quinta-feira, 27 de março de 2014

Caixa lucra R$ 6,7 bilhões com maior crédito e mais empregos e agências

A Caixa Econômica Federal obteve lucro líquido recorde de R$ 6,7 bilhões em 2013, com crescimento de 19,2% em comparação ao ano passado e, na contramão do que vem praticando os bancos privados, com ampliação do crédito, geração de empregos e abertura de agências. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (26) pela instituição.

De acordo com a análise do balanço feita pela Subseção do Dieese na Contraf-CUT, a Caixa tinha 98.198 empregados em 31 de dezembro de 2013, o que representou a criação de 5.272 postos de trabalho em relação ao mesmo período de 2012, crescimento de 5,7%.


Houve também a inauguração de 420 novas agências no ano passado, o tamanho de um banco médio. A Caixa soma agora 3.288 agências em todo o país.


A carteira de crédito total somou R$ 494,2 bilhões no final de dezembro de 2013, com crescimento de 36,8% em 12 meses (6,7% no trimestre). O crédito à pessoa física totalizou R$ 80,9 bilhões (num expressivo crescimento de 45,7% em 12 meses).


O crédito à pessoa jurídica totalizou R$ 90,8 bilhões em 2013, com alta de 37,8% em relação a 2012. O crédito habitacional, principal carteira da Caixa, cresceu 31,4%, atingindo um montante de R$ 270,4 bilhões.


Crescimento com desenvolvimento econômico e social

"Ao continuar ampliando o crédito, com geração de mais de 5,2 mil empregos e abertura de 420 agências, a Caixa aposta no crescimento com desenvolvimento econômico e social e dá exemplo para os bancos privados que, mesmo com lucros bilionários, vêm freando o crédito, eliminando postos de trabalho e fechando agências", destaca Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.


"Os bons resultados apresentados pela Caixa são fruto do empenho e dedicação dos seus empregados e provam que um banco pode crescer mesmo com juros mais baixos e sem demitir. Esperamos que a empresa continue gerando empregos e melhore as condições de trabalho", salienta Jair Pedro Ferreira, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), que assessora a Contraf-CUT nas negociações com o banco.


Diante do crescimento da carteira de crédito, as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) tiveram alta de 19,7% em 12 meses, totalizando R$ 9,2 bilhões. As taxas de inadimplência, por sua vez, subiram 0,2 ponto percentual em relação a dezembro de 2012, ficando em 2,3%.


Receitas com serviços e tarifas pagam despesas de pessoal

As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias atingiram R$ 16,4 bilhões, com alta de 14,5% em relação a dezembro de 2012. As despesas de pessoal, no período, por sua vez, tiveram alta de 17,8%.


Com isso, a cobertura dessas despesas pelas receitas de prestação de serviços e tarifas ficou em 102,7%, com redução de 2,97 ponto percentual (em dezembro de 2012 era de 105,6%).


O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado foi de 26,2% (0,3 ponto percentual acima da rentabilidade de dezembro de 2012 e 3,8 pontos percentuais abaixo da rentabilidade do 3º trimestre do ano).


Fonte: Contraf-CUT com Dieese

terça-feira, 25 de março de 2014

Bancários de Mato Grosso debatem assédio moral em palestra com MPT

http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=37787

Crescimento com distribuição de renda: desafios para a próxima década

O site Brasil 247, um dos veículos de informação mais acessados do País, publicou nesta segunda-feira (24) o artigo "Crescimento com distribuição de renda: desafios para a próxima década", de Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e da UNI Américas Finanças e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

O texto avalia a conjuntura econômica do País e discute o desafio do crescimento. Cordeiro aponta "a necessidade de superar paradigmas: de crescimento - elevação contínua das taxas de crescimento do PIB - para desenvolvimento com distribuição de renda - melhoria geral das condições produtivas do sistema econômico e das condições de vida da sociedade, especialmente de sua parcela mais pobre".


Para o presidente da Contraf-CUT, "tal superação requer mudanças profundas em áreas e políticas em torno das quais se articulam poderosos interesses econômicos e políticos". Ele apresenta vários caminhos.


Leia a íntegra do artigo de Carlos Cordeiro:

Crescimento com distribuição de renda: desafios para a próxima década

No último dia 27 de fevereiro, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB), em 2013, cresceu 2,3%. Embora esse resultado esteja aquém do desejado, ele é uma boa notícia, pois ainda enfrentamos um cenário internacional bastante adverso. Entre as principais economias mundiais que já divulgaram os resultados do PIB do ano passado, o Brasil teve o terceiro maior crescimento, ficando atrás apenas da China (7,7%) e da Coreia do Sul (2,8%).


Mas, para a classe trabalhadora, não basta apenas crescer, ainda que a taxas mais robustas. 

Aos trabalhadores interessa que o crescimento seja acompanhado do aprofundamento do processo de distribuição de renda e melhoria das condições gerais de vida do povo.

Apesar de ser a sexta economia do mundo, o Brasil ocupa o 10º lugar no ranking da desigualdade mundial. Por aqui, os 10% mais ricos se apropriam de 38% da renda total produzida, enquanto os 10% mais pobres detêm menos de 2%, de acordo com a PNAD-IBGE.


O processo de redistribuição de renda, fortalecido a partir do primeiro mandato do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, teve como pilares, entre outros, a política de valorização do salário mínimo - negociada e acordada entre o governo e o movimento sindical, por meio das Centrais Sindicais -, a ampliação do universo de beneficiários da previdência social, o programa Bolsa Família, que retirou da miséria absoluta 40 milhões de pessoas, o programa Brasil Carinhoso, que visa reduzir a mortalidade infantil no país e assegurar a saúde das gestantes e recém-nascidos e o Programa Minha Casa, Minha Vida, que visa sanar um déficit habitacional de 20 milhões de moradias.


Mais ainda: o vigoroso comportamento do mercado de trabalho formal a partir de 2004, propiciado pela retomada do crescimento econômico - a despeito dos tímidos patamares de crescimento do PIB observado nos últimos três anos -, revigorou o poder de negociação e pressão dos sindicatos, permitindo-lhes recuperar parte do poder aquisitivo corroído durante a "década perdida" dos anos 90, marcada por elevadas taxas de desemprego.


