sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Caixa anuncia abertura de 500 agências e 12 mil contratações em 2012

A Caixa Econômica Federal anunciou na terça-feira (7), em São Paulo, que pretende abrir 500 agências em 2012. De acordo com o presidente da instituição, Jorge Fontes Hereda, será necessário contratar 12 mil empregados para trabalhar nessas novas agências e, por isso, a expectativa é que sejam abertos editais para concursos públicos ainda neste ano.

"A medida é positiva e avança no compromisso assumido na Campanha Nacional dos Bancários de aumentar 5 mil postos de trabalho em 2012", avalia Plínio Pavão, empregado da Caixa e secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT. "Também é positiva a expansão de rede de agências, ampliando a atuação da Caixa como banco público, o que possibilita melhorar o atendimento da população", acrescenta.

Segundo Hereda, parte das 12 mil vagas será preenchida por pessoas aprovadas em concursos anteriores. A Caixa ainda não tem, porém, uma data certa de quando serão abertos esses editais, nem do número de vagas que serão preenchidas via novos exames.

O dirigente da Caixa disse que a meta de abertura de novas agências é bem superior ao registrado em 2011, quando foram inauguradas 146 unidades em todo país. O número total de empregados passou de 83.185 para 85.633, uma geração de 2.448 novos postos de trabalho.

A abertura de novas agências acompanha o crescimento da instituição, cujo lucro líquido cresceu 37,7% e atingiu R$ 5,2 bilhões em 2011.

O banco também registrou um aumento no número de clientes, que chegou a 58 milhões em novembro - entre correntistas e poupadores -, um crescimento de 9,6% em relação a dezembro de 2010. Em todo o ano, o número de contas correntes cresceu 16,4%, chegando a 19,1 milhões.

De acordo com a Caixa, o número de contas foi acompanhado pela expansão da captação de recursos no ano passado. Em 2011, foram R$ 259 bilhões de depósitos, 20,7% a mais que o ano anterior.


Fonte: Contraf-CUT com Portal Terra

Dilma quer coibir ganho excessivo de bancos com juros e spread

BRASÍLIA - As altas taxas de juros cobradas pelos bancos entraram na mira da presidente Dilma Rousseff. Em reuniões com a equipe econômica, ela tem dito que não vê justificativa para que o custo dos empréstimos ainda se mantenha tão elevado no Brasil, especialmente num momento em que o Banco Central (BC) está reduzindo a Taxa Selic. Por isso, a presidente já encomendou aos técnicos um estudo sobre a composição do spread (diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e quanto ele cobra para emprestar) e o que pode ser feito para que ele seja reduzido. O pedido vem num momento em que os bancos batem recordes de lucros.

- A presidente quer reabrir logo essa agenda do spread bancário - disse um integrante da equipe econômica.

Para Dilma, como o BC já sinalizou que vai manter as taxas básicas de juros em queda (hoje estão em 10,5% ao ano), deixando-as mais próximas do padrão internacional, estaria na hora de pressionar as instituições financeiras a baixarem o que cobram tanto de empresas quanto de pessoas físicas, especialmente nos cartões de crédito. O maior acesso da população ao crédito é uma das armas com as quais o governo conta para turbinar a atividade econômica em 2012.

Os técnicos admitem que os bancos são obrigados a considerar no cálculo do spread seus custos com uma carga tributária alta e também com inadimplência, mas também lembram que a margem de lucro dessas instituições não é pequena. Dados do BC consolidados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostram que a inadimplência dos clientes responde por 30% do spread no país. Os impostos diretos equivalem a pouco mais de 20%, enquanto a margem líquida de lucro mais erros e omissões está em 32%.

O cardápio de medidas que poderiam ser adotadas é vasto e vai desde a regulamentação do chamado cadastro positivo (que reúne os bons pagadores e poderia ajudar os bancos a darem tratamentos diferenciados de acordo com o histórico de crédito de cada cliente) até uma redução de tributos que incidem sobre o crédito, como Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e PIS/Cofins. Também haveria a possibilidade de reduzir o compulsório, dando às instituições mais liberdade de emprestar seus recursos. Mas nada foi decidido ainda.

Segundo o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, o Brasil reúne ineficiências que fazem com que os bancos repassem custos aos tomadores de crédito. Mesmo assim, ele destaca que o spread bancário vem caindo no país. Embora tenha sofrido uma alta diante das turbulências internacionais (com risco de aumento da inadimplência e recuo da oferta de crédito), ele já voltou a recuar. No caso das pessoas físicas, ele está em 34 pontos, tendo chegado a quase 45 pontos em dezembro de 2008. Sendo que, para cheque especial, os juros chegam a 188% ao ano, enquanto para financiamento de automóveis está em 26 pontos. Para as pessoas jurídicas, é de 19 pontos.

Para Sardenberg, o mais eficaz para baixar o spread seria a regulamentação do cadastro positivo, a desoneração tributária e a redução dos compulsórios.

O Globo
Gabriela Valente e Martha Beck