quinta-feira, 4 de abril de 2013

Santander enrola e Fórum de Saúde e Condições de Trabalho não avança

Terminou sem avanços nesta quarta-feira (3) a retomada do Fórum de Saúde e Condições de Trabalho do Santander, em São Paulo. Os representantes do banco enrolaram mais uma vez e não atenderam as demandas encaminhadas pela Contraf-CUT, federações e sindicatos para garantir um ambiente saudável de trabalho e evitar o adoecimento de trabalhadores.
"Saímos da reunião com mais pendências do que entramos porque o banco não trouxe soluções para os problemas de saúde e travou a construção de alternativas", avaliou o funcionário do Santander e secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr. "Esse novo descaso empurra cada vez mais os bancários para a mobilização".

Fim das metas abusivas
Para o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Marcelo Gonçalves, uma dos principais reivindicações discutidas foi o fim das metas abusivas que são impostas aos funcionários.

"Reivindicamos mudança de paradigma, com a participação dos funcionários na definição das metas. Consideramos essa medida essencial para combater o assédio moral e o adoecimento de trabalhadores em função dessa pressão diária", frisou Marcelo. Mas o banco não aceitou a proposta dos bancários.

Programa de Reabilitação Profissional
Os dirigentes sindicais reivindicaram a instalação na segunda quinzena de abril de um grupo de trabalho para discutir a implantação de um programa de reabilitação profissional, previsto desde 2009 na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários.

"Precisamos retirar esse programa do papel antes que vire letra-morta", desafiou Ademir. O banco reconheceu "que está em débito", mas se limitou a dizer que no prazo de até 60 dias vai estudar uma proposta de encaminhamento.

Pesquisa de saúde e condições de trabalho
O Santander negou também a proposta das entidades sindicais de fazer uma pesquisa acerca da saúde e das condições de trabalho dos funcionários em todo o país. Nem mesmo as recomendações da OCDE sobre a necessidade de "realização conjunta de consultas e cooperação" e "o acesso a informações necessárias para negociações significativas sobre as condições de trabalho" sensibilizaram o banco.

Para Ademir, o chamado "banco do juntos" é apenas uma jogada de marketing, pois o movimento sindical não tem acesso aos dados sobre a saúde dos funcionários. "Queremos conhecer a realidade, a fim de construir propostas para transformá-la e melhorar a vida das pessoas".

"A situação era diferente nos bancos adquiridos", lembrou a diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Vera Marchioni, citando uma pesquisa feita pela Fundacentro no Banespa e outra do Observatório Social no Banco Real.

Cipa e participação dos sindicatos na Sipat
O Santander ainda se negou a formar um grupo de trabalho para discutir o funcionamento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas) nos locais de trabalho. "O banco trata com descaso a maioria das demandas encaminhadas pelos cipeiros que, muitas vezes, nem sequer têm resposta do banco para os problemas. A Cipa é um instrumento fundamental para melhorar as condições no ambiente de trabalho e para prevenir o surgimento de doenças ocupacionais entre os empregados", apontou Marcelo.

"Observamos que o banco trata a Cipa como uma questão burocrática e não quer debater avanços com o movimento sindical. Nem mesmo a tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, onde morreram 241 jovens, sensibiliza o banco para discutir como melhorar a prevenção de incêndios, bem como evitar acidentes de trabalho", ressaltou Ademir.

Além disso, o Santander se recusou a discutir com os dirigentes sindicais a organização e o conteúdo da programação da Semana Interna de Prevenção de Acidentes (Sipat). O banco se limitou a dizer que efetuará uma comunicação prévia de 30 dias aos sindicatos, informando data, local e eventos programados.

Procedimentos sobre assaltos, sequestros e extorsões
Os dirigentes sindicais cobraram atendimento médico e psicológico às vítimas de assaltos, sequestros e extorsões, bem como às suas famílias, além da emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e do fechamento do estabelecimento no dia da ocorrência, o que muitas vezes só ocorre depois da pressão de sindicatos.

O banco disse que tem acionado as áreas envolvidas, buscando garantir atendimento às vítimas, mas que a CAT só tem sido emitida após avaliação médica. "Queremos CAT para todos os que presenciaram assaltos e foram sequestrados, bem como a entrega de cópia do boletim de ocorrência (BO) para as vítimas", reiterou Ademir, que é o coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf-CUT

Plano de saúde aos aposentados
Os representantes do banco anunciaram que farão uma reunião específica para discutir a manutenção do plano de saúde dos aposentados, a partir da nova regulamentação da ANS (Agência Nacional de Saúde). As entidades sindicais defenderam a permanência dos planos das mesmas condições vigentes quando na ativa.

Exame demissional
Os dirigentes sindicais reivindicaram a reintegração de funcionários demitidos, cujos exames demissionais apontam a condição de "inapto", a exemplo de um trabalhador de Cuiabá. O banco respondeu que "em tese" essas dispensas são revertidas.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Contraf-CUT retoma Fórum de Saúde com Santander nesta quarta

A Contraf-CUT, federações e sindicatos retomam nesta quarta-feira (3), às 14h, o Fórum de Saúde e Condições de Trabalho do Santander. A reunião será a primeira em 2013 e ocorre na Torre Santander, em São Paulo.
O Fórum está previsto na cláusula 24ª do Acordo Coletivo de Trabalho 2012/2014 do Santander, aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com a finalidade de "estudo, discussão e proposta de sugestões de políticas, programas, projetos e ações de saúde, condições de trabalho e prevenção de sinistros, entre os representantes da Administração do Santander, de entidades de representação e órgãos técnicos, independente das discussões das mesas temáticas realizadas na Fenaban".

Uma pauta de reivindicações dos trabalhadores já foi enviada para os representantes do banco.

A lista de demandas inclui pendências de reuniões anteriores e novas propostas, destacando-se o fim das metas abusivas, a manutenção dos convênios médicos e odontológicos para os aposentados, a participação dos sindicatos na elaboração da programação da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat), a realização de uma pesquisa de saúde e condições de trabalho, o acesso a informações e estatísticas de saúde e condições de trabalho, a instalação de grupos de trabalho para a discussão do programa de reabilitação profissional e o aprimoramento e correto funcionamento das Cipas, e a apresentação dos procedimentos do banco em casos de assaltos, sequestros e extorsões.

Reunião da COE do Santander
Antes do Fórum, no mesmo dia, a Contraf-CUT realiza, às 10h, uma reunião da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, na sede da entidade (Rua Líbero Badaró, 158 - 1º andar), no centro da capital paulista. O objetivo da reunião é preparar os debates com o banco.


