sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cliente do Itaú Unibanco é baleado em "saidinha de banco" em Botafogo

O norte-americano Brent Winter Giraud, de 29 anos, foi baleado no joelho esquerdo, na tarde de quarta-feira (4), após descer de um ônibus na esquina das ruas São Clemente e Nelson Mandela, em Botafogo, não muito distante da 10ª DP (Botafogo), no Rio de Janeiro. Giraud foi atingido ao reagir a um assalto, praticado por dois homens que estavam numa motocicleta.

A dupla de bandidos seguiu o estrangeiro desde a agência do Itaú Unibanco da Rua Humaitá, no Humaitá. Eles queriam aplicar o golpe da "saidinha de banco", mas não conseguiram.

Giraud, que é casado com uma brasileira e tem visto permanente no Brasil, foi socorrido por uma ambulância do Corpo de Bombeiros de Botafogo e levado para um hospital, onde foi operado e não corre risco.

Vítima desconfiou de motociclista e voltou

O americano foi à agência com a sua mulher e sacou mais de R$ 10 mil em dinheiro. Ao sair do banco, ele teria desconfiado de um homem numa motocicleta e, por isso, retornou à agência.

Entregou o dinheiro à mulher e foi embora. Embarcou no ônibus e foi seguido, desta vez por dois homens na moto, que tinha a placa escondida por adesivos. Assim que Giraud desceu do coletivo, foi abordado pela dupla.

"Passa logo o dinheiro que você sacou no banco", teria dito um dos motoqueiros, armado com uma pistola de 9mm. Mas, segundo o subcomandante do 2º BPM (Botafogo), tenente-coronel Alípio Bonfim, Giraud reagiu e se atracou com o ladrão.

O bandido armado, então, disparou um tiro à queima-roupa no joelho esquerdo da vítima. Eles fugiram em seguida. Segundo testemunhas, os ladrões são um homem branco e outro negro.


Casos do crime conhecido como saidinha de banco não têm sido incomuns em Botafogo. No dia 30 de novembro, o estudante de direito da Fundação Getúlio Vargas Lucas Thevenard Gomes, de 25 anos, foi baleado na barriga ao deixar uma agência do Itaú, no bairro, com R$ 15 mil. Ele foi abordado por dois homens armados numa moto.

Um gerente de um ponto de táxi na Praia de Botafogo testemunhou o crime:

- O rapaz já tinha entrado no táxi quando os homens chegaram. O que estava na garupa saltou e puxou a porta, que ainda estava aberta - contou.

Em ambos os casos, a polícia pode ter a colaboração de imagens de câmeras da CET-Rio para as investigações.

Fonte: Contraf-CUT com O Globo

Quadrilha entra pelo banheiro e leva cofre do Banco da Amazônia em Tocantins

A Polícia Civil está investigando o furto do cofre da agência do Banco da Amazônia, localizada no município de Guaraí do Tocantins, a 173 km de Palmas. A ação dos assaltantes foi na madrugada de terça-feira (2) para quarta-feira (3). As imagens do circuito interno da agência já estão sendo analisadas pela Polícia Civil.

De acordo com as informações levantadas, o banco não tem vigia e o crime só foi percebido quando o superintendente do banco chegou à agência.

A equipe da Polícia Técnica-Científica esteve no local para realizar a Perícia Criminal e de acordo com a perita Maria Aparecida Costa Soares Noleto, os bandidos tiveram acesso ao banco por um lote comercial, ao lado da agência, subiram no muro e entraram pelo banheiro masculino.

"A quadrilha utilizou sacos pretos para tampar os sensores de presença e viraram as câmeras de segurança. Dentro do estabelecimento, desligaram o sistema do portão eletrônico para que um carro entrasse e levaram um cofre de 1,5 metro de altura por 74 cm de largura. Provavelmente o bando era composto por mínimo três homens", disse Aparecida.

Por volta das 13 horas desta quarta-feira foi localizado um cofre, na quadra 903 Sul de Palmas. A Polícia já investiga se o mesmo foi o cofre furtado do Basa.

O caso está sendo investigado pela equipe da 1ª Delegacia de Polícia de Guaraí do Tocantins, com o apoio da Divisão de Repressão a Sequestro, Furtos e Roubos a Banco - DRSFRB - Deic de Palmas.

Muito Além do Cidadão Kane - na íntegra mais de 1h e 30 min de repúdio a Rede Globo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

HSBC abusa e põe correspondente bancário em agências de São Paulo

Um projeto piloto implementado em agências de São Paulo pela direção do HSBC tem causado indignação entre os trabalhadores. Desde o final de dezembro, o banco inglês instalou equipamentos de correspondentes bancários - os mesmos aparelhos que funcionam em farmácias e supermercados - num balcão instalado logo após a porta giratória e, pior, sendo operado por
menor aprendiz.

