sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ganhos de produtividade não impactam nos salários em países desenvolvidos

Carolina Sarres
Repórter da Agência Brasil

    O aumento da produtividade nos países desenvolvidos não teve impacto positivo sobre os salários dos trabalhadores, segundo o Relatório Mundial sobre Salários da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ao contrário do que ocorreu nos países em desenvolvimento, como o Brasil, em que houve aumento real dos salários nos períodos anteriores e posteriores à crise financeira internacional, os ganhos de produtividade - proporcionados por avanços tecnológicos, por exemplo -, não foram repassados aos trabalhadores dos países desenvolvidos, o que significa que a mão de obra se beneficiou menos com os ganhos do trabalho.

"Essa é uma tendência indesejada que, onde exista, é preciso ser revertida. Em nível social e político, sua interpretação mais clara é que os trabalhadores e suas famílias não estão recebendo o que merecem", disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, em nota da organização. A OIT enfatizou que esses países devem ter cuidado para não promover o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em detrimento dos salários e do bem-estar do trabalhador.

De acordo com o professor de economia da Universidade de Brasília (UnB) José Luís Oureiro, a produtividade do trabalho à qual a OIT se refere diz respeito à razão entre a produção de uma pessoa e as horas trabalhadas. Quanto maior a quantidade produzida por número de horas maior será a produtividade.

Nas economias desenvolvidas, a produtividade laboral aumentou mais do que o dobro dos salários desde 1999. Nos Estados Unidos, por exemplo, enquanto a produtividade aumentou 85% no período, os salários só cresceram cerca de 35%. Na China, apesar de os salários terem quase triplicado, os ganhos do trabalhador foram proporcionalmente menores devido ao forte crescimento do PIB, em ritmo mais acelerado do que os aumentos salariais.

Para José Luís Oureiro, essa situação se encaixa na tese do "exército industrial" do alemão Karl Marx, em que a quantidade de trabalhadores disponíveis é maior do que a demanda do mercado, o que faz com que o preço da mão de obra, o salário, seja mais baixo devido ao excesso de oferta. Isso causa perdas aos trabalhadores, principalmente em relação ao poder de barganha perante o empregador, que pode contratar outro funcionário mais facilmente. Daí o trabalhador, nos países desenvolvidos, não conseguir aumentos de salários no período pós-crise.

Esse capital que não vai para os trabalhadores fica retido nas mãos do empresariado em forma de lucro, que pode ser usado de forma negativa ou positiva. "Se eles estão fazendo novos investimentos, é melhor para a economia. Se estão usando para financial gastos e consumo, é maléfico e aumenta a desigualdade de renda", explicou o professor da UnB.

Apesar da disparidade entre o crescimento dos salários e a produtividade nos países desenvolvidos - e da situação contrária nos países em desenvolvimento -, ainda há significativas diferenças de salários entre grupos de nações. Segundo comparação feita pela OIT entre os proventos de um trabalhador no setor industrial em 2010, a Dinamarca é o país onde há o salário mais alto por hora trabalhada, cerca de US$ 34,7; seguido da Suíça (US$ 34,2) e da Austrália (US$ 28,5). Em último lugar ficaram as Filipinas (US$ 1,4), a Hungria (US$ 4,7) e a Polônia (US$4,8). Em seguida aparece o Brasil, que paga cerca de US$ 5,4 por hora trabalhada.

De acordo com o economista, esse fenômeno entre produtividade e salários é temporário entre os países desenvolvidos, cuja situação deverá voltar ao normal assim que os efeitos da crise internacional forem totalmente debelados. Um dos autores do relatório da OIT, Sangheon Lee, explicou que os países têm de estabelecer uma relação mais estreita entre salários e produtividade, que é uma questão de equidade e crescimento econômico sustentável.

Para superar o desafio da descoordenação entre produtividade e salários, a OIT sugere a adoção de políticas coordenadas para estimular a demanda da população, manter a competitividade por meio da inovação, fortalecer as instituições, regular o mercado financeiro, e intensificar a segurança social.

"Os governos têm de tomar medidas que atuem no sentido de diminuir a taxa de desemprego. Essa austeridade adotada na Europa, hoje, por exemplo, acaba agravando situação de desemprego e, por isso, reforça a tendência dos salários a caírem", informou o professor da UnB.


Fonte: Agência Brasil

Salários caem nos países desenvolvidos e sobem nos emergentes, diz OIT

AFP
     Os salários caíram 0,5% em 2011 nos países desenvolvidos, mas aumentaram nos emergentes, especialmente nos da Ásia e da América Latina, segundo um relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho) publicado nesta sexta-feira (7) em Genebra.

Na Ásia, os salários subiram 5%, e esta tendência para a alta também foi registrada na América Latina e no Caribe (2,2%), na África (2,1%), na Europa Central e na Ásia Central (5,2%, em ambos os casos). Já no Oriente Médio, os salários caíram 0,2%.

"Em escala mundial, os salários aumentaram a um ritmo muito mais fraco que antes da crise, e inclusive retrocederam nos países desenvolvidos", indica a OIT neste relatório, publicado a cada dois anos.

Globalmente, incluindo todos os países, os salários mensais aumentaram 1,2% em 2011, em comparação com a subida de 2,2% em 2010 e de 3% em 2007.

Para Guy Ryder, diretor-geral da OIT, "este relatório mostra claramente que em vários países a crise teve um impacto muito claro nos salários e, consequentemente, nos empregados".

O diretor-geral da OIT também destacou que "os funcionários recebem uma parte menor do bolo", já que a parte dos salários na receita nacional diminuiu.

Esta situação cria um "descontentamento popular e aumenta o risco de desordens sociais", acrescenta a OIT, que também denuncia "as remunerações exorbitantes recebidas por alguns diretores de empresas".

Em 15 países desenvolvidos, a quota do trabalho na receita nacional passou de 75% nos anos 1970 para 65% nos anos recentes.