Fonte: Contraf-CUT

Bancários de São Paulo denunciam tarifas altas e demissões no HSBC

Os bancários do HSBC mais uma vez foram às ruas em são Paulo protestar contra demissões e outras medidas unilaterais do banco inglês que prejudicam os funcionários e tornam a empresa uma das piores do setor financeiro para trabalhar.

"Em apenas uma semana de março, o banco mandou embora 40 funcionários. Por outro lado, o HSBC está entre as instituições financeiras com as tarifas mais altas do setor", criticou a diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Liliane Fiúza, durante ato nesta terça-feira 2, em frente ao Centro Administrativo São Paulo (Casp), concentração do banco na zona oeste.

A dirigente se referia a levantamento recente, baseado em dados do Banco Central, que mostrou que de 30 tipos de tarifas - comuns aos seis maiores bancos que atuam no país -, o HSBC cobrava mais por 16 delas. Liderava, portanto, o ranking de tarifas altas, seguido pelo Bradesco, que cobrava mais por 10 serviços.

Protesto

O ato desta terça faz parte de uma série de manifestações realizadas pelo Sindicato.

Aos funcionários do Casp, os dirigentes distribuíram o Xangai, jornal do Sindicato direcionado aos trabalhadores do HSBC. Além das demissões, a publicação denuncia a PLR e PPR menores pagos aos bancários, apesar do crescimento de 9,6% do lucro da instituição em 2012, que chegou a R$ 1,225 bilhão.

O jornal denuncia ainda as novas regras do plano de saúde. Segundo informativo do banco, que circulou no dia 8 de janeiro, os bancários não contribuirão mais para o plano de saúde.

"O problema é que se o trabalhador não contribui para o plano, ao ser demitido não tem direito a mantê-lo por seis meses a dois anos, como prevê a lei 9.656/98. Se o empregado tem muitos anos de banco, ele pode até conseguir na Justiça o direito de manter o plano, por já ter contribuído por muito tempo, mas de qualquer forma vai ter de recorrer para garantir esse direito. Não é justo e vamos continuar protestando", avisou Liliane.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo

Enquanto reduz custos, BB vai reunir gestores para cobrar metas abusivas

A direção do Banco do Brasil está se superando a cada semana em mostrar incompetência na gestão do maior banco do país. Apesar das inúmeras denúncias no Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, Dest (Ministério da Fazenda), Secretaria da Presidência da República, Congresso Nacional e das dezenas de ações trabalhistas espalhadas pelo país, o BB cria sempre um fato negativo novo.

Depois de dispensar dezenas e dezenas de vigilantes colocando em risco a vida dos trabalhadores e clientes do BB, depois de cortar viagens necessárias de trabalho como, por exemplo, dos fiscais de operações, depois de mandar seus administradores assediarem o conjunto do funcionalismo mandando trabalhadores utilizarem sem diálogo e bom senso folgas adquiridas em trabalhos extras ao banco ou à Justiça Eleitoral, agora chegou a hora de gastar uma fortuna para cobrar metas dos administradores.

"Não se esqueça de levar sua camiseta amarela!"


A convocação paulista é para todos os administradores se encontrarem nesta quinta e sexta-feira, dias 4 e 5, no WTC Center, em São Paulo, para o "esquenta das torcidas". Trata-se do quarto e quinto dia útil do mês, sobrecarregando os funcionários que ficam nas agências e prejudicando o atendimento dos clientes.

Depois de "economizar" alguns trocados assediando, desrespeitando o corpo funcional com a implantação de um plano de funções que reduz direitos e mandando bancários ficarem em casa sem diálogo, agora o BB realiza grandes eventos para "levar muita energia e mostrar UNICIDADE do TIME...", conforme a convocação da superintendência de São Paulo.

"É impressionante o que o funcionalismo tem vivido com esta direção do banco. Temos gestores que não pensam um segundo na perenidade e no papel do Banco do Brasil como empresa pública e agente do Governo Federal. Os caras querem se cacifar para irem para o mercado concorrente e os passivos que eles estão criando ficarão para o governo e para a sociedade", critica William Mendes, secretário de formação da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

No Nordeste, o encontro de administradores será na próxima segunda-feira, dia 8, e o banco gastará mais um montão de dinheiro para cobrar metas e ver quem fica e quem não fica como gerente no banco.
"Os bancários do BB devem se organizar e preparar a luta junto com suas entidades sindicais, pois sempre coube ao funcionalismo salvar a empresa de gestões temerárias e inconsequentes que já passaram pelo banco", afirma o dirigente sindical.

"Essa má gestão do BB precisa de uma intervenção do Governo Federal. Não dá para continuar como está. A insatisfação do funcionalismo e das entidades sindicais com o desrespeito e a truculência da área de gestão de pessoas do banco vai acabar levando os trabalhadores à greve", alerta William.


Fonte: Contraf-CUT

Militares que resistiram ao golpe de 1964 relembram perseguição

Rede Brasil AtualEsquecidas durante décadas, as histórias de militares vítimas da ditadura (1964-1985) finalmente começam a aflorar. Seja pelas mãos da Comissão Nacional da Verdade, seja pela mobilização dos integrantes das Forças Armadas cassados pelo regime, um dos lados esquecidos dos anos de chumbo ganha rosto e forma.

Ao longo do governo autoritário, oficialmente, 

estima-se que tenham morrido 357 pessoas, mas familiares de vítimas afirmam que esse número chega a 426, e que pode aumentar em decorrência das investigações da Comissão da Verdade (CNV), instituída em maio de 2012.

Nesse balanço, falta contabilizar opositores presos, torturados e aqueles que foram obrigados a se exilar. Essa história, porém, não estará completa se não registrar membros das Forças Armadas que resistiram ao golpe e se recusaram a obedecer ordens de seus superiores. Considerados subversivos, foram demitidos e, em alguns casos, perseguidos.


Com a finalidade de apurar denúncias, a Comissão da Verdade criou o Grupo de Trabalho Perseguição a Militares. A equipe foi criada em outubro de 2012, após a tomada de depoimento do brigadeiro da Aeronáutica Rui Moreira Lima, preso três vezes durante o regime. O grupo, liderado pelo pesquisador Cláudio Fonteles, prepara um trabalho grande sobre o tema, que será apresentado em abril.


