Julia Nogueira, e a presidenta da CUT Goiás, Bia de Lima, coordenaram mesa com as convidadas Sandra Mariano, coordenadora Nacional de Entidades Negras (CONEN), a economista Marilane Teixeira e Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM).

Sandra apresentou dados importantes levantados pelo Conen sobre a situação da população negra no Brasil. Segundo estudo, atualmente, pretos e pardos somam 50,7% dos brasileiros e ocupam em torno de 30% do funcionalismo brasileiro, são 17,6% dos médicos e menos de 30% dos professores universitários. Já entre os diplomatas apenas 5,9% são pretos e pardos.

O estudo também demonstra que a formalização tem crescido mais acentuadamente entre negros, mas ainda é baixa se comparada à taxa de formalização dos brancos.

Os índices mostram melhorias, apesar de ainda expressivas diferenças de rendimento, estrutura ocupacional, formalização, rotatividade e desemprego entre negros e brancos, o que atinge especialmente as mulheres negras.

Segundo dados do PNAD/IBGE 2013, no Brasil são 37 milhões de mulheres a serem inseridas no mercado de trabalho. Marilane analisa que para reverter esse quadro será necessário uma mudança no sistema produtivo. "A redução da jornada de trabalho é central pra mulheres. Reduzir a jornada é garantir que no futuro mais mulheres possam se inserir no mercado de trabalho", diz.

Rendimentos

Segundo Marilane, há poucas alterações em relação aos rendimentos. As mulheres negras foram favorecidas pela valorização do salário mínimo, que permitiu que houvesse um processo em que, na base da pirâmide salarial, os salários de homens e mulheres se aproximaram, mas no topo, se distanciaram. Para a pesquisadora, isso também é reflexo da diminuição do peso na indústria e no crescimento no comercio e serviço no mercado de trabalho.

"As mulheres são mais escolarizadas em todas as faixas. Mesmo escolarizadas, elas ganham menos que os homens e para atividades menos qualificadas. Nos últimos dez anos mais de 25 milhões de mulheres estavam concentradas em 27 ocupações com renda média em torno de 1.000 reais. Enquanto os homens tinham um rendimento médio de 1.500 reais. Por isso, temos que discutir a estrutura produtiva, repensar a estrutura de produção", enfatizou Marilane.

Marcha das Margaridas

Após os debates, foi feito um ato sobre a Marcha das Margaridas, que acontece de quatro em quatro anos, em agosto, evento que reúne mulheres do campo e da cidade por direitos, reformas, liberdade, autonomia e igualdade.

Para Carmen Foro, vice-presidenta da CUT, a marcha traz para o centro do debate a crítica ao atual modelo de desenvolvimento vigente no País, e diz: "O campo precisa de dignidade, precisa de saúde e educação de qualidade. O campo precisa de respeito aos direitos. O projeto capitalista é muito cruel com quem vive no campo, especialmente com as mulheres. Por isso marcharemos juntas, com o sentimento de que isso pode transformar nossas vidas", enfatizou.

Resoluções

As delegadas trabalharam em grupos, discutindo temas a serem levados aos CECUTs e ao CONCUT (congressos estaduais e nacional da CUT) e aprovaram resolução, que inclui a defesa da Petrobrás, Reforma Política e Democratização da Comunicação.

Confira abaixo as principais resoluções do 8º Encontro Nacional de Mulheres da CUT:

- Sensibilização das direções dos ramos e sindicatos sobre a paridade

- Mapeamento da quantidade de mulheres na CUT

- Cursos de formação para mulheres

- Paridade nas delegações em todos os fóruns da CUT

- Secretarias de Mulheres das Estaduais devem participar da coordenação dos CECUTs

- Formação sobre o tema, para poder viabilizar a discussão de gênero nos sindicatos CUTista - com envolvimento de homens e mulheres

- Lutar por creche nos sindicatos e nas mesas de negociação

- Pensar uma política de enfrentamento contra o assedio moral e sexual no movimento sindical e no trabalho

- Formação sindical: estruturar curso de formação na CUT sobre a luta feminista, abordando a luta das mulheres na CUT, com recorte racial.

- Implementação do Plano Nacional de Saúde Integral da Mulher.