Por fim, a OIT lança um chamado neste relatório para que sejam fixados salários mínimos, uma medida indispensável para acabar com a pobreza no trabalho.

"Os salários mínimos contribuem para proteger os salários menos remunerados e para prevenir uma queda de seu poder aquisitivo", declarou Guy Ryder.

Segundo este relatório, "centenas de milhões de empregados nos países em desenvolvimento ganham menos de US$ 2 por dia".

Nos Estados Unidos, os trabalhadores pobres representam 7% da população assalariada, e na Europa 8%.


Fonte: Folha.com

Acordo custará US$ 1,8 bilhão ao HSBC por lavagem de dinheiro nos EUA

 
Carrick Mollenkamp e Brett Wolf
Reuters

   O HSBC deverá pagar uma multa de US$ 1,8 bilhão como parte de um acordo com órgãos americanos de fiscalização do cumprimento da lei por delito de lavagem de dinheiro, segundo diferentes pessoas familiarizadas com a questão.

O acordo com o HSBC, o maior banco da Europa - que poderá ser anunciado já na semana que vem - deverá envolver o fato de a instituição financeira ter fechado um acordo de adiamento de abertura de ação penal com procuradores do Ministério Público Federal americano, disseram as fontes, que falaram sob a condição de não ter seus nomes divulgados.

O potencial acordo, que está sendo formulado há meses, surge como um precedente exemplar da magnitude do sinal que a Justiça americana quer enviar para tentar deter movimentações ilícitas de dinheiro entre os bancos americanos.

"Estamos cooperando com as autoridades nas investigações em curso. A natureza das discussões é confidencial", disse um porta-voz do HSBC.

O HSBC disse em 5 de novembro que fez uma reserva de US$ 1,5 bilhão para cobrir uma potencial multa em que poderia incorrer por infringir controles antilavagem de dinheiro no México e por outros delitos, embora o principal executivo do banco, Stuart Gulliver, tenha dito que seu custo poderia ser "significativamente maior".

Em documentos encaminhados para a autoridade reguladora, o HSBC tinha dito que poderia ter de enfrentar acusações penais. Mas investigações semelhantes dos EUA culminaram em acordos de adiamento de abertura de ação penal, pelos quais os órgãos de fiscalização do cumprimento da lei adiam ou abrem mão de processar uma empresa se ela reconhecer ter cometido um delito, pagar uma multa e concordar em sanear seus sistemas de conformidade. Se a empresa voltar a cometer um ilícito, o Departamento de Justiça poderá, então, processá-la criminalmente.

Um acordo de adiamento de abertura de ação penal poderá levantar questões sobre a possibilidade de o HSBC simplesmente pagar uma multa vultosa e nada mais, disse Jimmy Gurule, ex-alto funcionário de fiscalização do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Isso seria uma afronta "ao sistema de Justiça penal", disse Gurule, atualmente professor da faculdade de Direito da Universidade de Notre Dame. Na sua opinião, a única maneira de verdadeiramente chamar a atenção dos bancos é indiciar indivíduos.

"Isso criaria uma onda de choque que repercutiria por toda a comunidade internacional de serviços financeiros", disse Gurule. "Imprimiria o temor a Deus em altos executivos do setor bancário que descumprem as leis intencionalmente."

Um acordo com o HSBC, há muito tempo dado como certo nos bastidores do mercado, foi de concretização lenta. Dentro do Departamento da Justiça, o Ministério Público dos Estados de Washington e de Virgínia do Oeste se desentenderam sobre qual seria a melhor maneira de investigar o HSBC.

Segundo documentos examinados pela Reuters, o Ministério Público Federal de Wheeling, na Virgínia do Oeste, estava preparado já em 2010 para indiciar o HSBC e incluir mais de 170 acusações de lavagem de dinheiro contra a instituição.

Os procuradores do Ministério Público de Washington acabaram se encarregando do caso. Em julho passado, a subcomissão permanente de investigações do Senado dos Estados Unidos divulgou relatório em que dizia que o HSBC permitia que os clientes movimentassem recursos escusos a partir de México, Irã, Ilhas Cayman, Arábia Saudita e Síria.

O uso de acordos do adiamento de abertura de ação penal disparou nos últimos anos porque as autoridades do Departamento de Justiça dos EUA acham que estão dando aos procuradores do Ministério Público uma alternativa a mais além de indiciar a empresa ou de derrubar uma ação.

Segundo relatório divulgado em maio pelo Instituto de Manhattan de Pesquisa em Política Pública, um centro de análise e pesquisa de linha conservadora, houve 207 acordos de adiamento ou de não abertura de ação penal desde 2004.

Os acordos "se tornaram a viga-mestra da fiscalização do cumprimento da lei em crimes do colarinho branco", disse Lanny Breuer, procurador-geral-assistente do Ministério Público Federal em setembro durante aparição na Ordem dos Advogados de Nova York.

"Ouvi pessoas criticá-los e ouvi pessoas elogiá-los. Os acordos de adiamento de abertura de ação penal têm um efeito verdadeiramente transformador sobre determinadas empresas e, de um modo mais geral, sobre a cultura corporativa de todo o planeta."

Apesar de a promotoria federal aceitar um acordo de adiamento, ela ainda pode brandir um poderoso instrumento jurídico, ao acusar o banco de lavagem de dinheiro.

Essa seria uma acusação muito mais grave do que se a promotoria, num acordo de adiamento de abertura de ação penal, acusasse o HSBC de violações penais da Lei do Sigilo Bancário, que prevê a manutenção, pelos bancos, de programas de erradicação de transações suspeitas.