Enquanto isso não ocorre, sobram histórias de militares que, assumindo uma postura totalmente contrária à dos golpistas de 1964, não se sujeitaram ao descumprimento da legalidade, às torturas e às mortes. No ano passado, a Rede Brasil Atual (RBA) recordou, no aniversário da derrubada do presidente constitucional João Goulart, a herança viva do regime, em uma série de reportagens que seguem atuais (sugere-se a leitura no box abaixo). Agora, aproveita a ocasião para dar voz àqueles que, depois de 49 anos, relembram o preço que tiveram de pagar por não aderir ao golpe. Nos próximos dias, serão cinco histórias. A começar pela de Paulo Henrique Ferro Costa, o homem "de sorte" que viu a "face da morte" e escapou.


Um homem de sorte

"Eu posso dizer que eu vi a face da morte. Aquela sala escura... Naquelas paredes, estava impregnado o grito de sangue de todos os torturados. E eu vi a face da morte ali. Eu me preparei para morrer. É horrível você morrer quando a natureza não programou aquele dia pra você". Assim prossegue o relato de Paulo Henrique Ferro Costa (foto), um dos membros da Marinha brasileira que resistiu ao golpe. Hoje aposentado, recebe a reportagem da RBA em sua casa em Niterói, rodeado por documentos. Solícito, tem a fala tranquila, com uma voz quase inaudível, sorrindo timidamente enquanto fala.


Conta, com riqueza de detalhes, diversos momentos de sua vida até que, por um instante, seus olhos azuis se desviam. Ele olha para frente, e a parede de sua sala parece levá-lo para as dependências do quartel da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, zona norte do Rio de Janeiro. Ali ele esteve durante sua última prisão, no mês de maio de 1970 - a mais dura, conta.


"Vivia com uma menina que se envolveu na luta armada. Eu não aprovava. Eles iam prendê-la. Em um golpe de sorte, ela conseguiu escapar. E eles me prenderam na suposição de que eu soubesse onde ela estava. Eles me torturaram barbaramente", conta. "Ela conseguiu escapar. Felizmente", conclui, aliviado.


Natural de Belém do Pará, Ferro Costa havia terminado a Escola Naval em 1961 e era segundo-tenente em 1964. Não concordava com o golpe, nem com a ditadura. Afirma ter entrado na Marinha por convicção "de luta contra o fascismo", com intuito de ajudar o Brasil e também de ter uma boa profissão. "Eu não entrei para dar golpe", diz.


Ferro Costa estava fazendo uma viagem de férias entre 31 de março e 1° de abril. A Marinha convocou a ele e outros que não haviam se apresentado imediatamente após o golpe. Ele conta que exercia papel de liderança junto aos marinheiros à época e tinha esperanças de uma possível resistência tanto por parte do presidente João Goulart, quanto de dentro das próprias Forças Armadas. "Dentro da Marinha, tivemos controle total. A esquadra toda estava nas nossas mãos, dos legalistas. Mesmo a cúpula militar sendo golpista, os navios não podiam sair porque os marinheiros não deixavam. Os oficiais que estavam no gabinete davam as ordens e a gente tinha o controle total, absoluto. O que aconteceu foi que o Jango não quis o enfrentamento. Ficou com receio de que essas coisas tivessem desdobramento", afirma.


Em 12 de abril de 1964, foi levado ao Princesa Leopoldina, um transatlântico que manteve presos oficiais da Marinha, da Aeronáutica e do Exército. "Antes fui à casa de alguns colegas. Disse 'você sabe que estou me apresentando, se acontecer alguma coisa comigo, você sabe onde foi, quem foi'". Era a primeira vez que ele entrava em um transatlântico. "As condições do navio eram suportáveis. A tortura eu não tive nos primeiros anos. Eu tive conhecimento dela em toda sua extensão no quartel da Barão de Mesquita."


O próximo ato foi sua demissão da Marinha, em 19 de agosto. "Fui considerado morto, então, não tinha certidão de serviço militar. O decreto, inclusive, me considera morto", diz, mostrando uma cópia do decreto expedido pelo Ministério da Marinha.


Foi preso novamente em 1965 e então condenado a cumprir 730 dias de prisão. Como já tinha ficado 257 dias na cadeia - 14 a mais do que o equivalente a um terço de sua pena -, foi solto. "Foi montado um inquérito contra mim, mas eles não tinham provas. Colocaram lá um rapaz que não era da Marinha, que não tinha o curso da Escola Naval. E ele faz um depoimento contra mim, dizia que eu o havia convidado para participar de um plano de comunicação da Marinha, cujo primeiro item era a sublevação dos marinheiros e o segundo item era a chacina dos oficiais. Gravíssimo. Mas eu não o conhecia, ele montou essa história", lembra, segurando nas mãos a cópia de quatro folhas de papel pautado, com um depoimento escrito à mão, sem assinatura.


Ficou em liberdade até 1970, quando foi levado para o quartel da Barão de Mesquita, um dos maiores centros de detenção clandestina da ditadura. Foi lá onde morreu o deputado Rubens Paiva, segundo concluiu recentemente a Comissão da Verdade. Ferro Costa atribui sua sobrevivência à sorte. "Quando eu estava preso, depois de ser torturado, chamaram um oficial da comunidade de informação da Marinha. Por sorte, esse oficial tinha sido meu comandante no Colégio Naval. Ele me viu, me olhou... E eu disse: 'Olha, o curso que eu tenho é o mesmo que você tem, e eu não estudei no Colégio Naval para passar por isso'. E ele disse: 'Vou te tirar daqui'. E tirou".


Sua saída foi dramática. Ficou por mais de duas horas algemado no porta-malas de um furgão, rodando pela cidade, tentando respirar através de uma passagem de ar muito pequena. "Fiquei me desidratando. Quase desmaio ali." Depois, ficou em uma prisão no Ministério da Marinha, em uma cela de 4 palmos por 11. "Não tinha água. Sabe esses sanitários que você tem aquele deposito de água para dar descarga? É dali que você tirava água para beber."


Depois de uma semana, foi para a Base Naval da Ilha das Flores até que, mais uma vez, a sorte o favoreceu. "Minha família estava me procurando naquela angústia, porque as pessoas sumiam e ninguém sabia". Foi quando seu pai telefonou ao Dops e, por coincidência, conversou com um general com quem havia servido o Exército e que era encarregado de seu inquérito. "E ele diz pro meu pai: 'Seu filho vai sair amanhã'. Sou um homem de sorte. Estou vivo mais por sorte do que por outra coisa."


Questionado sobre sequelas físicas, ele responde que não as teve, mas conta que jamais conseguiu esquecer aquele período. "Dizem que a memória deleta a dor, mas a memória não deleta a dor da tortura. Ela permanece com a pessoa até a morte. É muito difícil você esquecer o que você passou lá."