Fonte: Paula Brandão - CUT 

Anamatra manifesta preocupação com PL 4330 em audiência na Câmara


 Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) manifestou na quarta-feira (25) preocupação com o PL 4330, em tramitação na Câmara dos Deputados, que trata da terceirização, por entender que precariza as relações de trabalho, entendendo como precarização a perda de qualidade dos postos de trabalho. A afirmação foi feita pela secretária-geral da Anamatra, Noemia Porto, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

"Nessa linha, encontra-se projeto de lei que será apreciado por essa Casa. Trata-se do PL 4330. A questão central é a terceirização ser vista como fórmula de economia com a mão de obra. Os trabalhadores, porém, não podem ser vistos como mão de obra ou como simples mercadoria. São pessoas; pessoas trabalhadoras detentoras dos direitos fundamentais previstos na Constituição", disse.

Noemia Porto disse que a Anamatra defende uma agenda de trabalho decente, numa lógica similar àquela que tem sido defendida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Para a Anamatra, "trabalhador é um conceito abrangente, que engloba todas as pessoas que necessitam viver do seu trabalho, e não apenas os trabalhadores empregados. Preocupa-nos a temática geral do valor do trabalho humano".

Na perspectiva do trabalho decente, são relevantes todas as ações articuladas em torno:

a) da autonomia da negociação coletiva e da liberdade sindical;
b) do combate ao trabalho forçado;
c) do combate ao trabalho infantil; e
d) da igualdade no trabalho, que envolve questões como raça, gênero, origem social, orientação sexual, etc.


Fonte: Anamatra
 

Seminário em Recife debate PL 4330, trabalho e terceirização no Brasil


O Sindicato dos Bancários de Pernambuco sediou, nesta quinta-feira, dia 26, o "Seminário sobre Trabalho e Terceirização no Brasil: empregos x precarização do vínculo", organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), junto com CTB, UGT, CSB, Força Sindical e Nova Central.

As palestras foram ministradas pela auditora-fiscal do Trabalho, Cristina Serrano; pelo desembargador do Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, Fábio Farias; e pelo secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT e integrante do Fórum em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização, Miguel Pereira.

Cristina apresentou os resultados de uma pesquisa desenvolvida junto a funcionários da Contax que prestam serviços a bancos. Os resultados mostram que esses trabalhadores desempenham as mesmas funções dos bancários, mas recebem remunerações inferiores e têm condições de trabalho bem piores.

Os dados apresentados pela auditora-fiscal do Trabalho são alarmantes e evidenciam a exploração dos trabalhadores à revelia da lei. "É muito mais barato para os empresários utilizar a terceirização", afirmou Cristina, durante a exposição.

A secretária de Finanças do Sindicato, Suzineide Rodrigues, ressalta a importância da pesquisa. "Esse trabalho evidenciou uma realidade que o movimento sindical bancário já conhecia e contra a qual lutamos, mas pesquisas como essa são importantíssimas para a população se inteirar sobre o que é, de fato, a terceirização", reflete Suzineide.

A diretora do Sindicato ressaltou, ainda, que todos os trabalhadores que desempenham função de bancários têm direito a integrar a categoria e a usufruir de todas garantias previstas em lei.

O diretor da Confraf-CUT fez uma análise da conjuntura política do Brasil, às vésperas da votação do Projeto de Lei 4330, que está marcada para o próximo dia 7 de abril na Câmara Federal. O texto que irá a votação será o substitutivo do deputado Artur Maia (SD-BA), que liberaliza a terceirização para todas as atividades das empresas, incluindo as atividades principais e permanentes, das áreas rurais e urbanas, empresas públicas, sociedades de economia mista, autarquias e fundacionais.

De acordo com Miguel Pereira, além da precarização das condições de trabalho e da flexibilização dos direitos trabalhistas, a aprovação do PL 4330 fragmentaria a organização e representação da classe trabalhadora. "Em pouco tempo, os direitos conquistados, após décadas de lutas, serão solapados. As negociações coletivas só terão alguma efetividade, onde os empresários tiverem interesse e para os segmentos que avaliarem ser necessário", explica Miguel.

A presidenta do Sindicato, Jaqueline Mello, que estava presente no Seminário, destacou que a categoria bancária está mobilizada contra a aprovação do PL 4330. "A aprovação desse projeto representaria uma perda enorme para os trabalhadores. Seria um grande retrocesso", reforça Jaqueline.

Contra o PL 4330

No dia 7 de abril, o movimento sindical e movimentos sociais do campo e da cidade realizarão atos, em todo o país, para impedir a votação do PL 4330 e para conscientizar a sociedade sobre o prejuízo que esse PL representa para a classe trabalhadora.

Em outros momentos, essa votação não ocorreu justamente pela pressão exercida pela sociedade civil, especialmente pelos movimentos organizados de trabalhadores.