Segundo o DIEESE, desde 2004 a maioria das categorias que realizaram negociações coletivas conseguiu obter ganhos reais e esta foi, sem dúvida, uma das variáveis mais importantes para o processo de distribuição de renda ocorrido recentemente no país.


No caso dos bancários, os resultados da última década são muito positivos. Os pisos salariais acumularam ganho real de 38,7% e os salários em geral, um ganho de 18,3%.


Em suma, a conjugação entre a ação do Estado, por meio de políticas específicas e dos sindicatos, por meio de greves e da negociação coletiva, criou um ambiente propício à inclusão de novos trabalhadores ao mercado formal. Ampliou-se a parcela do PIB apropriada pelos salários. Em 2003, primeiro ano do primeiro mandato de Lula, a relação salários/PIB foi de 46,23% e, a partir daí, houve uma recuperação progressiva, chegando a 51,4% em 2009, segundo o último dado divulgado pelo IBGE.


Mesmo assim, os salários ainda são baixos e a precarização das condições e relações de trabalho não é uma exceção. Ainda continuamos muito desiguais. A redistribuição de renda em favor dos trabalhadores e das camadas mais pobres da população, apesar dos inegáveis avanços ocorridos na última década, caminha muito devagar tendo em vista as imensas disparidades - de renda, regionais e de oportunidades - que caracterizam secularmente a sociedade brasileira. É preciso forçar a marcha e avançar na próxima década.


O avanço necessário

Primeiramente, é preciso refundar paradigmas. A distribuição de renda deve deixar de ser vista como resultado do crescimento econômico. A redução das desigualdades sociais, além de ser uma finalidade inquestionável do crescimento econômico, pois promove maior coesão social, deve ser vista com um meio para viabilizar e sustentar um processo de crescimento econômico a longo prazo.


A experiência recente mostrou que os termos da equação "crescimento-distribuição" foram invertidos por muito tempo e a maneira como o país está atravessando a atual crise econômica mundial é prova disso. Não fosse a manutenção das políticas distributivas, especialmente a política de valorização do salário mínimo, é provável que o país já tivesse mergulhado numa crise mais intensa do que a que está enfrentando.


Daí, a necessidade de superar paradigmas: de crescimento - elevação contínua das taxas de crescimento do PIB - para desenvolvimento com distribuição de renda - melhoria geral das condições produtivas do sistema econômico e das condições de vida da sociedade, especialmente de sua parcela mais pobre.


Entretanto, tal superação requer mudanças profundas em áreas e políticas em torno das quais se articulam poderosos interesses econômicos e políticos.


Em primeiro lugar, é preciso retomar o objetivo declarado pela Presidenta Dilma, no início de seu mandato, de conduzir as taxas de juros da economia para níveis civilizados, que permitam elevar a relação crédito/ PIB, hoje em torno de 53% e a taxa de investimento geral da economia, dos atuais 18% para 23% do PIB. Mas, a queda nas taxas de juros não interessa apenas aos empresários e consumidores, que poderão planejar melhor seus investimentos e aquisições de bens.


A redução das taxas de juros e, concomitantemente, o alongamento do perfil da dívida pública brasileira é condição necessária para livrar o Estado brasileiro da armadilha financeira que drena vultosos recursos orçamentários para o pagamento de juros e amortizações da dívida interna. O esforço fiscal do Estado e da sociedade brasileira é fortemente esterilizado na ciranda financeira diária, que enriquece uma minoria de rentistas, entre eles, os grandes conglomerados do sistema financeiro nacional.


Recentemente, a organização Auditoria Cidadão da Dívida divulgou que em 2014 o Estado brasileiro gastará R$ 1 trilhão ou 42% do orçamento previsto ao pagamento de juros e amortizações da dívida. Enquanto isso será destinado à Saúde apenas 3,91% do orçamento, ou seja, R$ 165 bilhões! Para a educação será destinado um percentual um pouco menor, de 3,44% do orçamento, que totaliza R$ 145 bilhões. E à Previdência Social, que atende 27 milhões de beneficiários, serão destinados pouco mais de R$ 800 bilhões.


O acesso universal aos sistemas públicos de saúde, educação e previdência, com qualidade, é condição essencial para reduzir as desigualdades sociais, criar oportunidades para os jovens e melhorar a qualidade de vida de toda a sociedade. Mas como viabilizar esses objetivos se o Estado é refém do rentismo?


Outra importante mudança estrutural rumo a uma melhor e mais justa distribuição de renda é uma urgente reforma tributária, que dê progressividade a nosso sistema tributário.


É bastante conhecido que o nosso sistema tributário incide fortemente sobre o consumo, especialmente dos bens e serviços básicos e possui uma série de inconsistências inaceitáveis para um país tão desigual, como, por exemplo, a não tributação ou baixa tributação de bens como lanchas, helicópteros particulares e carros de luxo. Ao mesmo tempo, a caixinha de leite longa vida comprada pelo trabalhador embute em seu preço final uma série de impostos que reduzem o seu poder aquisitivo.


Outra grande distorção de nosso sistema tributário é sua alta incidência sobre a renda, especialmente dos estratos médios, enquanto a riqueza, na forma, por exemplo, de grandes propriedades rurais improdutivas, é muito pouco taxada. Em países como Alemanha e Suécia existem até 15 faixas de tributação e de alíquotas, de forma a propiciar uma taxação efetivamente justa, extraindo-se recursos dos segmentos mais abastados da sociedade e protegendo os de renda mais baixa.


Não menos importante é a universalização do acesso ao sistema financeiro, com a promoção de ampla e verdadeira inclusão da população. Dados do Instituto Data Popular dão conta que em 2013 pouco mais de 50% da população brasileira não tinha acesso a nenhum tipo de serviço financeiro. E, de acordo com dados apurados pelo SINAL - Sindicato Nacional dos Empregados do Banco Central -, existe uma forte correlação entre a inclusão financeira e melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano - IDH -, especialmente no quesito renda, o que mostra a importância da inclusão financeira para a melhoria das condições de vida da população.