Ferro Costa já foi chamado de comunista inúmeras vezes. Nega ter tido qualquer ligação com grupos de resistência à ditadura. "Eu tinha leituras", resume. Entre seus autores, estavam Darcy Ribeiro, Celso Furtado. Se lia Marx? "Todo mundo lia. Era uma efervescência incrível", responde. "Mas o que me influenciava mais era [Franz] Kafka, [Jean-Paulo] Sartre."


Não tão otimista em relação à Comissão da Verdade, acredita na necessidade apurar casos de prisões arbitrárias e torturas, mas principalmente de se aprofundar no contexto histórico do Brasil na década de 1960. "A Comissão da Verdade vai apurar casos emblemáticos, como o do Rubens Paiva, do Herzog. Mas e o enredo do golpe? É fundamental, que não havia possibilidade de se implantar no Brasil um regime comunista, que muita gente honesta foi perseguida."


Essa avaliação que se faz, para Ferro Costa, se deve em parte ao modo como ocorreu o fim do regime. Segundo ele, o ato se resumiu a um acordo. A anistia, em sua opinião, veio tarde.


Depois de sair de sua última prisão em 1970, exilou-se em Paris. Voltou no final dos anos 1970, quando já se discutia a anistia - nome que ele critica, preferindo usar "reparação". Fez três concursos e foi aprovado. Sua primeira opção era a Eletronorte. Seu passado fichado, no entanto, impediu que ele assumisse o cargo. Acabou indo para a Fundação Educacional, em Brasília.


"O que é mais grave é que a minha geração cristalizou essa verdade, de que os comunistas eram os verdadeiros inimigos do Brasil, e não a miséria e o atraso. Às vezes, eu vou em reunião de turma e parece que estou em uma reunião dos republicanos do Tea Party!", conclui.


Fonte: Daniella Cambaúva - Rede Brasil Atual

Artigo de Gilson Caroni: 1964 - a atualização grotesca dos nossos liberais

Gilson Caroni Filho
Agência Carta Maior

   Se estudasse a mídia brasileira como um caso sobre serial killers, o investigador diria que existe um padrão clássico de ação: primeiro vem a tentativa de imputar aos governos progressistas toda sorte de corrupção e desmando; depois a tentativa de calar a voz dos que se opõem à sua narrativa; e, finalmente, vem a excitação dos segmentos raivosos da classe média ao sabor de insanáveis pavores arcaicos que povoam o imaginário desta fração de classe, apresentando políticas inclusivas como uma ameaça fatal a seus supostos privilégios.

Ao invocar o golpe de Estado de 1964, os editorialistas receitavam o antídoto contra a guinada da subversão como pretexto para barrar o avanço social e impedir a tomada de consciência política que começava a esboçar uma linha de resistência anti-imperialista com uma nitidez nunca havida antes em nosso passado.


O resultado de duas décadas de oligarquia empresarial-militar, inaugurada com o golpe, exibiu um saldo sinistro com o que, à época, se convencionou denunciar como a pior crise econômica, política, social e moral da nossa história. O Brasil, urdido neste novo pacto, foi, por excelência, o "antipaís". Subordinados, da forma mais completa possível, toda nossa economia e o aparelho estatal foram orientados e redimensionados de maneira a afastar, abafar ou reprimir qualquer obstáculo a essa subordinação. É dessa lógica que emergiu um regime que tinha como metodologia a censura e o terrorismo de Estado, ambos sob a bênção de nossas melhores consciências liberais e seus impérios jornalísticos.

Tempos passados? Sem dúvida, mas não nos iludamos: se mudou a conjuntura, alguns objetivos continuam na agenda da direita e de seus intelectuais orgânicos, como vimos nos dois governos de Fernando Henrique Cardoso.


Sempre é bom recordar que há 28 anos, apesar do deslocamento político, a hegemonia do processo de transição encontrava-se com a mesma burguesia brasileira condutora do golpe. 

Se não era mais possível a acumulação capitalista se realizar através de uma economia planejada, centralizada e estatizante, os corifeus dessa mesma classe erigem globalização, flexibilização, desregulamentação e livre concorrência como dogmas, mas o objetivo permanece: a modernização acompanhada da internacionalização da economia e da limitação, com a judicialização da política, da democracia ao grupo organicamente ligado a interesses financistas. Para isto, existe o Instituto Millenium e seus jornalistas, acadêmicos e juristas amestrados.

Em 2013, é visível que o espartilho autoritário não consegue mais conter a pujança do corpo social. Há dez anos, há diálogo entre quem governa e os movimentos sociais que expressam anseios de liberdade, de participação e de melhoria substancial das condições de vida de grande parte da população. O que assistimos é uma ruptura com os pilares de sustentação do regime militar e dos três governos que lhe sucederam.


O que resta à grande imprensa? Sufocar financeiramente quem denuncia seu modus operandi, esboçar cenários eleitorais contando com quadros partidários sem qualquer organicidade fora de suas bases regionais, como é o caso do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do senador mineiro Aécio Neves ou da eterna linha auxiliar, Marina Silva, a neoconservadora do ecossistema político.


O desespero acentua o efeito combinado de avanço tecnológico com furor reacionário, criando campo propício à proliferação de articulistas raivosos e humoristas de boteco. A extensão do grotesco é tão acentuada que seus "bons propósitos" não enganam a mais ninguém. Estão todos na ordem do riso. E da exclusão social.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

Fonte: Agência Carta Maior

terça-feira, 2 de abril de 2013

Morte de bancário do Itaú que reclamara da pressão das metas abala colegas

   O clima é de tristeza em uma agência do Itaú localizada na zona leste de São Paulo, onde trabalhava um bancário morto na última quarta-feira 27, em casa, vítima de enfarto.

Durante o dia de quarta-feira, o diretor da Fetec-CUT/SP, Sergio Lopes, o Serginho, encontrou o trabalhador na porta da agência Shopping Aricanduva. "Estávamos em protesto contra o horário estendido em agências do Itaú. Ele pediu para entrar, pois teria a última reunião após a reestruturação das áreas de crédito a empresas. Estava chateado, abatido, teve seu cargo rebaixado e disse que não estava bem por conta da pressão por metas", relata Serginho.

A diretora do Sindicato, Marcia Basqueira, explica que recentemente a direção do Itaú anunciou a extinção e fusão das áreas de crédito a empresas Emp 1, 2, 3 e 4. As Emp 1 e 2 serão transferidas para o banco de investimentos Itaú BBA e as Emp 3 e 4 passam para o Varejo. "Esse funcionário era gerente de plataforma em uma das Emp, e seu cargo foi rebaixado para gerente em agência."