Em março de 2010, por exemplo, o Wachovia, do Wells Fargo, entrou em acordo de adiamento de abertura de ação penal e pagou US$ 160 milhões como parte de uma investigação do Departamento de Justiça dos EUA que investigou como traficantes de drogas movimentaram dinheiro por meio do banco. O Wachovia foi acusado de infringir a Lei de Sigilo Bancário. A decisão desencadeou críticas da parte de alguns observadores, que consideraram que deveria ter sido movida uma acusação de lavagem de dinheiro e abertas ações penais contra alguns altos executivos do banco.

Uma acusação de lavagem de dinheiro teria constituído uma iniciativa rara do Departamento de Justiça e sinalizaria para outros grandes bancos que o órgão está determinado a reprimir a movimentação de dinheiro sujo ao longo do sistema financeiro americano.


Fonte: Valor Econômico

UNI Américas aprova declaração de repúdio à direção do Santander

A 3ª Conferência Regional da UNI Américas - Rompendo Barreiras, que está sendo realizada em Montevidéu, discutiu e aprovou por unanimidade na quinta-feira (6) uma declaração de repúdio à direção do Santander diante das demissões em massa que estão ocorrendo no Brasil. A Contraf-CUT participa do evento, que reúne 392 delegados, observadores e convidados de 33 países das três Américas e do Caribe.

A UNI Américas é o braço continental da UNI-Sindicato Global, que representa mais de 20 milhões de trabalhadores dos setores de serviços, entre eles os bancários, em todos os continentes.

O texto foi apresentado pelo funcionário do Santander e secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Mário Raia.

A conferência termina nesta sexta-feira (7).

Veja a íntegra do texto:

Declaração de repúdio à direção do Santander

As entidades afiliadas à UNI, reunidas em Montevidéu de 5 a 7 de dezembro de 2012, manifestam seu contundente protesto contra as direções do Santander Brasil e do Santander em nível mundial pelas milhares de demissões de bancários e bancárias que vêm acontecendo neste início de dezembro. Os sindicatos no Brasil já contam mais de mil demissões, com informações oficiosas de que esse número poderá chegar a 5 mil.

Nosso repúdio é ainda mais acentuado pela conduta das direções do banco em realizar os desligamentos de surpresa, passados poucos dias depois de várias reuniões do Comitê de Relações Trabalhistas, fórum de discussão dos conflitos reconhecido no Acordo Coletivo de Trabalho assinado entre o banco e os sindicatos.

Mais que surpresa, a decisão vai na contramão do que afirmaram seus presidentes a respeito da gestão da filial brasileira em várias entrevistas à imprensa e nos encontros com sindicalistas. A direção do Santander mentiu cinicamente para as entidades sindicais e à imprensa.

Nosso protesto é pela ausência de qualquer negociação prévia sobre as demissões, sem que qualquer alternativa intermediária fosse estudada. Cruelmente, o Santander demite trabalhadores com mais de 20 anos de casa, dedicados e produtivos, o que revela que os cortes foram feitos por critérios subjetivos, de custos, sem qualquer base em avaliação de desempenho.

O Santander Brasil responde por boa parte da lucratividade do grupo em nível mundial, superior até mesmo à matriz, na Espanha, mas recebe de volta o maior desrespeito e crueldade. Mais uma vez, o Santander não respeita o Brasil e os brasileiros. Mais uma vez, o Santander revela seu lado colonialista com a América Latina, de onde extrai altos lucros e deixa o desemprego e sua contribuição para a miséria que o Brasil tanto combate.

Expressamos nossa profunda solidariedade fraternal aos bancários e bancárias do Brasil. Levaremos esse protesto a todos os cantos do mundo e juntamo-nos ombro a ombro aos sindicatos de bancários no Brasil para empreender as medidas a nosso alcance para reverter esse ato cruel.


Fonte: Contraf-CUT

CNPC define redução gradual nos juros atuariais dos fundos de pensão

   Em sua última reunião, no dia 29 de novembro, o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) definiu novo teto para a taxa máxima de juros a ser adotada pelas entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) nas avaliações atuariais de seus planos de benefícios. Para a avaliação atuarial do exercício de 2013, a vigorar a partir de janeiro de 2014, a taxa de juros reais cairá dos atuais 6% para 5,75%. A partir daí, a taxa máxima será reduzida em 0,25% por ano, até atingir 4,5% na avaliação de 2018.

As entidades podem adotar taxas superiores, limitadas a 6%, desde que comprovem a sua sustentabilidade ao comparar os compromissos do plano e a rentabilidade projetada para seus ativos de investimentos - há planos cujo patrimônio está aplicado majoritariamente em títulos públicos de longo prazo, com retorno superior a 6% ao ano. Em relação à tábua de mortalidade adotada, a entidade deverá comprovar sua aderência à massa de participantes de cada plano de benefícios.

A revisão da taxa de juros se fez necessária por conta da queda da taxa básica de juros da economia, que deverá se manter em patamares mais baixos nos próximos anos. A taxa básica define a remuneração dos títulos públicos federais - os novos títulos de curto prazo estão garantindo retorno real de 2% ao ano e os de longo prazo, até 4%. O impacto das novas taxas é muito forte nos fundos de pensão brasileiros, que em sua grande maioria têm mais de 75% dos ativos investidos nestes papéis.

"Mas a decisão mais importante tomada pelo CNPC diz respeito à verificação de aderência da taxa adotada", avalia José Ricardo Sasseron, representante dos participantes no CNPC. A entidade deverá apresentar ao Conselho Deliberativo e ao Conselho Fiscal, estudo comprovando a aderência da taxa adotada, feito com base na rentabilidade esperada de acordo com a composição dos investimentos, fluxo de pagamento de benefícios e entrada de contribuições, dentre outros fatores. Em outras palavras, a entidade deverá comprovar que a taxa adotada é sustentável no longo prazo.

A taxa de juros atuarial é utilizada para projetar o retorno real dos investimentos, descontada a inflação, e para calcular o passivo previdenciário do plano. Do lado do passivo previdenciário, a taxa de juros serve para dimensionar os compromissos com pagamento de benefícios e tem efeitos diferentes nos planos de Benefício Definido (BD) e de Contribuição Definida ou Variável (CD e CV).