O argumento da inclusão financeira via correspondentes bancários não resiste aos dados divulgados pelo próprio Banco Central, que mostram que 45% desse tipo de rede de atendimento está concentrada na Região Sudeste, ou seja, a lógica da "bancarização" via correspondentes reproduz as desigualdades regionais de renda e riqueza já existentes no país.


Ainda no campo do sistema financeiro, é preciso desconcentrar o crédito, direcionando-o para as regiões mais carentes de recursos. Do total de operações de crédito realizadas pelo sistema financeiro, em 2013, 54% foi destinada à Região Sudeste, 18,4% à Região Sul, 13,5% à Região Nordeste, 10% à Região Centro-Oeste e apenas 4% à Região Norte. Isto é, a distribuição do crédito por regiões também reproduz e mantém as desigualdades regionais. Vale mencionar que essa distribuição melhorou na comparação com 2000, especialmente no Nordeste, em virtude da decisão política dos governos Lula e Dilma de ampliar a oferta de crédito pelos bancos públicos e de incrementar os fundos de desenvolvimento administrados pelos bancos estaduais e regionais.


Em relação ao mundo do trabalho há uma série de mudanças que precisam ser implementadas ou aprofundadas, pois a proteção social ao trabalho é uma das mais importantes políticas distributivas de qualquer Estado que se pretenda democrático, republicano e comprometido com a equidade social, nos termos já celebrados em nossa Constituição - e tão frequentemente ameaçados pelas forças políticas conservadoras.


Os resultados da política de valorização do salário mínimo implementada em 2007 por meio de um acordo entre as Centrais Sindicais e governo, são inequívocos no sentido da redução da pobreza. Sem desconsiderar a importância do programa Bolsa Família, o poder multiplicador do salário mínimo sobre a economia é muito mais amplo, pois repercute o incremento da renda auferido pelos trabalhadores formalizados - ou seja, que recebem décimo terceiro salário, 1/3 sobre férias e contribuem para a previdência social.


Essa política, que tem contribuído para elevar os baixos patamares salariais da economia, termina em janeiro de 2015 e tem sido atacada sistematicamente na mídia por economistas conservadores, que lhe atribuem um caráter inflacionário. É preciso que o movimento sindical, nesse momento, permaneça atento e mobilizado para não permitir nenhum tipo de retrocesso. Ao contrário, devemos envidar as nossas melhores energias para que essa política, que é fundamental para a continuidade do processo de redistribuição de renda ocorrido na última década, avance.


Ao longo dos anos, a luta dos trabalhadores consagrou a universalização dos direitos trabalhistas previstos na CLT e na Constituição, tornando-a uma importante política de distribuição de renda.


A recente aprovação do Estatuto dos Trabalhadores e Trabalhadoras Domésticas - ainda à espera de regulamentação pelo Congresso Nacional - foi um passo importante nesse rumo, pois tenta redimir uma injustiça histórica em relação a um contingente de trabalhadoras e trabalhadores que ficaram 70 anos à margem dos direitos trabalhistas fundamentais, como previsão de jornada, aposentadoria, férias e descanso semanal remunerado.


Entretanto, de forma paradoxal, o governo e o parlamento brasileiros têm manifestado uma posição conservadora em relação a outros itens cruciais da agenda sindical, entre eles, a regulamentação da terceirização. O projeto de lei nº 4330/2004, de autoria do deputado Sandro Mabel (PMD-GO) e relatado pelo deputado federal Artur Maia (PMDB-BA), que está tramitando no Congresso, sob a justificativa de proteger os trabalhadores terceirizados, estendendo-lhes, em tese, os mesmos direitos dos trabalhadores da empresa contratante, enseja, na verdade, a precarização das condições de trabalho ao permitir que, no limite, todos os trabalhadores de uma empresa possam ser terceirizados ou mesmo quarteirizados. Ou seja, ainda que os direitos trabalhistas básicos sejam estendidos aos terceirizados, a virtual possibilidade de terceirização de todas as atividades realizadas por uma empresa poderá transformar uma grande parcela de trabalhadores, hoje diretamente contratados, em terceirizados. Com isso, poderá ocorrer redução salarial e nos benefícios inscritos nas convenções e acordos coletivos celebrados pelas categorias mais organizadas, pois as próprias empresas dizem que seu principal objetivo com a terceirização é reduzir custos, especialmente trabalhistas.


Em suma, a proposta em curso de regulamentação da terceirização, ao abrir caminho para a precarização das condições de trabalho e rebaixamento salarial, segue na contramão do objetivo de crescer com distribuição de renda.


A recente tentativa de se aprovar a regulamentação da terceirização à revelia dos interesses dos trabalhadores e do movimento sindical, barrada, ainda que momentaneamente, por uma tenaz resistência sindical, mostrou claramente que a atual composição do parlamento brasileiro não favorece o avanço em direção às mudanças que interessam aos trabalhadores.


Um em cada três parlamentares é proprietário ou sócio de algum estabelecimento comercial, industrial, de prestação de serviços ou ainda proprietário de fazenda ou de indústria agropecuária. Segundo o DIAP, são 273 parlamentares nessa condição, sendo 246 deputados e 27 senadores. Eles estão presentes em todos os partidos e têm como agenda prioritária a redução dos tributos que incidem sobre o setor produtivo, a eliminação dos encargos sobre a folha de salários e a flexibilização dos direitos trabalhistas.


Ao lado dos trabalhadores, o DIAP incluiu na relação os parlamentares originários do movimento sindical, ou seja, aqueles que já exerceram cargos na direção de sindicatos, federações, confederações ou centrais sindicais e associações de classe. Integram a lista, também, pessoas que não ocuparam cargos, mas tiveram ou ainda têm vínculos com entidades sindicais atuando, por exemplo, como assessores ou consultores. Nessa bancada, foram identificados 68 congressistas, sendo 62 deputados e seis senadores.


Tal correlação de forças é amplamente desfavorável a qualquer avanço mais substantivo na direção de uma agenda de desenvolvimento com distribuição de renda, que interessa aos trabalhadores e ao movimento sindical. Por isso, o aprofundamento do processo de distribuição de renda e desconcentração da riqueza passa, necessariamente, por uma Reforma Política que possibilite a alteração desse quadro.