"É a precarização da precarização. Um absurdo que não vamos tolerar e estamos exigindo que o banco mude de postura. Se a empresa quer atender mais rápido e melhor, tem de contratar mais funcionários e valorizar os trabalhadores, pois o HSBC está entre os bancos que pagam as menores remunerações aos empregados", afirma a diretora do Sindicato dos Bancários de são Paulo, Liliane Fiuza.

De acordo com a dirigente, na base do Sindicato - São Paulo, Osasco e região - existem pelo menos dez agências que já contam com esse tipo de serviço.

Correspondentes

A utilização de correspondentes para precarizar as condições de trabalho é duramente criticada pelo Sindicato. O Conselho Monetário Nacional (CMN) determinou que a partir do dia 2 de abril será proibido o funcionamento dos correspondentes dentro das agências.

"Nossa luta não para por aí, reivindicamos que os correspondentes não funcionem também ao lado das agências e que os trabalhadores tenham os mesmos direitos da categoria bancária", acrescenta Liliane.
Fonte: Seeb São Paulo

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Lista suja do trabalho escravo bate recorde e passa a conter 294 infratores

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou o Cadastro de Empregadores flagrados explorando mão-de-obra análoga à escrava no país. Conhecido como "Lista Suja", o Cadastro apresenta 52 inclusões e passa a conter 294 infratores, entre pessoas físicas e jurídicas, número recorde. Apenas dois nomes foram retirados da lista, após comprovarem terem cumprido os requisitos para a exclusão. Para ver a lista completa, clique aqui.

"Nunca tivemos tantos empregadores irregulares ao mesmo tempo. Estamos atuando no trabalho escravo urbano pois temos empregadores infratores também nesse meio. Nosso compromisso em 2012 é intensificar a atuação nessa área", destacou o chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do MTE, Alexandre Rodrigo Teixeira da Cunha Lyra.

Para coibir o uso ilegal de mão-de-obra análoga a de escravo, o governo criou em 2004 um cadastro onde figura os empregadores flagrados praticando a exploração. Ao ser inserido nesse cadastro, o infrator fica impedido de obter empréstimos em bancos oficiais do governo e também entra para a lista das empresas pertencentes à "cadeia produtiva do trabalho escravo no Brasil". O cadastro é utilizado pelas indústrias, varejo e exportadores para a aplicação de restrições e não permitir a comercialização dos produtos advindos do uso ilegal de trabalhadores.

A lista passa por atualizações maiores a cada seis meses. Os nomes são mantidos por dois anos e, caso o empregador não volte a cometer o delito e tenha pago devidamente os salários dos trabalhadores, o registro é excluído. A inclusão do nome no Cadastro ocorre após decisão administrativa relativa ao auto de infração, lavrado em decorrência de ação fiscal, em que tenha havido a identificação de trabalhadores submetidos ao "trabalho escravo".

As novas inclusões foram efetuadas com base em pesquisas realizadas no Sistema de Acompanhamento de Combate ao Trabalho Escravo (SISACTE); consultas no Controle de Processos de Multas e de Recursos (CPMR) e no Setor de Multas e Recursos (SEMUR) das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego - (SRTE), além de consultas a banco de dados do governo federal, como o da Procuradoria da Fazenda Nacional.

As exclusões derivaram do monitoramento pelo período de dois anos da data da inclusão do nome do infrator no Cadastro, verificadas a não reincidência na prática do "trabalho escravo"; do pagamento das multas resultantes da ação fiscal, bem como da comprovação da quitação de eventuais débitos trabalhistas e previdenciários.

Grupo Móvel

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou, até o dia 29 de dezembro, 2.271 pessoas encontradas em situação degradante de trabalho em 158 operações em 2011. Foram pagos mais de R$ 5,4 milhões em indenizações trabalhistas, e inspecionados 320 estabelecimentos, segundo dados da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae). Entre o período de 1995 a 2011, já foram resgatados 41.451 trabalhadores em todo o país, totalizando 1.240 operações.

"Estamos acompanhando o segundo plano de erradicação do trabalho escravo. É uma ótima iniciativa e temos números bem satisfatórios nesse enfrentamento. O quadro geral, que engloba tanto a Secretaria de Inspeção do Trabalho como as Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego, mostra que foram bem mais de 2.200 trabalhadores resgatados em 2011", avalia Lyra.

O Ministério do Trabalho e Emprego tem atuado de forma intensa no combate ao trabalho escravo. As denúncias relacionadas a esse tipo de atividade são recebidas diretamente pela Secretaria de Inspeção, pelas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego ou pelas diversas instituições parceiras, como a Comissão Pastoral da Terra, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Departamento de Polícia Federal, dentre outros.


Fonte: MTE

Quadrilha assalta agência do Itaú dentro de subprefeitura no Paraná

Uma agência do Itaú Unibanco, que fica dentro da subprefeitura de Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba (RMC), foi assaltada no início da tarde de terça-feira (3), por volta das 13h20, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM).

Quatro assaltantes, armados, entraram no local pela porta lateral, geralmente utilizada pelos funcionários. Em seguida, os ladrões renderam o vigilante e foram até o caixa, de onde levaram uma quantia de dinheiro não divulgada.