Nos planos BD, a redução da taxa aumenta os compromissos e gera déficit. Nos planos CD e CV, taxas menores provocam queda nos benefícios quando de seu cálculo, devido ao menor retorno projetado para os investimentos.

Para a Anapar, os gestores da entidade de previdência devem pensar duas vezes antes de adotar a medida mais fácil, que é imediata redução da taxa de juros. Esta medida onera os participantes e os patrocinadores, aumentando suas contribuições, ou penaliza os participantes, reduzindo seus benefícios.

"É recomendável que os dirigentes procurem diversificar seus ativos, em busca da melhor rentabilidade possível, ponderando o risco de cada aplicação. Evitar ônus desnecessário aos participantes é um dever de todo gestor", avalia Cláudia Ricaldoni, presidente da Anapar.

Acatando sugestão da Anapar, o CNPC determinou que as entidades passem a informar ao Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, participantes e patrocinadores a rentabilidade bruta e líquida de seus investimentos e todas as despesas com gestão própria e terceirizada dos ativos. É uma regra básica de transparência, mas que não é praticada pela maioria dos fundos de pensão.


Fonte: Anapar

Contraf-CUT quer discutir ajustes dos bancos com ministro da Fazenda


http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=32819                                                                                                          

CUT homenageia Oscar Niemeyer, ilustre brasileiro das curvas e das lutas

     A CUT prestou nesta quinta-feira (6) uma homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, falecido no Rio de Janeiro. "Graças a pessoas como ele, o Brasil vive melhor", destaca a mensagem divulgada pela Central. A presidenta Dilma decreto luto oficial de sete dias.

Mais importante arquiteto brasileiro do século 20, com obras em diversos países, ele morreu ontem (5), aos 104 anos. No Distrito Federal, onde se concentra a maior parte de sua obra, também foi decretado luto oficial de sete dias. Cerca de 2 mil pessoas já passaram pelo velório no Palácio do Planalto, uma de suas principais obras. O corpo de Niemeyer retorna ao Rio, onde será sepultado nesta sexta-feira (7).

Leia a íntegra da mensagem da CUT:

Oscar Niemeyer: presente!


Oscar Niemeyer, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Villa Lobos...

Do Rio de Janeiro para o Brasil e o Mundo.

O tempo e os lugares possibilitam o surgimento de pessoas ilustres. Durante muito tempo o Rio de Janeiro foi o principal centro de surgimento de pessoas que se destacam nas mais diversas áreas, principalmente na cultural.

Os compositores, poetas e cantores cantam as belezas das montanhas, das águas e das mulheres do Rio de Janeiro.

Oscar Niemeyer soube usar a arquitetura como referência para trabalhar as mesmas curvas das montanhas, das águas e das mulheres do Rio de Janeiro.

Em todos os continentes podemos encontrar obras de Niemeyer, e em todos os continentes podemos procurar lugares mais bonitos do que o Rio de Janeiro, mas não encontramos.

Oscar Niemeyer tem a ver com o século XX, tem a ver com o Brasil, com o terceiro mundo, com a cultura europeia, tem a ver com o sonho por um mundo melhor, com um mundo socialista, onde as pessoas possam ser comunistas sem medo de ser presas ou agredidas pela imprensa.

Neste mundo do século XX e com tantos anos de vida, Oscar Niemeyer continuava ateu. Não é pouca coisa, num mundo onde os políticos usam as igrejas para fazer campanhas eleitorais contra os progressistas e a esquerda.

Há pouco tempo, quando o neoliberalismo estava na moda no Brasil, pessoas como Oscar Niemeyer, que gostavam de Chico Buarque, de Leonel Brizola, de Lula, de Fidel Castro e de pobre, eram consideradas "dinossauros". Hoje, depois de morto, Niemeyer vira unanimidade. E o fato de ele ter sido comunista e ateu é transformado em "folclore".

O neoliberalismo passou, como passaram o nazismo, o fascismo e o stalinismo. Niemeyer continuou comunista, democrata e universalista. Sobreviveu a todos e será nossa semente e referência para este século XXI, para somar-se a pessoas como Lula e todos aqueles que direta ou indiretamente contribuem para acabar com a pobreza e discriminação social.

Niemeyer foi se juntar a Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Villa Lobos, além dos outros músicos, poetas e cantores brasileiros.

O céu, a partir da chegada de Niemeyer, terá uma nova imagem. E o Brasil que Niemeyer contribuiu para transformar-se numa grande nação, reconhece o quanto ele foi importante.

Os trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil prestam a sua homenagem a este ilustre brasileiro. Graças a pessoas como ele, o Brasil vive melhor.

São Paulo, 6 de dezembro de 2012

CUT - Central Única dos Trabalhadores


Fonte: CUT

Citibank anuncia ajuste mundial e fechará 14 das 198 agências no Brasil

Carolina Mandl
Valor Econômico

       O anúncio de reestruturação do Citi trouxe a informação de que 14 das 198 agências e lojas do grupo serão fechadas no Brasil. Em busca da redução de custos, o Citi vai demitir 11 mil pessoas globalmente.

Em comunicado divulgado nos Estados Unidos, o Citi afirma que terá como foco 150 cidades com maior potencial de consumo de produtos bancários, concentrando-se em áreas metropolitanas.

No Brasil, o banco afirmou em nota que "o país continua sendo um dos mercados prioritários para o negócio do Citi". "Estamos otimistas em relação às oportunidades futuras e vamos manter nosso objetivo de ser o banco de escolha no segmento premium do varejo no Brasil", informou a instituição.

Procurado pela reportagem, o banco não concedeu entrevista. Em Brasília, Hélio Magalhães, presidente do Citi Brasil, se reuniu ontem com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A pauta do encontro não foi divulgada.