Outro passo importante em direção a uma melhor distribuição de renda é reduzir a alta rotatividade que caracteriza o mercado de trabalho brasileiro. A alta rotatividade dificulta a elevação dos salários e a qualificação profissional, gera déficits para o Fundo de Amparo ao Trabalhador e realimenta a precarização das condições de trabalho.


Ao contrário do que diz o argumento conservador, é fácil e barato demitir no Brasil e, se assim não fosse, a rotatividade não seria tão alta e tão frequentemente utilizada para reduzir os custos salariais das empresas.


Nos bancos, em 2012, de acordo com a RAIS, os trabalhadores admitidos tinham uma remuneração equivalente a 61,4% da que recebiam os que haviam sido desligados sem justa causa. Ou seja, havia uma diferença de 38,6% entre a remuneração dos admitidos e a dos desligados sem justa causa! Com isso, boa parte dos esforços despendidos pelos bancários - greves, mobilizações e negociações - e suas entidades representativas para melhorar os patamares salariais nos bancos é esterilizado pela rotatividade.


Mesmo que se considere a rotatividade naturalmente mais elevada em alguns setores como agricultura e construção civil, nada justifica taxas de 30%, 40% e 50%. A reformalização do mercado de trabalho, iniciada há uma década, foi um elemento importante para corrigir a heterogeneidade e as distorções estruturais do mercado de trabalho brasileiro, mas esse movimento precisa ser aprofundado, com a redução da rotatividade.


Finalmente, é preciso ampliar o poder de intervenção dos sindicatos, criando-se mais espaços de negociação e diálogo junto ao Estado e ao parlamento para que os trabalhadores possam lutar por melhores salários e condições de trabalho.


Desde 2004, a retomada do crescimento econômico e a recuperação do mercado de trabalho deram novo impulso à atuação dos sindicatos no Brasil, resultando em dez anos consecutivos de ganhos reais de salários para a maioria das categorias acompanhadas pelo DIEESE. Além disso, a negociação em torno da participação nos lucros e resultados incrementou o poder de compra dos assalariados formais, gerando um círculo virtuoso de produção, consumo e distribuição de renda.


Esse processo precisa continuar e ser aprofundado. Sindicatos fortes e atuantes foram a base da construção de sociedades mais igualitárias e democráticas em todo o mundo ocidental. Num país tão heterogêneo e desigual como o Brasil, a ação sindical é fonte de criação de novos direitos trabalhistas e estes, por sua vez, são pilares da cidadania política e social. Por isso é preciso dar mais poder aos sindicatos, rompendo-se com as restrições impostas pela atual lei de greve, por exemplo.


É preciso, também, assegurar formalmente o direito de negociação coletiva aos servidores públicos e a possibilidade de realizar negociações coletivas por ramos e setores, de forma que categorias historicamente mais organizadas possam se unir a outras com menos tradição negocial, evitando-se, com isso, o rebaixamento salarial e das condições de trabalho.


Por fim, cabe uma reflexão sobre o conceito corrente na sociedade sobre crescimento econômico.


Segundo o economista Ladislaw Dowbor, "quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas". Mas, continua Dowbor, um programa de saúde preventiva que reduz a mortalidade infantil em 50% e em 80% as hospitalizações significa que se consomem menos medicamentos e que se usam menos serviços hospitalares. Ou seja, de um ponto de vista meramente quantitativo, ao cair o consumo de medicamentos, o uso de ambulâncias, de hospitais e de horas de médicos, reduz-se também o PIB. Mas as crianças e as famílias vivem melhor e mais felizes.


O crescimento econômico expresso em taxas de expansão do PIB, embora seja condição necessária para se alcançar patamares mais elevados de bem estar econômico e social, não basta. É preciso superar paradigmas e avançar em direção a concepções mais justas, equilibradas e avançadas sobre a relação entre crescimento e desenvolvimento. Portanto, é preciso transformar crescimento econômico em desenvolvimento econômico e social, com distribuição de renda, serviços públicos de qualidade e justiça social.


Carlos Cordeiro Presidente da Contraf-CUT e da UNI Américas Finanças e coordenador do Comando Nacional dos Bancários

Fonte: Contraf-CUT

CUT lembra Dia Internacional para o Direito à Verdade nesta segunda

Em todo o mundo comemora-se em 24 de março o "Dia Internacional para o Direito à Verdade sobre as Graves Violações de Direitos Humanos e para a Dignidade das Vítimas". A data foi instituída em 2010, numa homenagem ao arcebispo de El Salvador, Dom Oscar Romero, assassinado naquele dia, em 1980, durante uma missa na capital daquele país. D. Oscar condenava e denunciava as violações aos direitos humanos e à dignidade das pessoas e por isto foi morto.

No mundo todo, são quase 50 mil desaparecidos forçados somente nos últimos 33 anos, segundo levantamento da ONU, sendo milhares desses na América Latina. No Brasil, que viveu uma ditadura militar entre 1964 e 1985, temos centenas de mortos e desaparecidos.

Milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram presos/as, torturados/as, perseguidos/as, perderam os empregos, expulsos/as das terras, o que provocou aumento da pobreza e da miséria.

Agora, depois de 50 anos, está em funcionamento a Comissão Nacional da Verdade (CNV) que tem entre seus objetivos investigar os crimes da ditadura militar. No âmbito da CNV foi criado o Grupo de Trabalho (GT) Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical. Este GT tem ativa participação da CUT por meio da sua Comissão Nacional de Memória, Verdade e Justiça, que apoia os seus trabalhos.


No próximo dia 31 de março, o golpe militar que instalou a ditadura fará 50 anos e temos que aproveitar o momento para dizer "Ditadura nunca mais". Os trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo formam a maioria da população e foram os que mais sofreram com a ditadura militar. A CUT exige que todas as violações cometidas durante a ditadura sejam apuradas.


Neste 24 de março, quando se comemora o Dia Internacional para o Direito à Verdade sobre as Graves Violações de Direitos Humanos e para a Dignidade das Vítimas, a CUT, mais uma vez, reafirma e exige Verdade, Justiça e Reparação. Seguimos e seguiremos lutando em defesa de nossa memória histórica.


Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT

Fonte: CUT

Para Frei Betto, esquerda não estava preparada para resistir ao golpe de 64

Em seu comentário semanal à Rádio Brasil Atual, o escritor Frei Betto criticou nesta segunda-feira (24) a falta de ações de resistência organizada à instauração do golpe civil-militar no Brasil em 1º de abril de 1964. Para ele, a esquerda deveria estar organizada para impedir que o país fosse governado sob regime antidemocrático durante 21 anos.

"A esquerda que bradava ser capaz de mobilizar milhares de trabalhadores em caso de ameaça de golpe não dava as caras. Onde estava a resistência de toda aquela multidão que havia aplaudido João Goulart no mega comício na Central do Brasil, em 13 de março, no Rio de Janeiro?", questiona.

No dia do golpe, Frei Betto participava do Congresso Latino-americano de Estudantes, em Belém. O teólogo conta que, mesmo com notícias confusas e incertas sobre a ditadura, as lideranças estudantis decidiram imediatamente encerrar o evento. "Foi um salve-se quem puder", disse. No Norte, a maioria das notícias sobre o golpe nas grandes capitais chegava por meio do rádio, explica o comentarista, que só retornou ao Rio de Janeiro nove dias depois.

O presidente João Goulart havia sido deposto e partido para o exílio. Assim, o então presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu o controle da República sob tutela dos militares. A situação provisória se estendeu até 11 de abril, quando houve escolha presidencial indireta: votariam apenas os membros do Congresso Nacional que não haviam sido cassados por "divergências políticas com o regime". O marechal Castelo Branco tomou posse em 15 de abril como o primeiro governante do período da ditadura.

"Nossos sonhos libertários se derretiam", lamenta o escritor. "A gente se perguntava por que as tropas comandadas pelo general Olímpio Mourão Filho, que desceram de Minas Gerais ao Rio de Janeiro, não se depararam com nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo, nenhuma resistência", completa.

Frei Betto conta que o apartamento em que morava, com reuniões da Ação Católica do Rio de Janeiro, foi invadido na madrugada de 6 de junho por agentes do Centro de Informações da Marinha (Cenimar). "Fomos todos arrastados para o Comando Naval, no centro da cidade, e depois encarcerados no quartel dos fuzileiros navais, na Ilha das Cobras. A ditadura, então, pela primeira vez me atingiu na pele."


Fonte: Rede Brasil Atual

Contraf-CUT divulga Acordo Marco Global assinado entre UNI e Itaú

http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=37783

Corpos do Araguaia 'sumiram', diz coronel à Comissão da Verdade no Rio

O coronel reformado do Exército Paulo Malhães disse à Comissão Estadual da Verdade do Rio que a busca pelos restos mortais de militantes de esquerda desaparecidos na Guerrilha do Araguaia é inútil. Ele contou que, na segunda metade da década de 1970, foi encarregado de chefiar uma missão na região da guerrilha, no sul do Pará, cujo objetivo era desaparecer para sempre com os corpos.

Segundo seu relato, eles foram desenterrados e jogados em rios, após terem arcadas e dedos das mãos arrancadas, para não serem identificados.


Ainda de acordo com o coronel, na chamada "operação limpeza" do Araguaia teriam sido empregadas as mesmas técnicas utilizadas para o desaparecimento de opositores do regime militar em áreas urbanas. Os corpos eram postos em sacos impermeáveis e com pedras de peso calculado, para impedir que afundassem completamente ou flutuassem. O ventre da vítima também era cortado, evitando assim que inchasse.


O objetivo era criar condições para que o corpo fosse arrastado pelo rio. "Podem escavar o Brasil todo, mas não vão achar ninguém, porque nós desaparecemos com todo mundo", disse Malhães.


O coronel aceitou um convite da Comissão Estadual da Verdade do Rio para falar sobre sua atuação no Centro de Informações do Exército (CIE), na década de 1970. Recebeu em sua casa uma integrante e um assessor do grupo e, em dois encontros, no período próximo ao Carnaval, falou durante 17 horas.


A primeira parte do material, com dez horas de duração, já foi desgravada. Os jornais O Globo e O Dia, do Rio, divulgaram na semana passada trechos do depoimento, nos quais Malhães falou de sua atuação nos órgãos de repressão do Rio e em São Paulo. Citou, entre outras coisas, o caso do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971.


Na segunda parte, que ainda não está desgravada, o militar abordou a questão do Araguaia. "Ele disse que essa 'operação limpeza' empregou os mesmos métodos em todo o País, quando se decidiu desaparecer com os corpos", disse ontem ao Estado o presidente da Comissão Estadual, advogado Wadih Damous. "Contou que chefiou a operação na região da guerrilha, durante a qual desenterravam os corpos e desapareciam com eles. O padrão era o mesmo: após os cortes no abdômen, ensacavam e jogavam no rio, com pedras. Isso era feito lá mesmo, nos locais onde eram encontrados."


Malhães, hoje com 76 anos, foi uma importante peça na engrenagem do CIE, dedicado à informação e à repressão nos anos da ditadura. Ele fazia parte do núcleo mais duro da instituição e foi um dos responsáveis pela Casa da Morte, em Petrópolis - o maior centro de tortura e desaparecimento de presos políticos do País entre 1971 e 1973.


Para Damous, que também preside a Comissão Nacional de Direitos Humanas da OAB, ainda não é possível dizer o quanto são verídicas as informações do coronel. "Quem tem que vir a público agora são as autoridades, o ministro da Defesa, os comandantes das Forças Armadas. O País precisa de uma palavra de uma palavra oficial do Estado sobre esses fatos", afirmou. "Se não fizerem isso, nunca saberemos a verdade. Não dá mais para conviver com essa omissão do Estado brasileiro. As autoridades militares têm que confirmar ou desmentir o relato do coronel, que afirma ter executado a operação a mando das Forças Armadas."


Fonte: O Estado de S.Paulo

Contraf-CUT obtém reunião com BB sobre condições de trabalho no SAC

Após contato da Contraf-CUT, através do coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, William Mendes, com a direção do BB, ficou marcada com a Diref uma mesa de discussão emergencial entre o Sindicato dos Bancários de São Paulo e o banco para o dia 1º de abril para tratar dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC).

Essa agenda é fruto da forte mobilização no setor e é uma importante vitória para os trabalhadores do BB, pois serve de exemplo para todos os funcionários sobre a importância de estarem organizados junto ao seu sindicato.