Eles teriam fugido em duas motocicletas em direção ao jardim Ana Terra, no município de Colombo, também localizado na região metropolitana da capital.


A Delegacia de Almirante Tamandaré, em parceria com o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) de Curitiba, investiga o caso.




Fonte: Gazeta do Povo e Bonde com Portal Banda B

Gerente é sequestrado e feito refém por 4 horas durante assalto em Campinas

O gerente de uma agência bancária, na Avenida Imperatriz Leopoldina, no bairro Vila Nova, em Campinas, foi mantido refém de uma quadrilha que roubou dinheiro do cofre e obrigou que os funcionários atendessem normalmente o público. O valor roubado não foi revelado.

Os bandidos mantiveram o gerente por cerca de quatro horas fora do banco. Por telefone, ele foi obrigado a autorizar a entrada de dois dos integrantes do grupo que foram até o cofre. Uma foto do gerente sob a mira de armas foi mostrada aos funcionários pela dupla.

O gerente foi libertado assim que o bando conseguiu o dinheiro. Ele telefonou para o banco e para a polícia informando sobre a ação dos bandidos. Até ontem à tarde, nenhum dos assaltantes tinha sido identificado.

A quadrilha demonstrou que tinha muitas informações sobre o gerente, inclusive, seus horários e hábitos particulares. A ação foi planejada, conforme informaram os policiais.

OUTROS CASOS

No ano passado, seis roubos a banco em Campinas foram registrados também com ações planejadas. O que rendeu o maior valor, cerca de R$ 1,3 milhão, ocorreu numa agência no Centro.

No mesmo horário, segundo a polícia apurou, um integrante da quadrilha invadiu uma outra agência, perto da Catedral Metropolitana, e fez dois funcionários reféns. A ação mobilizou cerca de 40 homens das policias Militar, Civil e da GM (Guarda Municipal). Enquanto as atenções das forças de segurança estavam voltadas para o banco com reféns, parte da quadrilha roubava dinheiro do cofre e de 33 caixas eletrônicos da outra agência.

Sequestros de gerentes ocorreram também em Monte Mor e Paulínia. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Banco que usar meio eletrônico fora da jornada deve pagar horas extras

Os bancários devem ficar atentos ao receber mensagens no celular, por e-mail ou ligações telefônicas de seus gestores fora do horário e local de trabalho. Lei, de autoria do ex-deputado federal Eduardo Valverde (PT-RO) e sancionada no último dia 15 de dezembro pela presidenta Dilma Rousseff, altera o artigo 6º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e equipara os efeitos jurídicos da subordinação exercida por meios eletrônicos à exercida por meios pessoais e diretos no trabalho.

Clique aqui para ver a íntegra da Lei 12.551/2011.

Segundo a nova redação do artigo 6º da CLT, "não se distingue entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do empregado e o realizado a distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de emprego".

O novo texto da lei acrescenta que "os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio".

"A nova lei é um avanço, pois trata de um dos problemas enfrentados pelos trabalhadores com o advento dos meios eletrônicos. Os torpedos, telefonemas e e-mails enviados pelos gestores fora da jornada de trabalho, quase sempre pressionando o trabalhador para o cumprimento de metas abusivas, são efetivamente formas de trabalho à distância, devendo ser remunerados na forma da CLT e da convenção coletiva", afirma Plínio Pavão, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.

Para Plínio, "a partir de agora, os bancos terão que tomar mais cuidado ao utilizar os meios eletrônicos fora da jornada de trabalho, pois a nova lei estabelece relações trabalhistas e obriga o pagamento de horas extras aos bancários".

Teletrabalho

André Grandizoli, secretário-adjunto de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), explica que a medida representa o ajuste da legislação ao avanço da tecnologia. Para ele, a lei pode ser vista como "uma evolução, por reconhecer um tipo de trabalho que já ocorre, o chamado teletrabalho".

"A modernidade chegou e a legislação acaba de se integrar a essa modernidade", disse André

Na visão do secretário-adjunto, com as mudanças, não importa mais o local de trabalho, mas se o trabalhador executa a tarefa determinada pela empresa. Ele destaca ainda que pretende-se com esse dispositivo que o tempo do trabalhador em função do empregador seja reconhecido, independentemente do meio utilizado ou da presença física na empresa.

"Se o trabalhador estiver à disposição do empregador fora do local de trabalho, por meio telemático, ele deve receber horas extras", destacou.

Lotérica é assaltada pela segunda vez em menos de 20 dias em Ijuí

A Lotérica Leão da Sorte, na Rua Benjamin Constant, proximidades da Praça da República, no centro de Ijuí, no interior do Rio Grande do Sul, sofreu um novo assalto na manhã do último sábado, dia 31 de dezembro. Foi o segundo caso em menos de 20 dias e com características semelhantes.

Segundo testemunhas, perto do meio dia, um homem entrou no local armado de revólver e praticou o roubo do dinheiro do estabelecimento.