Segundo a dirigente sindical, "a reestruturação tem causado estresse aos bancários, principalmente pela falta de transparência no processo". Márcia ressalta que vários trabalhadores já foram demitidos por conta desse processo. "Dos 25 superintendentes das Emp 3 e 4, onze seriam demitidos na primeira leva. No dia 12 de março, um bancário perdeu o emprego, três foram rebaixados de cargo e um outro não aceitou o rebaixamento e optou pela aposentadoria", conta Márcia.

O Sindicato entrou em contato com o responsável pelas relações sindicais do banco para cobrar a manutenção dos empregos. "Eles disseram que não haverá demissões. Mas o próprio banco informa, segundo fontes citadas em reportagem da revista Exame, que vai demitir nesses departamentos. Onde está a verdade?", questiona Márcia.

O funcionário que faleceu foi velado na quinta-feira 28, em São Paulo. "Queremos nos reunir com representantes do banco para discutir essa reestruturação e acalmar os trabalhadores do Itaú", finaliza Márcia Basqueira.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo

Sindicato de São Paulo conta os 90 anos de história com livro, vídeo e gibi


Seeb São Paulo O produto de quase um ano do trabalho de dezenas de pessoas - entre historiadores, pesquisadores, consultores, revisores, desenhistas gráficos, funcionários e diretores do Sindicato dos Bancários de São Paulo - foi finalmente materializado e apresentado a um público de centenas de pessoas na tarde desta segunda-feira (1º), que lotou os auditórios Azul e Amarelo da sede da entidade.

O livro 90 Anos Fortalecendo a Democracia foi lançado durante a abertura oficial das comemorações pelo aniversário do Sindicato, que completa nove décadas no dia 16 de abril. O mês será repleto de eventos, entre debates, shows de música, sorteios e premiações entre bancários, festas e muito mais.


A intensa atuação dessas nove décadas foi resgatada e contada nas páginas da publicação. Coordenada pelos historiadores Paulo Fontes e Francisco Macedo e pela diretora do Sindicato, Ana Tércia Sanches, a pesquisa abordou mais intensamente os últimos 20 anos da entidade.


"Não deixamos de abordar os primeiros 70 anos dessa história, mas o livro dá mais destaque para os últimos 20 anos. Isso porque a história de 1923 até 1993 já foi contada em um primeiro livro, coordenado pelo professor Dainis Karepovs e lançado pelo Sindicato em 1994", explicou Chico Macedo, durante breve apresentação do livro às pessoas que ocupavam os auditórios, entre eles, os últimos cinco presidentes da entidade e a atual, Juvandia Moreira.


Capítulos do livro

O historiador fez um resumo da edição de 178 páginas e cerca de 500 imagens, entre fotografias, gráficos e charges. "A primeira parte aborda o período de 1923 a 1993. Intitula-se Bancários: uma longa história de lutas e conquistas e se baseou no livro anterior."


Chico prosseguiu explicando que a segunda parte vai de 1993 a 2013 e trata das grandes mudanças no sistema financeiro nacional e internacional. Esse capítulo chama-se O sistema financeiro e os trabalhadores bancários.


Sob o título Resistir, lutar e conquistar, a terceira parte trata das campanhas salariais ano a ano, a partir de 1993 até a última, de 2012. A quarta parte, intitulada Uma organização dos trabalhadores na luta pela cidadania e pela democracia, retrata a organização interna do Sindicato e suas relações com outras entidades de trabalhadores, inclusive internacionais. Por fim, um anexo aborda os processos eleitorais e as sucessivas diretorias da entidade.


Dois grandes períodos

"Em linhas gerais procuramos pensar os últimos 20 anos em dois grandes períodos: que nomeamos A era da resistência', de 1993 a 2002; e a Era da (Re)Conquista, de 2003 para cá. Essa divisão não deve nos levar a crer que na "era da resistência" não houve conquistas e nem que na "era das (re)conquistas" não houve resistência. A divisão em dois períodos procura na verdade destacar a existência de duas conjunturas bem distintas, que colocaram desafios específicos para a atuação do Sindicato", informou Chico.


O historiador acrescentou que, apesar das diferentes conjunturas (a primeira do neoliberalismo dos governos FHC e a segunda iniciada com a eleição de Lula e marcada pelo projeto político do PT), a atuação do Sindicato caracterizou-se pela continuidade. 


"Pode-se destacar como constantes a busca por formas inovadoras de organizar e mobilizar a categoria; a ampliação e diversificação da pauta de reivindicações (por PLR maior, igualdade de oportunidades, saúde e condições de trabalho etc.); e o fortalecimento das organizações dos trabalhadores em escala nacional e internacional, entre outras."

Segundo ele, esse grande repertório de ações nos últimos 20 anos pode ser sintetizado na diversificação da luta para ampliar e consolidar a cidadania e a democracia no Brasil. "E tudo isso só foi possível porque homens e mulheres, muitos presentes aqui nesse auditório e nessa mesa, engajaram-se de maneira decisiva para consolidar este Sindicato no lugar de destaque que hoje ele ocupa em nossa sociedade, na vida política do nosso país. Todos, certamente, têm muito a dizer e acrescentar a essa história de 90 anos", concluiu.


Vídeo e gibi

Outros lançamentos e publicações sobre os 90 anos marcaram a cerimônia. Todos contam essa história e há muito o que relatar.


Para facilitar o entendimento de quem chega agora na categoria ou para refrescar a memória de quem tem décadas de luta no currículo ao lado da entidade, o Sindicato também lançou o Gibi dos 90 anos e o curta-metragem Sindicato dos Bancários 90 Anos.


O filme sintetiza a trajetória da entidade e foi feito pela ViaTV. A direção-geral do vídeo ficou a cargo de Tadeu Knudsen. A história também ganha vídeos menores temáticos, como a edição sobre igualdade de oportunidade que foi ao ar no dia 14 de março.


O fundador da ViaTV, Renato Sakata, emocionou-se no discurso sobre o lançamento do vídeo. "Trabalhamos durante um ano e meio para produzir esse documentário e os curtas. Foi um prazer enorme e pessoalmente dedico esse trabalho ao Luiz Gushiken."


Por problemas de saúde, Luiz Gushiken, que presidiu o Sindicato entre 1985 a 1988, foi o único dos últimos sete ex-presidentes da entidade que não compareceu ao evento.