O diretor do Sindicato e um dos responsáveis pelo setor, João Fukunaga, afirmou que serão levadas para a direção do BB as demandas dos funcionários sobre as péssimas condições de trabalho a que estão submetidos atualmente no SAC.

Além da sobrecarga já existente em todos os departamentos do BB, no SAC a situação foi agravada quando foi passado ao setor o gerenciamento de reclamações abertas, através do site do banco e mídias sociais, sem aumento de pessoal. Como se não bastasse, houve ainda funcionários que mudaram de função, reduzindo mais ainda o contingente de quem lida com as operações.

Vale ressaltar que o SAC foi criado pelo decreto nº 6523/2008, que regulamenta o atendimento via canal 0800 de cada empresa. "A gestão local do SAC passou a desviar o foco das reclamações via telefone para outros meios como mídias sociais, Portal do BB e site Reclame Aqui, tirando dezenas de assistentes do atendimento das demandas regulamentadas (0800). Agora está todo mundo no maior sufoco fazendo o triplo de operações que faziam antes", critica William, que também é secretário de formação da Contraf-CUT.

A Contraf-CUT e o Sindicato esperam que a direção do banco encontre soluções para que o atendimento no SAC volte a ter uma dotação de funcionários adequada, conforme havia sido dimensionado para o atendimento de reclamações pelo sistema regulamento em lei. "E este caos com a falta de assistentes para as demandas atuais tende a piorar porque o SAC não incorporou a região Sudeste em relação às reclamações de internet, o que vai agravar mais ainda a situação já absurda", finaliza William.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo

CUT quer ratificação das convenções internacionais contra discriminação

No mês do Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, celebrado nesta sexta-feira (21), o ministro das relações exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, agradeceu o protagonismo da CUT nas ações de enfrentamento à discriminação.

O ofício foi enviado para a Central após troca de correspondência entre o presidente da CUT, Vagner Freitas, e o ministro, onde o presidente manifesta apoio à adesão do País à "Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância" e à "Convenção Interamericana Contra Toda Forma de Discriminação e Intolerância" e pede sua ratificação no Congresso Nacional. Os documentos só tem validade na Organização dos Estados Americanos (OEA) após a ratificação após a ratificação dos países membros.


Em carta ao ministro, Vagner lembra que, "ao assinar essas duas Convenções, o Estado Brasileiro reafirma seu respeito e compromisso com a superação do racismo, da xenofobia e todas as formas de discriminação e intolerância. Só assim o povo pode exercer plenamente os seus direitos como construtores e construtoras históricos do país.".


A secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Maria Julia Reis Nogueira também destaca a importância dos documentos. "São políticas de enfrentamento à desigualdade, à discriminação em geral, à violência simbólica exercida cotidianamente contra os negros e negras. E tudo em âmbito internacional, estruturando ações interligadas em defesa dos Direitos Humanos", destaca.


Década dos afrodescendentes

Segundo a dirigente, a pauta de enfrentamento ao racismo vem tomando espaço na sociedade internacional. Os relatórios de Doudou Diène, relator especial das Nações Unidas sobre as Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância, indicam a preocupação da Organização das Nações Unidas (ONU) com a questão. "Os avanços são muitos, mas ainda há muito a avançar", complementa.


Os documentos para os quais a CUT pede a ratificação pelo Brasil se somam às Conferências Internacionais contra o Racismo (Durban) e à Década Internacional dos Afrodescendentes, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 2013. O decênio tem início em 2015, ano destinado a discutir internacionalmente a questão racial.


Nesta sexta, Maria Júlia se reúne, com outros movimentos sociais, com o Ministério das Relações Exteriores, com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e com a ONU para discutir ações conjuntas na América Latina no período de 2015 a 2024.


"Queremos, neste seminário, pensar conjuntamente uma forma de combate ao racismo em todo o mundo. Os relatos dos diferentes países da América presentes constatam que, infelizmente, a desigualdade tendo a cor da pele como motivação acontece não apenas no Brasil, mas em todo o planeta.", afirma. "Estratégias conjuntas tem maior sucesso".


"A década dos afrodescendentes tem importância para o mundo todo, com ações fundamentais para estimular a discussão de políticas públicas que ajudem a construir um mundo igualitário.", lembra a secretária. As organizações pretendem incluir o tema em discussões oficiais de organismos internacionais como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o Mercosul.


Copa e racismo internacional

Recentemente, fatos racistas por todo o mundo se espalharam pela imprensa. Os incidentes abarcam desde a ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, e a ministra de Integração da Itália, Cécile Kyenge; até jogadores e árbitros de futebol. "O Estado tem obrigação de prevenir e punir casos de racismo", afirma Júlia.


A presidenta Dilma, em reunião com o movimento negro, decidiu colocar a questão do racismo como central na Copa do Mundo, em junho. A mandatária pediu mensagens de grandes lideranças religiosas mundiais para manifestar aversão ao preconceito.


Para Maria Júlia, essa é uma iniciativa importante, principalmente pelo número de pessoas que virão ao Brasil e a transmissão internacional do evento. A ação pode significar uma internacionalização ainda maior da luta de negros e negras contra a discriminação. "É interessante lembrar da campanha brasileira que acontecerá em junho. É uma época em que o mundo inteiro estará voltado para a Copa no Brasil", lembra.


Para a dirigente, os desafios no País são vários, como a equiparação salarial, os programas de cotas em serviços públicos e Universidades, o ensino de história e cultura brasileira nas escolas (Lei 10.639/03). "No Brasil, nós não somos minoria. Somos maioria, e essa maioria não se expressa quando analisamos a proporção de negros e brancos nas profissões mais abastadas, nos cargos públicos, nas melhores faixas salariais. É sabido que os negros recebem salários menores, mesmo quando tem a mesma formação que os brancos. São discussões e ações urgentes para o Brasil".


Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial

O Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial foi instituído em homenagem às 69 pessoas mortas e 186 feridas no dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul. Uma manifestação de negros foi cruelmente massacrada pelo exército do Apartheid, sendo o episódio conhecido internacionalmente como Massacre de Shaperville (nome do bairro da capital).