Em seguida, o bandido saiu a pé em direção à Rua Ernesto Alves e fugiu com um comparsa que o aguardava de motocicleta.


No dia 12 de dezembro, a mesma lotérica já havia sido roubada por um homem armado e usando capacete, quase no mesmo horário.


Fonte: Fetrafi-RS

O mundo do dinheiro e seus heróis

Até um certo momento os ricos ou escondiam sua riqueza ou tratavam de passar despercebidos, como se não ficasse bem exibir riqueza em sociedades pobres e desiguais. Ou até também para escapar da Receita.

De repente, o mundo neoliberal - esse em que tudo vale pelo preço que tem, em que tudo tem preço, em que tudo se vende, tudo se compra – passou a exibir a riqueza como atestado de competência. Nos EUA se deixou de falar de pobres, para falar de “fracassados”. Numa sociedade que se jacta de dar oportunidade para todos, numa “sociedade livre, aberta”, quem nao deu certo economicamente, é por incompetência ou por preguiça.

Ser rico é ter dado certo, é demonstrar capacidade para resolver problemas, ter criatividade, se dar bem na vida, etc., etc. Até um certo momento as biografias que se publicavam eram de grandes personagens da historia universal – governantes, lideres populares, gênios musicais, detentores de grandes saberes. A partir do neoliberalismo as biografias de maior sucesso passaram as ser as dos milhardários, que supostamente ensinam o caminho das pedras para os até ali menos afortunados.

Todos dizem que nasceram pobres, subiram na vida graças à tenacidade, à criatividade, ao trabalho duro, ao espirito de sacrifício. Tiveram tropeços, mas nao desistiram, leram algum guru de auto-ajuda que os fez aumentarem sua auto estima, acreditarem mais em si mesmos, recomeçarem do zero, até chegarem ao sucesso indiscutível.

Seus livros se transformam em best-sellers, vendem rapidamente – até que vários deles caem em desgraça, porque flagrados em algum escândalo -, eles viajam o mundo dando entrevistas e vendendo seu saber que, se fosse seguido por seus leitores, produziria um mundo de ricos e de pessoas realizadas e felizes como eles.

Quem vai publicar um livro de um “fracassado”? Só mesmo se fosse para que as pessoas soubessem quais os caminhos errados, aqueles que nao deveriam seguir, se querem ser ricos, bonitos e felizes. O mundo do trabalho, da fábrica, do sindicato, dos movimentos de bairro, das comunidades – mundo marginal e marginalizado.

Programas de televisão exaltam os ricos, os bem sucedidos, as mulheres que exibem sua elegância, sua falta de pudor de gastar milhões na Daslu e nas viagens a Nova York e a Paris. Ninguém quer ver gente feia, pobre, desamparada, que só frequenta os noticiários policiais e de calamidades naturais. As telenovelas tem como cenários os luxuosos apartamentos da zona sul do Rio e dos jardins de Sáo Paulo, com belas mulheres e homens que não trabalham, no máximo administram empresas de sucesso. Os pobres giram em torno deles – empregadas domésticas, entregadores de pizza, donos de botecos -, sempre como coadjuvantes do mundo dos ricos, que propõem o tipo de vida que as pessoas deveriam ter, se quiserem ser ricos, bonitos, felizes.

Esse mundo fictício esconde os verdadeiros mecanismos que geram a riqueza e a pobreza, os meios sociais – os bancos por um lado, as fábricas por outro – em que se geram a riqueza e a fortuna, a especulação e a expropriação do trabalho alheio. Em que estão os vilões e os heróis das nossas sociedades.

Insegurança cresce na Bahia com 110 ataques a bancos em 2011

Em uma coisa todo mundo concorda. O ano de 2011 foi recorde em número de ataques a bancos. Até o meado de dezembro, foram registrados 110 ocorrências, sendo 82 assaltos e 28 explosões de caixas eletrônicos. Os dados superam os anos de 2010, 2009 e 2008. No ano passado foram 60 registros e em 2009 e 2008, 44 e 48, respectivamente.

O alvo preferido é o Banco do Brasil, com 65 ataques. A maioria no interior. É o caso das agências localizadas nos municípios de Lagoa Real e Boninal, assaltadas duas vezes.

De acordo com o Major Ramalho, comandante da 35ª Companhia Independente da Polícia Militar (Iguatemi), os bancos não fazem muito para evitar a ação dos bandidos. “Os banqueiros não quererem tomar providências na segurança interna das agências. Eles empurram a responsabilidade”.

Saidinha
Segundo o major Ramalho Neto, graças ao trabalho de prevenção, houve redução nos casos de saidinhas bancárias na área em que atua. “Fazemos abordagens junto com o Esquadrão Águia nas áreas próximas às agências, chamada de zona vermelha”. Mas, as medidas ainda parecem insuficientes, pois todos os dias alguém é vitima do crime em Salvador.