A grande dúvida que se abre no Brasil é em relação à unidade de crédito ao consumo, que inclui a Credicard. Isso porque mundo afora é justamente no segmento de empréstimos para pessoas físicas que a reestruturação terá um de seus principais focos. O Brasil não é citado na mensagem do banco entre os países cujas atividades serão vendidas ou reduzidas, o que acontecerá no Paraguai, Paquistão, Romênia, Turquia e Uruguai.

O Citi Brasil acumula neste ano lucro líquido de R$ 504,2 milhões, até setembro. É um resultado bastante inferior ao R$ 1,269 bilhão de igual período do ano passado.

O principal motivo para a redução do resultado no Brasil foi relacionado ao diferimento de impostos. Enquanto nos nove primeiros meses de 2011 o banco obteve receita de R$ 767,1 milhões nessa linha do balanço, neste ano teve despesa de R$ 83,2 milhões.

Reestruturação mundial

O Citigroup Inc. definiu um plano para cortar 11 mil postos de trabalho, na primeira grande mudança de estratégia do gigante das finanças desde que Michael Corbat substituiu Vikram Pandit como diretor-presidente, em outubro.

A iniciativa, anunciada ontem, é o sinal mais recente da pressão sobre os grandes bancos para reagir à estagnação das receitas e da cotação de suas ações. A decisão também mostra o foco no corte de custos. Na presidência do conselho de administração, Michael ONeill, um banqueiro veterano, tornou-se conhecido por recomendar medidas duras em trabalhos anteriores.

Mais da metade dos cortes se dará na unidade mundial de banco de varejo, na qual o Citigroup fechará 84 agências. Segundo sua estratégia de dar prioridade às 150 cidades que apresentam o maior potencial de crescimento no varejo, o Citi vai otimizar a distribuição de suas agências e concentrar mais a presença nas principais áreas metropolitanas.

Entre os mercados que sofrerão cortes estão Brasil (14 agências), Hong Kong (7), Hungria (4), Coreia (15) e EUA (44). Com isso, o banco vai economizar US$ 900 milhões no próximo ano e US$ 1,1 bilhão anualmente a partir de 2014.


Fonte: Valor Econômico
http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=32809

Deputados adiam votação do fim do fator previdenciário para 2013

Iolando Lourenço e Ivan Richard
Agência Brasil

      Apesar da pressão de centenas de deputados e sindicalistas, a votação do projeto de lei que acaba com o fator previdenciário foi adiada para o próximo ano. A decisão foi tomada nesta terça-feira (4) em reunião do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), com os líderes partidários. A decisão se deveu à dificuldade de se construir um acordo com o governo que evite o veto à proposta.

Embora conte com o apoio da maioria dos deputados, o fim do fator previdenciário esbarra na possibilidade de veto presidencial por causa da possibilidade de uma enxurrada de ações judiciais de aposentados e pensionistas que tiveram seus benefícios reduzidos pelo dispositivo criado durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Cálculos do Executivo estimam em cerca de R$ 70 bilhões o passivo que pode ser criados a partir dos questionamentos judiciais.

Para tentar costurar um acordo que viabilize a aprovação do fim do fator previdenciário, Marco Maia decidiu criar uma nova comissão especial para discutir todo o sistema previdenciário do país. A comissão pode iniciar os trabalhos ainda este ano, e deve apresentar um parecer até o final do primeiro semestre do ano que vem.

"Eles [os líderes] acreditam que, neste momento, esse é o melhor encaminhamento para a matéria", disse Marco Maia. "O veto presidencial seria inevitável", acrescentou o petista sobre a possibilidade de aprovação do texto ainda este ano.


Fonte: Agência Brasil

Câmara aprova PEC que amplia direitos trabalhistas das domésticas

  Por 347 votos a 2, os deputados federais aprovaram em segundo turno nesta terça-feira (4) a proposta que altera Constituição e amplia os direitos trabalhistas dos empregados domésticos. No painel de votação, todos os partidos se posicionaram a favor da proposta.

O primeiro turno votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) foi aprovado em 22 de novembro. Com a conclusão da votação na Câmara, a proposta segue para o Senado.

A PEC concede direitos como adicional noturno, horas extras, jornada máxima e FGTS obrigatório a todos os que prestam serviços domésticos, como jardineiros, motoristas e babás, entre outros.

Alguns direitos entram em vigor imediatamente após a aprovação do texto, como a jornada máxima diária e o pagamento de horas extras. Outros necessitam de regulamentação, como o adicional noturno, o seguro-desemprego e o salário-família.

Se aprovada no Senado, a PEC vai valer não só para os novos contratos, mas também para os que já estão em vigor.

Estudo do Dieese mostra que, em São Paulo, 38,7% têm carteira assinada, 28,2% não são registrados e 33,1% são diaristas. Do total, 45,5% contribuem para a Previdência Social.

Em outras regiões metropolitanas, a proporção é ainda menor: em Fortaleza, por exemplo, apenas 15,2% têm carteira assinada, 27,4% são diaristas e 57,3% são mensalistas sem registro. Apenas 17,5% pagam INSS.

Para Eduardo Miguel Schneider, técnico do Dieese, a proposta pode reverter a migração de trabalhadores domésticos para outros setores. Na Grande São Paulo, a participação de domésticos no total de empregados caiu de 8,4% em 2001 para 7,0% em 2011.


Fonte: Folha.com

Renda média dos trabalhadores tem forte alta no 3º trimestre, diz IPEA

   Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) baseado nos dados do mercado de trabalho brasileiro divulgado pelo IBGE, referente ao 3º trimestre do ano, indicou que houve um bom desempenho no período, com redução na taxa de informalidade, aumentos na taxa de atividade e nos rendimentos e diminuição na taxa de desocupação.