Participaram da cerimônia Augusto Campos (presidente de 1979 a 1985); Gilmar Carneiro (1988 a 1994); Ricardo Berzoini (1994 a 2000), atual deputado federal do PT por São Paulo; João Vaccari (2000 a 2005); e Luiz Cláudio Marcolino (2005 a 2011), hoje deputado estadual (PT).


Já o Gibi dos 90 Anos será um ótimo pretexto para os trabalhadores da categoria apresentarem sua história de luta ao lado do Sindicato para os filhos e gerações mais novas. A publicação circulará durante o mês de abril e é ilustrada pelas charges de Marcio Baraldi, cartunista que conta há 20 anos a história do Sindicato por meio da sua arte. O personagem Euriko e sua turma comandam a trajetória da categoria com muita cor e personalidade.


FB Especial

Os convidados do evento receberam a FB especial 90 anos, que sai com o nome de Vida Bancária, o veículo de comunicação do Sindicato no período retratado por essa primeira edição. A publicação circulará por agências bancárias e departamentos durante toda a semana, quando então a segunda publicação estará nas ruas.


O primeiro exemplar traz entrevista com a atual presidenta da entidade, Juvandia Moreira, uma linha do tempo sobre o período de 1923 a 1945 e também as histórias do homenageado Nelson Silva.


Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo

Santander se nega a estender abono no dia do aniversário para todos

O Santander frustrou a expectativa da Contraf-CUT, federações e sindicatos ao negar a extensão de um dia de folga no aniversário para todos os funcionários do banco em todo país. A negativa ocorreu na última quarta-feira (27), durante reunião específica sobre condições de trabalho nas agências, em São Paulo.

No Rio de Janeiro, uma superintendência regional divulgou amplamente o benefício, que pode ser inclusive usufruído na sexta ou segunda-feira, quando o dia natalício cai em fim de semana ou feriado.


O banco reconheceu que o "day off" já existe em agências e áreas administrativas, como no Rio e parte do Nordeste, mas disse que cada gestor tem autonomia para concedê-lo ou não e definir a forma de gozo. Em São Paulo, esse abono também é concedido em diversas agências.


Outros bancos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, negociaram com as entidades sindicais e concedem o abono-assiduidade de cinco dias úteis por ano para cada funcionário, uma vez que o ano possui 365 dias e o trabalhador com salário mensal só recebe o pagamento de 360 dias. Esse direito existia também no Banespa e no Meridional do Brasil, que foram adquiridos pelo Santander.


Os representantes dos trabalhadores criticaram a postura do banco espanhol. "Com essa tremenda injustiça e discriminação, o Santander está rasgando a propaganda do banco do juntos, pois o que se observa é o banco de alguns", disparou o funcionário do Santander e secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.


"Queremos respeito e igualdade de tratamento para todos, pois cada funcionário contribui para os resultados do banco", defendeu o dirigente sindical.


Fonte: Contraf-CUT

Assembleia dos movimentos sociais no FSM aponta para luta unitária

CUTFoi em clima de entusiasmo, ousadia e disposição de luta que os diversos atores internacionais convocaram a luta solidária entre os povos para dar um basta ao capitalismo, ao imperialismo e militarismo, buscando alternativas aos abusos das transnacionais, à ditadura dos meios de comunicação, ataques ao bem-estar social e ao meio-ambiente.

O vermelho das bandeiras da Tunísia que tremulavam durante os discursos deram um tom especial a assembleia no Fórum Social Mundial (FSM) que reuniu entidades dos movimentos sociais de todos os cantos do planeta.


Militantes com suas diversas crenças, cores e ideologias, lutando pela autodeterminação dos povos e por um novo mundo, sem discriminação de raça, sexo, origem, religião ou orientação sexual.


"Tivemos uma participação muito rica e propositiva neste Fórum, fazendo o enfrentamento sob os princípios históricos da CUT de autonomia e defesa imediata da classe trabalhadora e dos povos oprimidos. Destaque também para a participação massiva das entidades que compõem a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), como a Marcha Mundial de Mulheres, movimento de estudantes, CTB, Unegro, Conam", declarou Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da CUT.


Em documento aprovado durante a assembleia, os movimentos exigem que a questão do colonialismo, do racismo e as reparações sejam consideradas uma problemática transversal na mobilização internacional. É esta herança colonial que conduz ainda hoje as políticas ultra-liberais.


Inspirado pela história das lutas e no poder renovador do povo em revolta, a Assembleia dos Movimentos Sociais convocou a todos/as para desenvolver ações coordenadas a nível mundial em um dia global de mobilização marcado para outubro. 'Movimentos sociais de todo o mundo, caminhar para a unidade mundial para derrotar o sistema capitalista!', diz o documento.


Durante a atividade, os presentes realizaram um minuto de silêncio em homenagem ao grande comandante bolivariano e eterno presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que faleceu em março deste ano. Na ocasião, também homenageou-se o dirigente da Frente Popular e líder da esquerda tunisiana, Chokri Belaid, assassinado no último dia 6 de fevereiro.


Mas o destaque principal ficou pelos gestos e gritos em apoio à causa Palestina vindos de representantes de todo o mundo árabe. Uma resposta solidária ao apartheid e ao genocídio sionista.


E após cinco dias de intensos debates, atividades culturais e uma rica troca de experiências, o Fórum Social Mundial terminou com uma marcha em apoio ao povo Palestino.


O ato ocorreu na mesma data em que se lembra o 'Dia da Terra' (30 de março). Foi neste dia que em 1976 o povo palestino sofreu um brutal e covarde ataque patrocinado pelo governo israelense.


Após o anúncio de um plano para confiscar mais terras em áreas árabes para construir novas colônias e ampliar as cidades judaicas, os palestinos promoveram uma greve geral e diversas manifestações.


De forma violenta e utilizando um grande aparato militar, o governo israelense reagiu às manifestações resultando na morte de seis jovens árabes, mais de 96 feridos e 300 presos.

A partir de então, o 30 de março tornou-se um dia de reflexão e de luta pela soberania e liberdade da população palestina.


O Brasil, recentemente, foi protagonista de um histórico encontro popular em solidariedade ao povo palestino. O Fórum Social Mundial da Palestina Livre reuniu em Porto Alegre mais de sete mil pessoas de cerca de 37 países diferentes, colaborando para o fortalecimento e a construção de estratégias mais concretas e efetivas de solidariedade à Palestina.


Políticas que sejam capazes de promover mudanças na realidade atual e findem no reconhecimento da Palestina como um estado soberano e livre da ocupação estrangeira, construindo o caminho da paz definitiva na região.