Em Brasília, sindicalistas vão ocupar o Congresso Nacional, a partir das 10h, para impedir a aprovação do PL 4330 e protestar contra outros projetos como o da reforma política do PMDB, que não acaba com o financiamento empresarial das campanhas eleitorais, uma porta aberta para a corrupção.

No Recife, a concentração para o ato contra a aprovação da PL 4330 está marcado para 15h, em frente ao Parque 13 de Maio.


Fonte: Seec Pernambuco 

"BB precisa se responsabilizar", afirma William Mendes, diretor da Cassi



Em entrevista concedida nesta semana para a imprensa do Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista (BA), o diretor eleito de Saúde e Rede de Atendimento da Cassi, William Mendes, afirmou que "o Banco do Brasil precisa se responsabilizar também pela solução do problema da Cassi, que já vem de longe, e nós estamos apresentando um modelo de sistema de saúde com maior perspectiva de perenizar a nossa Caixa de Assistência".

William, que é também secretário de formação da Contraf-CUT, falou sobre a situação financeira da Cassi e a postura adotada pelo BB diante do problema. Também fez um resumo do que está em discussão sobre a questão do déficit do Plano de Associados e as propostas dos representantes do Corpo Social para a solução e o fortalecimento da Cassi e da saúde de seus associados e familiares.

Confira a íntegra da entrevista:

Qual a postura da Cassi diante da negociação proposta pelo Banco do Brasil, uma vez que o BB quer repassar a conta para os bancários, se eximindo da responsabilidade financeira frente à crise enfrentada pelo plano de saúde?

Vamos explicar passo a passo para os leitores bancários e associados da Cassi em que momento estamos na questão da busca de solução para o déficit do Plano de Associados da Entidade.

A Cassi é uma Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. É uma entidade de saúde dos trabalhadores e não visa lucro. É gerida no modelo de autogestão, compartilhada entre os patrocinadores Banco do Brasil e Corpo Social. O Banco indica a metade da governança e o Corpo Social elege a outra metade.

A Cassi opera dois modelos de planos de saúde: o Plano de Associados e os planos Cassi Família. O Plano de Associados é composto pelos funcionários da ativa e aposentados e seus dependentes. Os planos Cassi Família são compostos por familiares até 3º grau dos funcionários do BB, ex-funcionários do banco e os funcionários da Cassi. Ou seja, há regras estatutárias e legais para a composição dos participantes dos planos de saúde da Cassi.

O Banco do Brasil afirma em mesas de negociação com as entidades sindicais que não aceita discutir com a Comissão de Empresa da Contraf-CUT o tema Cassi porque, segundo ele, os funcionários já têm seus representantes eleitos na governança da entidade.

Entretanto, na governança da Cassi, chegamos a um impasse ao final de 2014 porque o orçamento da entidade para o exercício de 2015 previa novo déficit no Plano de Associados (este plano tem déficits há anos) e, com isso, o Banco do Brasil, através de seus representantes na governança, propôs na peça orçamentária para 2015, aumentar a mensalidade dos associados em 50%, indo da atual contribuição de 3% sobre o salário para 4,5%.

Como o banco sabe que não pode aumentar a mensalidade sem aprovação do Corpo Social, e isso naturalmente tem um processo que pode durar meses, o BB propôs na mesma peça orçamentária de 2015, o corte de diversos direitos em saúde, como suspensão de programas de cuidados (Atenção aos Crônicos e Assistência Farmacêutica), e propôs aumentar diversas coparticipações nas consultas, exames e até franquias de R$1.500 nas internações, o que prejudicaria sobremaneira as pessoas com mais dificuldades e quebraria a solidariedade no modelo de saúde da Cassi.

Os eleitos, representantes do Corpo Social na governança, rejeitaram essas propostas na peça orçamentária de 2015 e levaram o assunto para as entidades sindicais e associativas para iniciarmos negociações formais com o BB a fim de resolver o problema do déficit do Plano de Associados sem prejudicar os direitos em saúde dos participantes. Os eleitos recorreram às entidades sindicais e associativas porque sabem que só a força da mobilização e da luta unitária em prol da saúde dos funcionários do BB e da Cassi pode fazer com que o Banco negocie e também se responsabilize pelo aporte necessário ao equilíbrio.

Existe uma previsão de pedido de aporte para o banco? Qual seria o montante e com base em que este valor foi calculado?