Fonte: Henri Chevalier - CUT

segunda-feira, 24 de março de 2014

Filha de Rubens Paiva se emociona ao ouvir discurso inédito do pai

http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=37774

Justiça obriga Santander a reintegrar demitidos em massa na Paraíba

Nesta sexta-feira, dia 21 de março, foram reintegrados os 10 funcionários demitidos pelo Santander em dezembro de 2012: Paula Cristina Malheiros Feliciano, Vamberto de Lima Oliveira; Bival Pinto da Cunha, Genilda Vidal de Lima, Erivaldo Xavier de Lima, Simone Cabral Teixeira de Carvalho, Gerson Pinheiro da Costa, Sandra Dias Fontes de Carvalho, Gizelia Vieira de Lima e Ana Carolina Bezerra.

Na brilhante decisão, a Justiça do Trabalho proibiu o banco espanhol de realizar novas demissões coletivas, sob pena de multa de R$ 10 mil por funcionário dispensado.


Em dezembro de 2012, o Sindicato dos Bancários da Paraíba entrou com uma ação para reintegrar os funcionários demitidos e barrar as dispensas que vinham ocorrendo naquela época. A Justiça acatou o voto do relator do processo, que foi seguido pela maioria dos membros do Tribunal Regional do Trabalho.


Em seu voto, o desembargador Paulo Maia Filho destacou que a matéria era de interesse coletivo, afirmando que o Santander descumpriu as normas constitucionais de proteção ao emprego, pois não poderia ter demitido em massa sem prévia negociação com o sindicato da categoria profissional.


Para Marcos Henriques, presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, essa decisão corrigiu a arbitrariedade do Santander em demitir quase cinco mil funcionários em todo o País, praticamente nas vésperas do Natal de 2012, sem sequer negociar com os sindicatos.


"O banco estrangeiro tem que acatar a legislação vigente no país em que atua e deve ser punido exemplarmente quando desrespeitar o direito dos seus funcionários", ressaltou.


O diretor responsável pelo Jurídico do Sindicato, Jurandi Pereira, ressaltou que essa vitória do Sindicato fortalece ainda mais a categoria bancária na Paraíba e no país. "A decisão do TRT da 13ª Região agora é referência jurisprudencial para outras entidades sindicais no combate à ilegalidade cometida pelo Santander aqui no Brasil", concluiu.


Fonte: Seeb Paraíba

Plebiscito popular que pretende mudar sistema político ganha força

Cresce em todo o Brasil e ganha força nas ruas a construção do plebiscito popular pela reforma política. Organizado por diversas entidades e movimentos sociais, o Plebiscito por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político será realizado em setembro. 

Um dos principais objetivos da campanha é debater um dos temas centrais que surgiram nas mobilizações de rua que agitaram o país em junho do ano passado.


Segundo Paola Estrada, da Secretaria Operativa do Plebiscito Popular pela Reforma Política, a proposta pretende mudar a composição dos espaços de representatividade da população.


"Mais de 70% do Congresso é representado por empresários, empresários da saúde, da educação. E olha que a maioria da população é composta por trabalhadores; 51% da população é composta por mulheres e o Congresso tem menos de 10% de mulheres; e assim por diante. A gente olha para esse Congresso e vê que ele realmente não representa a população brasileira e principalmente os trabalhadores brasileiros."


Em todos os estados foram constituídos comitês de campanha, que agora começam se multiplicar por cidades, bairros, escolas e universidades. Paola destaca que mais do que incidir na questão eleitoral, a reforma pretende mudar as regras do sistema político.


"Por exemplo, a bandeira da Reforma Agrária que não consegue sair por causa do tamanho da bancada ruralista dentro do Congresso que sempre barra qualquer avanço possível para enfrentar o problema agrário no Brasil, diversas bandeiras históricas do movimento feminista que dentro do Congresso Nacional as bancadas religiosas principalmente mais conservadoras sempre barram o avanço de pautas."


O Plebiscito é uma consulta na qual os cidadãos votam para aprovar ou não uma questão, sendo uma oportunidade para que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política. Segundo as leis brasileiras, somente o Congresso Nacional pode convocar um Plebiscito.


Uma das expectativas do movimento é superar a votação do Plebiscito da ALCA, que em 2003 teve a participação de pelo menos 13 milhões de pessoas que disseram "não" a tentativa de implantação da Área de Livre Comércio das Américas.


A consulta popular acontecerá entre os dias 1º e 7 de setembro de 2014. A população em todo o país deverá responder a uma única pergunta: "Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?"


A campanha do plebiscito popular pela reforma do sistema político disponibiliza outras informações em uma página na internet .


Fonte: Leonardo Ferreira - Radioagência / Brasil de Fato

Luta contra preconceito deve se traduzir em ações concretas, diz ministro

O ministro da Educação, Henrique Paim, disse nesta sexta-feira (21), Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, que é preciso traduzir todo o embate contra o preconceito em ações concretas.

"Precisamos, a partir da educação infantil, começar nossa verdadeira saga contra a discriminação racial e a valorização da África no Brasil", disse. "A educação é um instrumento de formação social importante. O único que vai fazer com que tenhamos redenção. Ela é libertadora, especialmente para nós, afro-brasileiros", defendeu o ministro durante o lançamento de materiais pedagógicos sobre história e cultura africana.

Para ele, o lançamento do material representa um grande legado para o Brasil. Ao todo, 32 mil escolas vão receber as publicações, feitas em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

O representante da Unesco no Brasil, Lucien Muñoz, lembrou que a discriminação racial assume diversas formas, mas que cada uma delas representa uma afronta aos direitos humanos e à dignidade. Para ele, a ampla circulação de informação estimula uma melhor aproximação de culturas, o respeito mútuo e o desenvolvimento de uma cultura de paz.

"Contribuir para a redução da discriminação racial no mundo e no Brasil produzindo conhecimento sobre a África e os afro-brasileiros tem sido um esforço que vem sendo desenvolvido nos últimos anos pela Unesco em estreita parceria com o MEC e a Universidade Federal de São Carlos."

O secretário-executivo da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Giovanni Harvey, elogiou a parceria e cobrou que mais órgãos do governo federal se comprometam com o combate à discriminação racial e ao preconceito.