"Pode-se destacar o valor do rendimento médio dos trabalhadores, que apresentou crescimento expressivo no trimestre em questão, em particular em setembro de 2012, ficando bem próximo do máximo registrado na série. Além disso, as taxas de desemprego e de informalidade permaneceram em patamares mais baixos do que os registrados para o mesmo período em anos anteriores", avaliou o Ipea com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O Ipea observou no entanto que o comportamento da taxa de desemprego contrasta com a evolução dos indicadores de produção, que aponta claramente para uma perda de dinamismo da economia, sobretudo no setor industrial.

"Por outro lado, a julgar pela evolução recente da massa salarial é possível que o mercado interno colabore para a manutenção do bom desempenho do mercado de trabalho", disse o órgão.

De acordo com o Ipea, o dado negativo do mercado de trabalho no país ficou por conta da geração de novos postos de trabalho, "já que foram gerados 550 mil postos a menos no acumulado entre janeiro e setembro de 2012, em comparação com o mesmo período em 2011, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)".

PÚBLICO X PRIVADO

No mesmo estudo, o Ipea analisou também a contribuição dos rendimentos do funcionalismo público na desigualdade da distribuição de renda no Brasil, utilizando a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) para os anos de 1995 a 2011.

"Tal como ocorre em outros países, no Brasil os empregados do setor público tendem a receber rendimentos superiores aos dos empregados do setor privado", afirmou.

De acordo com o estudo, essa diferença está relacionada a dois fatores. O primeiro é um efeito-composição, que ocorre porque a força de trabalho do setor público é composta por trabalhadores de maior nível educacional. O segundo é um efeito-segmentação, cuja implicação para a determinação dos preços do trabalho se manifesta na existência de um diferencial salarial, na média favorável aos trabalhadores públicos, mesmo quando comparados a trabalhadores privados com características similares às suas, informou.

Segundo o Ipea, enquanto a distribuição observada dos rendimentos dos trabalhadores formais do setor privado contribuiria com algo em torno de 37% da desigualdade da renda do trabalho, os rendimentos dos empregados do setor público, já descontado o diferencial estimado, contribuiria com 14%.


Fonte: Folha.com

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Santander promove onda de demissões de funcionários às vésperas do Natal

 
Nas proximidades do Natal, o Santander deflagrou nesta segunda-feira (3) uma nova onda de demissões em todo país, segundo informações enviadas por vários sindicatos e federações para a Contraf-CUT. Na última quinta-feira (29), os bancários de São Paulo já fizeram uma manifestação contra dispensas na Torre Santander, onde foram mandados embora 40 funcionários dos setores de Recursos Humanos, Jurídico, Organização e Eficiência e o de Gestão Integral e de Gastos.

Ainda não há números conhecidos sobre o total de trabalhadores demitidos. A Contraf-CUT já está fazendo um levantamento nacional junto aos sindicatos.

No Nordeste, dados preliminares de alguns sindicatos são preocupantes. Ocorreram 30 demissões em Pernambuco, 23 na Bahia, 14 em Alagoas e 10 na Paraíba. Na sua maioria, os desligados foram gerentes, com mais de 10 anos de banco e salários mais elevados. Houve também dispensas em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, dentre outros estados, além de Brasília.

"Já solicitamos uma negociação com o Santander para discutir a suspensão imediata das dispensas e a manutenção dos empregos dos trabalhadores do banco", destaca Ademir Wiederkehr, funcionário do banco e secretário de imprensa da Contraf-CUT.

Para ele, nada justifica essas demissões. Nos nove primeiros meses do ano, o banco lucrou R$ 5,694 bilhões no Brasil, o que representa 26% do lucro mundial do Santander.

"Ao invés de demitir, o banco deveria, isto sim, fazer mais contratações, como foi reivindicado pelas entidades sindicais na última negociação com o banco, no dia 22 de novembro, durante o Comitê de Relações Trabalhistas", ressalta o dirigente sindical.

"Queremos melhores condições de trabalho, frear o adoecimento de trabalhadores e agilizar o atendimento aos clientes e usuários", defende Ademir.

"Ao demitir trabalhadores, faltando menos de um mês para o Natal, o Santander revela que não respeita o Brasil e os brasileiros", critica o diretor da Contraf-CUT. "Exigimos a suspensão imediata das demissões, a manutenção dos empregos e a geração de novos postos de trabalho, como forma de responsabilidade social e contrapartida para o desenvolvimento do país", conclui.


Fonte: Contraf-CUT

Combate à pobreza não melhora condições de trabalho das mulheres

   Estudos feitos no Brasil, Uruguai e Paraguai indicam que políticas públicas de combate à pobreza são insuficientes para melhorar as condições de trabalho de mulheres na América Latina. Os dados mostram que a falta de atenção à divisão dos horários de trabalho por sexo nas famílias perpetua a dupla jornada feminina ou o excesso de dedicação a atividades não remuneradas.

As pesquisas foram apresentadas nesta segunda-feira (3) durante o seminário Do Combate à Pobreza às Políticas Públicas de Igualdades: um Debate Pendente, organizado pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea). O levantamento brasileiro aponta que, em 2011, as mulheres colaboraram com 27 horas semanais em serviços domésticos, enquanto os homens dedicaram 11 horas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Uruguai, as jovens de classe mais baixa dedicam pelo menos seis horas a mais por dia a atividades sem remuneração, do que homens da mesma faixa etária e classe social. Segundo dados de 2008 do Instituto Nacional de Estatística, do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher e da Universidad de la Republica, as mães de crianças com até 6 anos dedicam uma média de 57 horas semanais a atividades não remuneradas.

Já no Paraguai, em 2012, enquanto a taxa de desemprego masculina é de 4,4%, a feminina chega a 7,4%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice é de 12,6% para homens e 16,9% para mulheres. Junto aos menores níveis de renda de acordo com a atividade econômica, 45,2% das mulheres não têm renda própria, enquanto os homens sem renda somam 13,8%. No setor rural, o número de paraguaias sem renda alcança 61,1%.