Os clientes tentam não entrar para as estatísticas. A cabeleireira Maria Railda Santos diz ficar tensa dentro das agências. “Faço de tudo para não correr risco quando tenho que ir até o banco. Já usei até bolsinhas por baixo da roupa para esconder o dinheiro sacado”.

Novas modalidades
As quadrilhas especializadas em assalto a banco não cansam de inventar novas modalidades para roubar o dinheiro dos bancos. Entre elas, a “pesca” em caixas eletrônicos e os buracos feitos nos terminais conectados a um computador.

No caso da “pescaria”, o dispositivo criado pelos bandidos, consiste em uma corda instalada nos terminais eletrônicos que seguram os envelopes de depósitos. Quando os clientes efetuam a operação, os criminosos retornam e “pescam” o dinheiro.

Os bandidos fazem buracos nos caixas eletrônicos, conectando a um notebook aos fios do equipamento, para invadir o sistema operacional e efetuar o saque. O benefício nessa ação serve para burlar as notas manchadas pelas explosões dos caixas eletrônicos. 

Ladrões arrombam agência do Itaú com buraco no teto em Novo Hamburgo

Ladrões arrombaram uma agência do Itaú, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, no interior do Rio Grande do Sul. Os criminosos abriram um buraco na laje de concreto que cobre a agência, taparam a câmera de segurança e arrombaram dois cofres.

O crime foi descoberto depois que o alarme do prédio alertou uma empresa de segurança privada, que acionou a Brigada Militar por volta de 1h45min de segunda-feira (2). O banco não divulgou os valores roubados.

De acordo com a polícia, não há registro da ação pelas câmeras da agência, localizada na Avenida Primeiro de Março, no bairro Ideal, nem suspeitos de cometer o crime.

- Eles deixaram várias ferramentas, que indicam como entraram no local. Havia serra, talhadeira, disco de corte e broca. Foi um trabalho que durou bastante tempo - explica o chefe de investigação da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Novo Hamburgo, Rudimar de Freitas Costa.

Após entrar na agência, os ladrões viraram a câmera de segurança para cima e a cobriram com um pano. Em seguida, utilizaram as ferramentas para chegar ao dinheiro. O arrombamento foi realizado na parede lateral e não na porta dos dois cofres. A polícia não tem informações sobre quantas pessoas participaram da ação.

Não se sabe por que o alarme do banco não soou imediatamente após o arrombamento. Quando o dispositivo foi acionado, já não havia sinal da presença dos ladrões, e não está descartada a possibilidade de o crime ter ocorrido no final de semana.

Após a chegada da BM, uma inspeção foi realizada na parte externa do prédio, mas nada foi constatado. Foi apenas após a chegada do gerente que o roubo foi notado.

- O buraco aberto no teto era largo o bastante para permitir a entrada de um homem grande. Eles usaram um disco para cortar a lateral do cofre e depois serraram o ferro - afirma Costa.

A polícia procura agora identificar câmeras de segurança de outros prédios próximos ao local da agência para verificar se foram registradas imagens que mostrem os ladrões em ação. Além disso, as câmeras do próprio banco também serão analisadas.

Fonte: Zero Hora

Assaltos a agências dos Correios sobem 22% em 2011 na Paraíba

As agências das Empresas Brasileiras de Correios e Telégrafos sofreram pelo menos 65 assaltos em 44 cidades na Paraíba em 2011. O número é 22% maior em relação à quantidade de ações criminosas registradas no ano anterior, um total de 53.

Conforme levantamento baseado em notícias publicadas pelo G1, os alvos preferenciais foram estabelecimentos localizados na região Agreste. Segundo o gerente dos Correios em Campina Grande, José Leite, os pontos mais vulneráveis estão localizados em cidades de pequeno porte e que movimentam grandes quantias de dinheiro.


Apesar do número de assaltos ter superado a quantidade registrada em 2010, o diretor regional dos Correios na Paraíba, José Antônio Trajano, descartou o fechamento de unidades. Em vez de sucumbir à pressão dos criminosos, ele informou que a empresa vai fortalecer sua atuação no Estado e já definiu os municípios que ganharão mais pontos de atendimento.


Em novembro, a empresa divulgou que fez um estudo sobre os pontos de maior risco entre as 236 agências em funcionamento no Estado. A partir da análise, foi traçado um plano de segurança a ser colocado em ação a partir de janeiro de 2012, quando os Correios atuarão como correspondentes do Banco do Brasil.


Alegando questão de segurança, a assessoria de imprensa da instituição não divulgou o número oficial de agências atacadas nem o valor do investimento para a segurança, mas adiantou que as ações propostas incluem a contratação de vigilantes e a instalação de portas giratórias nas agências localizadas nos pontos mais 'vulneráveis'.


A modernização dos equipamentos de vigilância eletrônica é outra preocupação. Segundo Trajano, um novo sistema vai permitir que o setor de segurança dos Correios monitore ao vivo todas as agências do estado.