Fonte: William Pedreira - CUT

Caixa muda estatuto e cria representante dos empregados no Conselho

O decreto nº 7.973, de 28.03.2013, que institui o novo estatuto da Caixa Econômica Federal, foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (1º) e, entre outras alterações, cria a figura do representante dos empregados no Conselho de Administração do banco.

Essa representação nas empresas estatais federais está prevista na lei nº 12.353, de 28 de dezembro de 2010, sancionada pelo ex-presidente Lula e posteriormente regulamentada pela presidenta Dilma.

A Contraf-CUT defende a participação dos empregados no Conselho, mas critica o modelo definido pela Caixa. "Uma eleição que eleja um representante dos trabalhadores para o Conselho é fundamental, mas não no formato em que está sendo configurada. Isso porque a Caixa restringe a participação apenas a gestores do banco, o que significa que cerca de 80% dos trabalhadores estão impossibilitados de se candidatar nas eleições", critica Jair Ferreira, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), que assessora o Contraf-CUT nas negociações com o banco.


"Sem contar que o decreto veio bastante atrasado, já que a lei que determina as eleições é de 2010 e a resolução que a regulamenta é de março de 2011", aponta.


"Embora a Caixa tivesse se comprometido, na Campanha Nacional de 2011, a dialogar com o Conselho de Administração para derrubar tal exigência, isso não aconteceu. Vamos continuar insistindo para que a decisão seja revogada, de modo a colocar fim à discriminação da participação da maior parte dos trabalhadores no processo eleitoral", ressalta Jair.


A abertura do processo de escolha se dará por edital.


Confira como ficou o novo estatuto da Caixa:

Do Conselho de Administração

Art. 16. O Conselho de Administração é o órgão de orientação geral dos negócios da CEF, responsável por definir diretrizes e objetivos empresariais e por monitorar e avaliar os resultados da CEF.

Composição

Art. 17. O Conselho de Administração será composto por sete conselheiros, como segue:

I - quatro conselheiros indicados pelo Ministro de Estado da Fazenda, dentre eles o Presidente do Conselho e seu substituto;

II - o Presidente da CEF, que não poderá assumir a Presidência do Conselho de Administração, mesmo que interinamente;

III - um conselheiro indicado pelo Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão; e

IV - um conselheiro representante dos empregados, na forma da Lei nº 12.353, de 28 de dezembro de 2010 e sua regulamentação.


Fonte: Contraf-CUT

CUT lança manifesto em defesa de um FSM autônomo, plural e representativo


CUT A agudização da crise que afeta os países centrais do capitalismo, com o agravamento do desemprego, da fome e da miserabilidade de parcelas cada vez mais amplas da população, reforça a importância dos movimentos sociais, das ONGs, das redes sociais comprometidas com o processo de transformação e das forças progressistas contarem com instrumentos de reflexão e ação para mudar a realidade. Nunca precisamos tanto do Fórum Social Mundial (FSM), da amplitude, do compromisso e da capilaridade dos movimentos que o compõem.
As contradições que originaram os movimentos de oposição ao Fórum Econômico Mundial de Davos (FEM) não só persistem, como se agravam. O FSM tem agora responsabilidade redobrada de articular e consensuar ações globais que deixem claro nossa oposição à globalização neoliberal. É inadiável a adoção de ações que barrem os abusos das transnacionais e do sistema financeiro, a retirada de direitos trabalhistas impostas por governos conservadores, apresentando propostas para a construção do outro mundo que queremos.

Com a política de socorro aos bancos e especuladores adotada por inúmeros governos, milhões de trabalhadores/as perderam empregos, moradias e o pouco que ainda restava de proteção social, sobrando apenas a pobreza gerada pelas medidas de "austeridade fiscal" em favor do sistema financeiro.

Os números da crise ecoam por si. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) contabiliza 197 milhões de desempregados no mundo em 2012. Desses, 74 milhões são jovens entre 15 e 24 anos. A fome global chega aos lares de 870 milhões de pessoas no mundo, de acordo com dados da ONU/FAO, sendo que 852 milhões estão em países em desenvolvimento. Enquanto mais de 50% da riqueza global pertence a apenas 2% da população, na outra ponta, metade das pessoas mais pobres, que somam cerca de 4 bilhões, dispõem de apenas 1% da riqueza do mundo, o equivalente a US$ 133,5 milhões.

Daí a necessidade do Fórum Social, com o arco de entidades, movimentos e indivíduos que o compõem, adotar iniciativas, com entusiasmo e ousadia, para o enfrentamento político e ideológico ao retrocesso.

Recuperar os princípios do FSM
A cada evento que o FSM realiza, temos nos defrontado com exigências e ingerências, como infelizmente ocorreu no caso da Prefeitura de Porto Alegre durante o Fórum Temático de 2013. Em troca de apoios e patrocínios, o poder público municipal tentou interferir nos conteúdos das discussões e nos convidados, chegando ao cúmulo de impor condições para incorporar atores não tradicionais ao FSM, em detrimento do campo progressista. O FSM ao organizar seus encontros e eventos precisa superar as suas contradições internas e romper com a lógica do "patrocínio". Afinal, como ensina a sabedoria popular, "Quem paga a orquestra escolhe a música!".

Fatos como esses levaram fundadores do FSM a se retirarem do Fórum Temático 2013, ocorrido na capital gaúcha, tamanhas as violações da carta de princípios em relação a autonomia do FSM em relação a governos e partidos. Não somos contrários à contribuição do setor público, no entanto, a autonomia é uma questão de princípio e precisa ser praticada.

Desprezando uma decisão coletiva, inteiramente na contramão, a Prefeitura de Porto Alegre além de não destinar nenhum recurso para o Fórum Palestina Livre, se submetendo ao poderoso "lobby" pró-ocupação dos territórios palestinos, canalizou uma enorme quantidade de recursos para o Fórum Temático de janeiro.

Ao optar pelo atropelo à histórica autonomia do evento, substituída vexatoriamente pelo vínculo político-financeiro à administração municipal, os que se acreditaram donos do FSM, pouco afeitos ao trabalho conjunto, alijaram as entidades historicamente comprometidas com o evento para a segunda divisão. Convém lembrar que "o Fórum Social Mundial é um espaço plural e diversificado, não confessional, não governamental e não partidário".

A enorme quantidade de eventos também contribui para a banalização do próprio FSM. A CUT Brasil não é uma indústria de organização de eventos. O Fórum é um dos espaços de atuação internacional da nossa Central, não o único. As mesmas organizações que FÓRUM SOCIAL MUNDIAL participaram do Fórum Temático de janeiro de 2012, da Rio+20 realizada em junho de 2012 e do Fórum em Solidariedade à Palestina em novembro de 2012 em Porto Alegre foram convocadas a participar do Fórum Temático de janeiro de 2013 e também a participar do Fórum Social Mundial da Tunísia em março de 2013.