Para a coordenadora do Cfemea, Nina Madsen, apesar dos avanços no acesso das mulheres ao mercado de trabalho, elas ainda são as mais prejudicadas quando o assunto é pobreza. "O enfrentamento da pobreza não vai ser eficiente e sustentável se não começar a olhar para as mulheres e para a diversidade da população pobre, considerando as desigualdades. A pobreza não pode ser só insuficiência de renda e não pode ser solucionada a partir desse paradigma. Ela precisa ser entendida como um conjunto muito mais amplo de insuficiências", explicou.

Segundo Nina, o cenário é semelhante não apenas no Brasil, Uruguai e Paraguai, mas em toda a América Latina, já que a divisão sexual do trabalho é estruturante das sociedades ocidentais como um todo. "No Brasil, essas políticas têm uma amplitude muito grande. Há um volume imenso de recursos. A política de enfrentamento à pobreza e o Programa Bolsa Família, em particular, são realmente muito poderosos, se você coloca em um panorama regional."

Para a coordenadora do Instituto Feminista para a Democracia (SOS Corpo), Maria Betânia Ávila, políticas de combate à pobreza são fundamentais, mas precisam estar associadas a políticas de qualificação social e de proteção social. Essas causas, de acordo com a especialista, são capazes de influenciar na diminuição da pobreza e também na estruturação de qualidade de vida para a população, por se tratarem de medidas estruturais.

"Nesses programas, as mulheres ainda aparecem como centro das políticas, no sentido de que as políticas ainda se apoiam nelas como mães, como sustentadoras da vida cotidiana. Isso é uma contradição, um paradoxo", disse. "As crianças e os jovens precisam de políticas que garantam seu futuro, mas as mulheres precisam também de políticas que as considerem como indivíduos, como cidadãs, para construírem suas possibilidades de vida, sua realização no presente e sua proteção social no futuro", completou.


Fonte: Agência Brasil
http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=32755


BB, Itaú, Bradesco e Santander arrecadam R$ 8 bilhões com tarifas em 2012

 
Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, principais instituições financeiras com ações em bolsa, arrecadaram cerca de R$ 8 bilhões de janeiro a setembro deste ano apenas com cobranças ligadas à conta corrente, expansão de 20% a 30% em relação a 2011.

O montante equivale a 25% do lucro líquido acumulado pelos bancos no mesmo perído. A reportagem lembra que, mesmo que haja clientes isentos de tarifas, alguém deve estar arcando com essa conta bilionária.

Desta forma, os clientes gastaram mais em 2012 com as taxas em comparação ao ano anterior. Há quase cinco anos da regulamentação de nomenclaturas do Banco Central, que facilitaram a comparação para o consumidor em diferentes bancos, o preço dos serviços bancários pesa no bolso.

Tarifas nas alturas

Entre os quatro bancos, quando o assunto é pacote de tarifa, o mais cara é o do Santander: R$ 65. O mais barato custa R$ 5,5, no BB. Há serviços gratuitos que os bancos são obrigados a prestar por determinação do Banco Central e nas contas eletrônicas - e sem tarifas - oferecidas, sem alarde.

Mas se há planos mais baratos e até isentos de cobrança, quem fica com o mais caro? Os bancos têm a prática de trabalhar com iscas para tornar atrativos os pacotes mais salgados.

Uma estratégia antiga é a inclusão de um serviço desejado e bastante usado, mas que não costuma entrar na maior parte dos planos mais baratos, como a transferência de dinheiro de um banco para outro, via DOC/TED.

Entre os quatro bancos pesquisados, o mais barato que inclui esses serviços é o "Especial", do BB. Custa R$ 19,7 por mês, mas só dá direito a um DOC mensal. Por outro lado, oferece quantidades excessivas - pelo menos para a maioria das pessoas - de outros serviços: 22 transferências entre contas do próprio BB e 17 saques.

No Itaú, o preço do pacote "Total" é R$ 27,5 por mês, quase o dobro do preço do "Econômico", de R$ 14,10. Quem paga R$ 160 a mais por ano, totalizando R$ 330, pode fazer 24 saques por mês em caixas eletrônicos, ante 8 do plano mais barato, e realizar 34 transferências entre contas do mesmo banco, mais que uma por dia, em comparação com 12 do "Econômico". Nenhum dos dois tem DOC ou TED incluídos. Esses serviços só fazem parte do pacote de quem paga a partir de R$ 30,40 por mês.

Em alguns desses combos mais sofisticados, que incluem DOC e outros serviços, os bancos ampliam ainda mais o volume de serviços como saques, o que serve de argumento para o preço mais caro. O total de saques e transferências sobe para 20, 30 eventos por mês ou se torna até mesmo ilimitado. É algo recorrente nas quatro instituições analisadas pelo Valor.

Muitos dos serviços que compõe os pacotes são bem pouco utilizados pelos clientes. Segundo a reportagem, com a engenharia usada pelos bancos para montar os pacotes, fica mais difícil a comparação direta e há uma aparente justificativa para um plano ser mais caro que outro.

Com a ação do governo para que os bancos reduzissem os juros, outra ação teve de ser tomada. Muitos bancos vincularam os cortes à adesão a pacotes de serviços, fazendo com que o BC interferisse e deixasse claro que redução de spread não pode ser compensada por aumento de tarifas.