"Nosso objetivo é facilitar o trabalho das polícias, porque o tempo de aviso das ocorrências irá diminuir em muito, facilitando a ação das autoridades de segurança", explicou em entrevista à TV Paraíba.



Fonte: G1

Bandidos invadem supermercado e explodem caixa eletrônico em Americana

Um caixa eletrônico foi explodido na madrugada de domingo, dia 1º, em Americana, no interior de São Paulo. O assunto foi destaque na edição desta terça-feira (3) do Bom Dia Brasil da Rede Globo.

Segundo a Polícia Militar, três homens armados chegaram a um supermercado em carro, estouraram o cadeado do estacionamento e quebraram uma porta de vidro com uma barra de ferro para ter acesso a um terminal bancário.


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Explosivos foram utilizados para arrombar o caixa. Os suspeitos fugiram com três gavetas de dinheiro. Com o impacto da explosão, outro caixa eletrônico foi danificado, além de uma lanchonete e um banheiro próximos. Ninguém foi preso.


O prejuízo para o supermercado ainda não foi calculado. Os criminosos aproveitaram o momento da queima de fogos na virada do ano para fazer a explosão.



Fonte: Contraf-CUT com G1

Bancários lembram presidente falecido do Sindicato de Angra dos Reis

Clóvis de Castro Souza, presidente do Sindicato dos Bancários de Angra dos Reis, faleceu na madrugada do último dia 28 de dezembro. Ele estava internado há duas semanas e sofreu falência múltipla dos órgãos, provocada por uma infecção generalizada.

"O movimento sindical perdeu um companheiro de luta que deixa um legado de humildade, simplicidade, comprometimento e representatividade na categoria bancária. Clóvis sempre atuou representando todos os trabalhadores com o mais alto profissionalismo", destacou Fabiano Júnior, presidente da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo.


O vice-presidente da Feeb RJ-ES, Nilton Damião Esperança, também destacou a postura de Clóvis em sua atuação sindical e como amigo e companheiro de lutas: "Perdemos nosso companheiro, irmão e em alguns momentos até mesmo nosso pai. Clóvis, no tempo que esteve conosco, mostrou simpatia, honestidade, fidelidade e várias outras virtudes, que, se formos enumerar, não conseguiremos listar todas. Quero, neste momento, pedir a todos que rezem e peçam a Deus que ele descanse em paz e siga para o lugar que merece, pois todos sabemos que, se depender da sua passagem aqui na terra, será o melhor lugar possível", declarou Nilton.


Longa trajetória


Clóvis tinha 60 anos e era bancário da Caixa Econômica Federal desde 1980. Entrou para a direção do Sindicato de Angra dos Reis em 1991, na segunda gestão da jovem entidade, fundada em 1988. Por três vezes foi eleito para a presidência e também ocupou o cargo por meio mandato, completando o período da gestão de Jorge Valverde, com quem vinha se revezando no comando do Sindicato nos três últimos mandatos.


Segundo o amigo Valverde, mesmo doente, Clóvis não descuidou de suas responsabilidades para com os trabalhadores. "As últimas palavras dele, antes de perder a consciência, foram sobre atividades do Sindicato", relata o dirigente.


A doença que vitimou Clóvis agiu rápido. Há duas semanas ele foi internado com dores na perna e no quadril. Como já havia apresentado problemas no nervo ciático, pensou que se tratava de nova manifestação desta enfermidade.


Por alguns dias o diagnóstico médico foi inconclusivo, até que foram sendo detectadas alterações nos órgãos vitais: fígado, rins, baço, vesícula. Foi submetido a hemodiálise para evitar que a bactéria, já detectada, chegasse ao coração.


Mas não foi possível deter o avanço da doença. Clóvis entrou em coma e veio a falecer.


Fabiano Júnior resumiu bem o sentimento que toma conta de toda a diretoria e funcionários da Feeb RJ/ES: "O sindicalismo e a categoria perderam um dirigente. Nós, da Federação, perdemos um amigo."


"Clóvis sempre foi um companheiros de todos as lutas e sempre esteve na linha de frente da categoria bancária, onde tinha uma atividade, lá estava o Clóvis com toda sua garra e força. Nunca se dobrou aos poderosos banqueiros", recorda o diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Vinicius Assunpção.


A Contraf-CUT, junto com a Feeb RJ-ES e o Sindicato do Rio, reitera os sentimentos de pesar e solidariedade aos seus familiares, amigos e companheiros do Sindicato de Angra dos Reis.


"A trajetória de Clóvis não foi em vão e o nosso movimento muito cresceu com os exemplos deixados por esse dirigente sindical, sempre comprometido com as lutas da categoria e dos trabalhadores, que orgulha e ilumina a caminhada dos bancários do Rio e do Brasil", conclui o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.


A missa de 7º dia será celebrada nesta terça-feira (3), às 18 horas, na Catedral de Itaguaí, no interior do Estado do Rio.