Ou seja, em 14 meses, cinco grandes eventos internacionais. Parece-nos uma banalização da ideia do FSM. O Fórum em defesa da Palestina só foi realizado em novembro de 2012 porque a imensa maioria das organizações assim o quis, tanto aquelas que atuam na Palestina, como as que atuam em outros países.

A CUT Brasil participa do Fórum Social Mundial desde a sua fundação em 2001, sendo, juntamente com o MST, os dois primeiros movimentos sociais brasileiros a formar seu comitê organizador local. Sempre o consideramos um espaço de atuação extremamente importante para todos os movimentos e organizações que buscam construir um mundo mais justo e democrático e vamos continuar valorizando este espaço.

O problema da ausência de debate no interior do Conselho Internacional (CI) do FSM impede que se avaliem as transformações ocorridas no mundo. Numa conjuntura de crise, o Fórum deveria reafirmar seus princípios, para que não se deixe sequestrar por setores comprometidos com o "status quo", de modo a deixar tudo mais soft e light, como ocorreu no FST de 2013 em Porto Alegre. Essa condição afasta o FSM de seus objetivos, promovendo a despolitização das relações internas.

Futuro do FSM
O Fórum precisa ir além da reflexão e partir para a definição de ações consensuais, como foram as mobilizações contra a guerra do Iraque. Não é possível que não consigamos acordar ações contra os abusos das transnacionais, a lógica excludente do sistema financeiro, a imposição da militarização no lugar da diplomacia, desemprego da juventude ou em defesa de questões relativas ao meio ambiente, direitos das minorias, entre outras.

No aspecto da condução política do Fórum Social Mundial, entendemos que os problemas atuais não se resumem somente à forma, mas, sobretudo ao conteúdo. Organizações com ampla base social, com poder democrático de representação também possuem direitos no seu processo organizativo. Como compomos o coletivo de articuladores e mobilizadores do processo, é necessário que ocupemos o espaço que nos é devido em todas as estruturas de coordenação dos eventos. Quando espaços criados pelo próprio CI (Grupo de Enlace, Escritório do FSM etc.) são sabotados até deixarem de existir, indivíduos isoladamente passam a decidir. É o caos e isso é o que está ocorrendo.

"Ideólogos" do Fórum estão tentando implantar a mais perversa forma de centralização: acabar com todo coletivo de debate para que os mais "espertos", "indivíduos espontâneos", exerçam o controle sobre todas as decisões. Na prática, essa é a institucionalização de um "Comitê Central" não eleito e com imenso poder. Uma espécie de "Hydra de Lerna, monstro de nove cabeças, que, segundo a mitologia grega, era tão venenosa que matava os homens apenas com seu hálito. Se alguém chegasse perto dela enquanto estava dormindo, apenas de cheirar seu rastro, a pessoa já morria em terrível tormento".

Vale lembrar que a Hydra foi derrotada por Hércules. Conforme nossa interpretação, algumas propostas apresentadas ao futuro do FSM tentam recriar esse monstro e repetem a velha máxima de Lampedusa: "é preciso mudar para que tudo continue como está". Isto é, os mesmos sempre mandando e definindo os processos enquanto o restante permanece obedecendo e cheirando o hálito da "companheira" Hydra. Para que essa prática prevaleça é necessário desqualificar movimentos sociais pelo simples fato de serem organizados e terem direções democraticamente eleitas. Nessa concepção está embutida uma "nova teoria" , muito na moda : que "movimentos" não sejam "nem de esquerda, nem de direita".

Embora nem sempre o professem, acabam considerando os movimentos sociais "ultrapassados" e "desgastados" e que é preciso construir um FSM livre dessa influência "nefasta", na esperança de que com isso surja um movimento "limpo e saudável". Em nosso entendimento, o Fórum tem de ser aberto a todos: às redes sociais, aos movimentos espontâneos, aos movimentos sociais organizados, às ONGs etc. A vontade de construir um outro mundo, segundo os princípios do Fórum, deve ser o sustentáculo desta unidade.

Também consideramos extremamente preocupante o fato de alguns "ideólogos" apresentarem argumentos de profundo desprezo pelos movimentos sociais, como se estes não fossem também responsáveis pelas grandes mobilizações de massa que ocorreram no passado e continuam ocorrendo no mundo. As mudanças positivas que ocorreram na América Latina se devem em muito aos movimentos sociais. As elucubrações desses personagens que tanto desprezam os movimentos sociais acabam por se distanciar tanto da esquerda que passam a abraçar sofisticadas teses elitistas, bem ao gosto da direita mais reacionária. E o pior é que muitos destes ideólogos são eles mesmos parte de organizações verticais e hierarquizadas.

Queremos recuperar o papel coletivo do comitê internacional e que isso se reflita nos comitês locais e temáticos, de acordo com a carta de princípios e a cultura política do Fórum, impedindo o controle dos poderes econômico, público e de indivíduos, por mais bem intencionados que sejam.

A experiência do Grupo de Apoio e Reflexão ao processo do FSM - GRAP criado no Brasil, não é um bom exemplo. Se fosse apenas um grupo de reflexão e apoio sobre o FSM não haveria nenhum questionamento.

Para nós, porém, consciente ou inconscientemente este pequeno grupo chamado GRAP tem se apresentado como "dirigente" e "porta-voz" oficial do processo do FSM, junto à sociedade, à imprensa e aos governos.

Como seus próprios membros afirmam, trata-se de um pequeno grupo constituído por um critério de "afinidade". Ao se comportarem como direção, por que os movimentos sociais foram deselegantemente excluídos, desrespeitando a "diversidade"? Quem decidiu pela exclusão? Todos os futuros eventos do FSM serão organizados por coletivos constituídos desta maneira?

Diante de propostas que sinalizam a ruptura do pacto fundante do FSM, continuamos defendendo Fóruns bianuais, com a realização de reuniões no mesmo período do de Davos. Nos anos em que não se realizar o FSM é necessário que o CI se reúna para fazer a análise de conjuntura e consensuar o necessário contraponto ao Fórum de Davos. Somos favoráveis também a realização de Fóruns Temáticos cujas pautas sejam democraticamente debatidas, a fim de que sejam assumidas como compromisso coletivo. Assim estaremos construindo um Fórum Social Mundial de todos e de todas e para o bem da Humanidade.

Executiva Nacional da CUT Brasil

Fonte: CUT