Fonte: Contraf-CUT com Valor Econômico

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Conferência da UNI Américas Finanças elege Carlos Cordeiro para presidência

  A 3ª Conferência da UNI Américas Finanças, encerrada neste domingo 2 em Montevidéu, aprovou um plano de ação para o período 2013-2016, com o objetivo de fortalecer a organização dos trabalhadores do setor financeiro nas Américas e no Caribe, e elegeu a nova diretoria, que pela segunda vez será presidida por Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

Participaram da Conferência 61 delegados de 13 países do continente americano e do Caribe. A UNI América Finanças é o braço regional da UNI- Sindicato Global, que representa 20 milhões de trabalhadores dos setores de serviços em todo o mundo.

a"Quero agradecer o apoio e o carinho que recebi na gestão que encerra o mandato e que certamente terei no enfrentamento dos desafios futuros. Ninguém nasce dirigente sindical. Torna-se por uma opção de vida e por pertencer a uma classe, e é para ela que temos de trabalhar. Tenho muito orgulho de ser dirigente da minha confederação e da UNI Américas Finanças", afirmou Carlos Cordeiro ao final da votação, que foi por aclamação.

"Graças à ação coletiva de vocês, no último período a UNI Américas Finanças deu um salto importante. E vocês me fizeram uma pessoa melhor. Temos imensos desafios, entre eles ampliar e fortalecer as redes sindicais, que insisto em dizer que são o coração da UNI, melhorar a comunicação, fortalecer a solidariedade como um valor e estreitar a unidade entre nossas entidades sindicais", concluiu Cordeiro.

A primeira vice-presidência da UNI Américas Finanças ficará com o argentino Sergio Palazzo e a segunda vice-presidência com Trevor Johnson, de Trinidad e Tobago. Também integram a nova direção da entidade o secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Mario Raia; a presidenta e a secretária de Finanças do Sindicato de São Paulo, respectivamente Juvandia Moreira e Rita Berlofa; e o presidente do Sindicato do Rio de Janeiro, Almir Aguiar.

Plano de ação


O plano de ação aprovado pela 3ª Conferência estabelece o compromisso da UNI América Finanças de reforçar "sua condição de Sindicato Global, conectado com as necessidades dos trabalhadores, em defesa dos direitos adquiridos, nacionais e internacionais, e com o compromisso de lutar pela ampliação dos direitos".

A UNI Américas Finanças assume ainda no plano de ação, subdividido pelos temaa Política Sindical, Organização, Negociação Coletiva e Cumprimento de Acordos e Instrumentos de Direitos Fundamentais, o compromisso de defender "de maneira intransigente os direitos fundamemtais do trabalho como parte indissolúvel dos direitos humanos e lutará pelo trabalho decente".

Veja abaixo resumo dos objetivos do plano de ação por temas.

1. Plano de Ação de Política Sindical

A UNI Américas Finanças fomentará nos países das Américas ações para estabelecer e fortalecer organizações sindicais indepemdemtes, autônomas, democráticas e éticas que lutam pela democracia política, social e econômica e que de maneira permanente defendam os conceitos do internacionalismo dos trabalhadores.

A UNI Américas Finanças incentivará e promoverá nas Américas a unidade de todas as organizações sindicais, recconhecendo-a como a forma de luta mais efetiva para alcançar os objetivos da classe trabalhadora. A unidade da classe trabalhadora é um dos pilares sobre o qual se sustenta a luta da entidade em defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores e trabalhadoras das Américas e do Caribe, de seus esforços para desfrutar de sociedades sustentadas em uma democracia política, social e econômica e em defesa do pleno respeito aos direitos humanos.

2. Plano de Ação de Organização

A UNI Américas Finanças tem como objetivo estabelecer programas e realizar campanhas articuladas na defesa e promoção dos direitos, das conquistas e do bem-estar dos trabalhadores e suas famílias, especialmemte frente às intenções de introduzir novos modos de desenvolvimento e novas práticas comerciais que ignoram as repercussões sociais e humanas das inovações tecnológicas.

A entidade se compromete a atuar como sindicato continental, como instrumento articulador, propositor, coordenador e organizador das entidades filiadas, criando um corpo sindical para atuação conjunta.

3. Plano de Ação de Negociação Coletiva


A negociação coletiva é um direito previsto nas Normas Internacionais do Trabalho básicas e deverá ser exercido com toda a determinação pelas entidades sindicais filiadas, com a participação de suas bases sindicais organizadas, e por UNI Américas Finanças. A falta de disposição por parte das empresas multinacionais em reconhecer o direito a Negociação Coletiva deve ser rechaçada como ato antissindical e denunciada internacionalmente em todos os fóruns constituídos para a defesa dos direitos dos trabalhadores.

4. Plano de Ação de Cumprimento de Acordos
e Instrumentos de Direitos Fundamentais


A UNI Américas Finanças e suas organizações filiadas realizarão ações pela vigência, cumprimento e aplicação das Normas Internacionais do Trabalho básicas e a legislação trabalhista de cada país, especialmente as que se referem à liberdade sindical, ao direito de negociação coletiva, à erradicação do trabalho infantil, à proibição do trabalho forçado e a não-discriminação no emprego, em todos seus âmbitos.

A entidade defende ainda um sistema integral, indivisível, interdependente de direitos humanos, tendo o direito à vida como eixo principal, que reconheça a superioridade dos direitos sociais e culturais. E afirma que a liberdade de organização é fundamental para garantir a real e efetiva vigência de todos os direitos.

Conferência da UNI Américas mulheres

Neste domingo 2 e segunda-feira 3, também está sendo realizada em Montevidéu a Conferência da UNI Américas Mulheres, com a participação das diretoras da Contraf-CUT Deise Recoaro (Mulheres), Andréa Vasconcelos (Políticas Sociais) e Fabiana Uehara Proscholdt. Participam ainda dirigentes sindicais bancárias de diversas entidades filiadas à Contraf-CUT.

De 5 a 7 de dezembro, ainda na capital uruguaia, será a vez da Conferência Regional UNI Américas, que reunirá, além de bancários, dirigentes das entidades sindicais de trabalhadores dos outros setores de serviços filiados à UNI em todo o continente americano e no Caribe.

Por fim, haverá a Conferênciada UNI Américas Jovens, días 7 e 8, também em Montevidéu.


Fonte: Contraf-CUT