Fonte: Contraf-CUT com Feeb RJ-ES e Seeb Rio

Dupla é presa após assaltar lotérica e trocar tiros com PMs em Cuiabá

Dois assaltantes foram baleados por um policial militar após abriram fogo contra o PM. Trata-se de Welington Nascimentoda Guia, de 18 anos, atingido no dedo e Fernando Alves, de 30, baleado nas costas. O confronto ocorreu na tarde de sexta-feira (30), após a dupla assaltar uma lotérica na rua Comandante Costa, no centro de Cuiabá e fugir com cerca de R$ 2,8 mil retirados dos caixas.

Minutos antes, o carro-forte havia recolhido o movimento do dia que foi grande, graças aos jogos da megasena da virada. Os apostadores chegaram a formar fila na frente da lotérica.


A dupla fugiu numa motocicleta Honda preta. A manobra chamou a atenção de um policial do Grupamento Motorizado que seguiu a dupla que estava em atitude suspeita. O PM solicitou reforço que fechou o cerco algumas ruas depois.


Na rua Batista das Neves, os ladrões caíram da moto ao fazer uma curva e desceram atirando contra o PM que conseguiu balear os dois assaltantes. Assim que chegaram mais policiais, a dupla foi presa e levada ao PSC para ser medicada. "Naquele momento já tínhamos a informação de que os dois tinham assaltado a lotérica", informou um dos policiais.


Conforme as funcionárias da lotérica, os dois chegaram armados e as renderam. Elas então colocaram o dinheiro em cima do balcão. Não satisfeitos, obrigaram uma funcionária a abrira porta. Eles reviraram a gaveta e pegaram mais R$ 1 mil. "Foram até o escritório, mas não pegaram nada e nem quiseram abrir o cofre. Eles fugiram na contramão e logo passou um policial de moto e acenamos para ele que a lotérica tinha sido assaltada", explicou uma das vítimas.


Os policiais não souberam informar se os dois possuem antecedentes. Os assaltantes se reservaram no direito de falar somente em juízo.


Fonte: Midia News - Cuiabá

Midia News | Vídeos | Criminosos explodem caixa eletrônico na noite de Réveillon -

Midia News | Vídeos | Criminosos explodem caixa eletrônico na noite de Réveillon -

Bandidos explodem caixa eletrônico em banco da região de Curitiba

Ação foi na madrugada deste sábado (31) em Campina Grande do Sul.
Cinco homens armados com fuzis renderam um vigia de posto vizinho.

Bandidos explodiram o caixa eletrônico de uma agência bancária do município de Campina Grande do Sul, região metropolitana de Curitiba, na madrugada deste sábado. De acordo com a Polícia Militar, cinco homens armados com fuzis usaram dinamite para estourar o caixa.

O vigia de um posto de combustíveis paralelo ao banco foi rendido, mas não se feriu na ação. A agência fica a três quadras da Delegacia do município, mas apenas um policial estava no local na hora do roubo, cuidando dos presos.

Parte do dinheiro ficou espalhada pelo chão e foi recolhida pela PM. Foram encaminhados para a delegacia R$ 3.269, mas não se sabe o valor total do roubo. A investigação deve se basear nas imagens da câmera de segurança do banco, mas apenas após o feriado, já que delegacia opera em regime de plantão.
 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O menino e o lixo: um Conto de Natal

Este deve ser o conto de natal de nossos tempos. Os dois meninos foram catar material reciclável no lixão de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Uma das máquinas empurrou a massa de detritos, para fazer espaço – e os soterrou. Um deles, mais ágil, conseguiu escapar. Maikon Correa de Andrade, de nove anos, ficou sob o lixo, e seu corpo foi encontrado muitas horas depois pelos bombeiros.

Maikon deve ser um dos milhares de máicons que receberam esse nome em homenagem a Michael Jakson, porque é assim que alguns ouvidos registram o nome do ídolo. Um dia, a mãe de Maikon deve ter sonhado destino de riqueza e de glória para o filho, e, nessa esperança, dado ao recém-nascido o nome de uma estrela. Maikon não sabia cantar, não sabia dançar – e talvez nem soubesse catar alguma coisa que prestasse no meio do lixo. Ele poderia ter pisado em uma agulha de seringa e se ter contaminado de alguma doença fatal, como já ocorreu a muitos. Mas poderia ter encontrado alguma coisa ainda precariamente servível, como um brinquedo jogado fora. Ou, apenas, teria recolhido restos de metal, fios de cobre, coisas de estanho e chumbo, para serem vendidos a intermediários, e destinados à reciclagem. Se Maikon conseguiu alguma coisa, não a tinha em suas mãos, rijas depois de tantas horas já mortas.

A morte de Maikon é um conto de Natal, sem a ternura dos relatos de Dickens ou de Mark Twain – mas é também a parábola negra do novo liberalismo triunfante. Somos uma sociedade que se dedica a produzir lixo.