A proposta dos eleitos representantes do Corpo Social foi no sentido inverso daquela feita pelo BB, através de seus indicados na Cassi. O Banco propôs aumentar a contribuição dos funcionários da ativa e aposentados para 4,5%. Com isso a receita da Cassi no Plano de Associados iria para 9%, ou seja, sobre a folha de pagamento da ativa (BB) e dos aposentados e pensionistas (Previ). Segundo as áreas do Banco na governança, o incremento anual seria da ordem de R$ 300 milhões por ano.

Os eleitos propuseram o inverso. Diferente do BB, que propôs aumento permanente de contribuição aos associados, nós propusemos que o Banco do Brasil faça contribuições extraordinárias no mesmo montante - R$ 300 milhões - em 2015 e 2016, só que sendo extraordinário. Isso não obrigaria o Banco a ter que reservar no balanço o valor para garantir os aposentados do plano, conforme seus gestores afirmam por causa da CVM 695.

O Banco está na gestão de forma ininterrupta desde 1996 e não é correto querer passar a conta do desequilíbrio para os associados, sem que ele também contribua. Além do adoecimento grande do pessoal da ativa (mais de 100 mil trabalhadores) causado pelas condições de trabalho e que onera a Cassi, a reforma de 2007 e o BET trouxeram receitas extraordinárias da ordem de um bilhão de reais e, no entanto, até o momento em que chegamos à gestão (2014), o modelo de promoção de saúde e prevenção de doenças, preconizado na Cassi há mais de 15 anos, não foi ampliado para o conjunto dos associados. É aí que está o problema estrutural com maior responsabilidade no desequilíbrio.

A Cassi não aproveitou as receitas extraordinárias recebidas entre 2007 e 2013 para investir no modelo de saúde aprovado pelo Corpo Social. Nós temos que ser sinceros nisso. A proposta dos eleitos é o Banco do Brasil fazer as contribuições extraordinárias de 300 milhões nestes dois exercícios - 2015 e 2016 - e todos juntos avançarmos no modelo de saúde mais racional e resolutivo e com resultados melhores para os participantes e a Cassi, tanto em saúde como também financeiros. Estamos propondo o que há de melhor nos países de primeiro mundo e de ponta em saúde.

O modelo de atenção básica, preconizado pelo estatuto desde 1996, até hoje não foi colocado em prática. Por que, já que os usuários do plano acabam passando por diversos especialistas e fazem tantos exames desnecessários, gerando duplicidade e até triplicidade no fim das contas?

Este é o problema de fundo e o que os eleitos estão propondo é resolver isso. Aprofundar o modelo de Atenção Integral à Saúde, através da Estratégia de Saúde da Família (ESF), para o conjunto dos associados. Estamos falando em estender o direito a ter equipes de família cuidando dos 720 mil participantes, com mapas epidemiológicos das populações Cassi e com acessibilidade adequada em todas as bases do país. É possível porque é feito em outros países.

As iniciativas estratégicas propostas por nós no final de 2014 precisam de tempo para serem implementadas e não podemos permitir que um déficit financeiro como o atual, por não ter receita extra em 2014, como teve entre 2007 e 2013, impeça que todos possam usufruir de um modelo que trará mais perenidade à Cassi nas próximas décadas.

Por isso é que o Banco do Brasil precisa se responsabilizar também pela solução do problema, que já vem de longe, e nós estamos apresentando um modelo de sistema de saúde com maior perspectiva de perenizar a nossa Caixa de Assistência. Será bom para o Banco e para os associados.

A última reforma do estatuto foi feita em 2007, e os prejuízos já são notados desde 2005. Por que só agora a CASSI está adotando estas medidas?

Acredito que já abordamos isso nas respostas anteriores. A Cassi já tem aprovado o modelo de sistema de serviços de saúde baseado na atenção primária e nas equipes de família, através das CliniCASSIs.

No entanto, o modelo não tem escala e com isso as despesas assistenciais, o volume de exames desnecessários, as internações e o grande gasto com OPMEs acabam sendo muito acima do que seria, caso os 720 mil associados tivessem o direito ao modelo integral de saúde.

A lógica é outra. É cuidar das pessoas e não deixar as pessoas por conta de um "mercado" de saúde que não vê seres humanos com necessidades de cuidados e sim "consumidores" e "planos de saúde" aptos a pagar. Só que o sistema de saúde, tanto público quanto privado, está em uma grave crise e nós estamos defendendo o que é melhor e mais racional para a sobrevivência da Caixa de Assistência.

Contamos com o Corpo Social e suas entidades representativas para fazermos esse debate com o patrocinador Banco do Brasil.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb Vitória da Conquista