"Teremos um novo patamar quando a sociedade brasileira e os órgãos assumirem para si essa responsabilidade. Esse exemplo vai abrir caminho para que outros gestores públicos possam fazer o que o MEC está fazendo", destacou.

A publicação Síntese da Coleção História Geral da África, dividida em dois volumes, pretende fornecer subsídios para pesquisadores e estudantes e para a prática pedagógica de professores da educação básica, com o objetivo de ampliar conhecimentos sobre a história e a cultura africana.

Já o livro História e Cultura Africana e Afro-Brasileira na Educação Infantil vai disponibilizar conteúdos para a formação e o conhecimento sobre a riqueza, as diferenças e a diversidade da história e da cultura africana e suas influências na história e na cultura do povo brasileiro.

De acordo com a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Macaé Maria Evaristo, o material abre caminho para a implementação da Lei n° 10.639 de 2003, que determina a inclusão de conteúdos sobre a história da cultura afro-brasileira e africana na educação básica.

"Estamos começando com um material específico para a educação infantil, mas vamos também entregar materiais para o ensino fundamental e o ensino médio", disse. "É importante avançar nessas pautas dentro das escolas", completou.

O embaixador da República do Zimbábue no Brasil, Thomas Bvuma, também elogiou o lançamento do material didático e lembrou que utilizar a educação como ferramenta para eliminar a discriminação racial permite ampliar o conhecimento e elevar a autoestima de quem sofre preconceito.

"Enquanto o mundo continuar a ter a pobreza ligada à cor e enquanto não houver educação multicultural universal, vamos continuar celebrando o Dia Nacional pela Eliminação da Discriminação Racial", destacou.


Fonte: Agência Brasil

Artigo de Andrea Vasconcelos: Vamos "exorcizar" o monstro do racismo

O racismo se constituiu ao longo da história e até os dias atuais como um dos elementos estruturantes das desigualdades sociais no planeta. Sua pior manifestação é a noção de superioridade e inferioridade entre os seres humanos, expresso num universo de atitudes, valores, temores e um ódio peculiar contra uma parte da humanidade a partir de seu fenótipo.

Contudo, dirigentes sindicais, ativistas e militantes não têm medido esforços para eliminar todas as formas de manifestação do racismo na sociedade, apontando caminhos rumo às ações afirmativas, cuja principal missão é corrigir distorções entre brancos e negros.


A categoria bancária protagonizou em sua última conferência nacional, em 2013, a aprovação da reivindicação que trata da contratação de 20% de negros/as no setor financeiro, com vistas a alcançar a igualdade. Essa iniciativa, que ocorreu inclusive antes da apresentação pela Presidência da República do PL nº 6.738/2013 de reserva de vagas de negros em concursos públicos, revela o pioneirismo e a maturidade da categoria com o tema.


Porém, os desafios permanecem e exigem muita ação sindical em 2014, pois teremos que "convencer" os banqueiros a convencionar nossa reivindicação, como exemplo concreto de compromisso e responsabilidade social com o povo brasileiro e, especialmente com a população negra, ainda marginalizada e segregada no mercado de trabalho. Portanto, vamos "exorcizar" o mostro do racismo na categoria, garantindo presença igualitária no setor financeiro.


Ações afirmativas para promover a igualdade no mercado de trabalho

A reserva de vagas para negros em concursos públicos (PL 6.738/2013) é uma iniciativa fundamental para corrigir as distorções raciais no mundo do trabalho, especialmente na composição dos cargos públicos "supostamente" neutros. O PL é uma medida efetiva para alterar o panorama desigual no serviço público, além de ser considerado em conjunto com a Lei de Cotas nº 12.177/2012 uma das ações afirmativas mais importantes no governo federal.


A aprovação do PL no Congresso abrirá um precedente positivo para sua extensão para o setor privado. Logo, bancários e categorias organizadas na CUT e nas demais centrais sindicais, em conjunto com o movimento negro e movimentos sociais, terão que acompanhar, pressionar e cobrar a sua imediata aprovação.


A presença, por exemplo, de mulheres negras no setor público é de somente 7,5% em nível federal. Esse espaço é ocupado por ampla maioria de homens brancos que, por sua vez, recebem melhores remunerações.


Para a população negra, o acesso ao mercado de trabalho é pressuposto para enfrentar a pobreza e a privação de recursos. Entretanto, a taxa de desemprego é mais elevada para as mulheres negras (12,5%), sendo que estas estão em maioria no trabalho doméstico, muitas sem registro em carteira de trabalho.


Na categoria, a participação das mulheres negras não é diferente. Pesquisa realizada pelo Sindicato dos Bancários de Piracicaba, que entrevistou 1.342 trabalhadores/as, revelou que deste universo somente 2,74% são mulheres negras contra 91,79% de mulheres brancas. 

Logo, é urgente corrigir essas distorções.

Educação não racista

Persistem as desigualdades quando comparamos negros e brancos. No quesito médio de anos de estudos, as distorções são de 7,1 anos entre 1992 e 2012. E, mesmo quando o dado está equalizado, a população negra segue em desvantagem. Trabalhadores com 12 anos de estudo têm rendimento médio equivalente a 66% daquele auferido por homens brancos, com a mesma escolaridade.


Dados da PNAD de 2012 revelam que as mulheres negras têm rendimentos de 40% do rendimento dos homens brancos. A explicação vem da segregação racial nos papéis relativos às carreiras, posição na ocupação, setor de atividade e nível hierárquico que colocam negros/as nos lugares de menor valorização do trabalho.


Na categoria bancária foi detectado que 48,48% das vagas do setor são ocupadas por mulheres (RAIS, 2010). Mas, a participação das mulheres negras não chega ao percentual de 10% incluindo bancos públicos e privados.


No tocando à educação, o I Censo da Diversidade revelou que as mulheres com o mesmo nível de escolaridade ganham menos que os homens e, conforme aumenta a formação (mestrado e doutorado), as desigualdades são uma afronta, chegando a mais de 50%.


Está na hora de transformar essa dura realidade, eliminar a discriminação racial e garantir oportunidade de oportunidades.


Andrea Vasconcelos
Secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT


Fonte: Contraf-CUT