As mercadorias que chegam ao mercado são, quase todas elas, lixo. Começamos com a embalagem – e essa civilização pode ser considerada a “civilização da embalagem” – tanto mais inútil quanto mais sofisticada. A essência da mercadologia – ou do marketing, se preferirmos – é a embalagem, trate-se de manteiga ou de candidatos a cargos eletivos; trate-se de hospitais ou de calistas. Todos os produtos, que a embalagem embeleza, são também lixo em sursis: concebidos para durar pouco. A idéia da reciclagem, fora a dos metais, é recente. Trata-se de um escamoteio da consciência, a de que o meio ambiente pode ser preservado com esse expediente esperto do capitalismo.

O mundo produziria menos lixo, se a idéia do lucro não prevalecesse sobre a idéia da vida. Assim, é o próprio capitalismo, em sua essência, que deve ser discutido. A mesma desrazão que produz o lixo material, produz o que sua lógica considera o lixo humano – os seres descartáveis que o senso estético e prático burguês rejeita. Os pobres são seres instrumentais, como as ferramentas que enferrujam, e, uma vez sem serventia, pelo uso e pelo tempo, devem ser jogadas fora. Sua reciclagem se faz nos filhos, que podem ser usados.

Maikon foi sepultado no lixo em que buscava a sobrevivência antes que cumprisse o destino do pai e, provavelmente, do avô. Morrendo tão cedo, frustrou o destino que provavelmente o esperava. Nada mais natural que Maikon, que morava em um bairro miserável de Campo Grande – ironicamente batizado com o nome do primeiro bispo e arcebispo da cidade, Dom Antonio Barbosa – se misturasse, aos nove anos, com os resíduos dos bairros ricos.

Mas, e se Maikon não tivesse ido ao lixão nesses dias entre o Natal e o Ano Novo, quando há presépios toscos mesmo nas casas pobres, e quando se celebra a vinda de Cristo e o início de mais uma volta da Terra em torno do Sol – o que poderia ocorrer em seu futuro? Como outros meninos, não muitos, mas alguns, ele talvez viesse a driblar o destino, crescer e deixar uma forte presença no mundo. Não era de se esperar - mesmo com a tentativa desnecessária dos evangelistas em lhe conferir progênie divina e ancestralidade nobre - que aquele menino nascido em uma gruta de Belém, viesse a dividir o mundo em duas eras. Afinal, ele, nascido na estrada, era de Nazaré – e se dizia, em seu tempo, que de Nazaré nada chegava de bom a Jerusalém.

Mesmo com o estranho nome de Maikon, o menino de Campo Grande era ainda um enigma, quando morreu sufocado pela sujeira da cidade rica.

Toda criança encerra, em si mesma, a dialética do futuro. Maikon poderia vir a ser um traficante de fronteira, ou um grande homem, nas artes ou na ciência. É nesse profundo mistério que se sepultou seu destino. O corpo, resgatado do lixo, voltou ao barro de que todos nós viemos, ricos e pobres, orgulhosos uns, humilhados outros.

Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

O capitalismo abre as jaulas e parte para cima

Logo após a eclosão da crise mundial, em 2008, não faltaram lideranças políticas a anunciar seu engajamento histórico num esforço para a 'refundação do capitalismo'. Sarkozy, que ajoelha e reza o terço ortodoxo atualmente e desse genuflexório enfrenta as urnas em abril, foi uma das vozes da 'ruptura por dentro'.

Em 15 de outubro de 2008, na presidência rotativa da UE, o aspirante a mini De Gaulle anunciou um acordo "unânime" dos 27 estados membros para 'promover a refundação do sistema capitalista mundial'. Entre outras iniciativas alardeadas "para evitar uma recidiva da crise" prometia-se implantar um rígido arcabouço de controle e fiscalização do sistema financeiro e fulminar nada menos que o coração do circuito especulativo, extinguindo-se os paraísos fiscais.

A recuperação do arsenal regulatório acionado por Franklin Roosevelt nos anos 30 esteve presente também, por algum tempo, na boca desacreditada de Barack Obama. E a instituição de taxas sobre operações financeiras para contrabalançar a supremacia das finanças desreguladas chegou a ser objeto de discussões no âmbito do próprio G-20.

Parece que faz um século. Mas passaram-se menos de quatro anos. Não foi o tempo que apertou o passo. Foi a decrepitude do capitalismo que mostrou a sua nitidez de uva passa no espelho da crise. A incapacidade de renovação, ainda que em eterna fuga para a frente a exemplo do que se fez na crise dos anos 30 e no pós-guerra, é a cicatriz mais assustadora desse semblante carcomido, de cuja garganta ecoa a voz de Angela Merkel a grunhir a consequência desse limite ,com a anuência obsequiosa de seus pares: "2012 será ainda pior que 2011". Nada mais a prometer. O pior.

Ao contrário da festiva 'refundação' de 2008, o vaticínio germânico materializa-se de forma avassaladora na dinâmica de arrocho em curso na Europa, onde tenazes plutocráticos esgoelam a economia e a sociedade na base do faça-se o que for preciso para manter a "ordem em ordem".

Aumentar a jornada de trabalho sem remuneração correspondente sintetiza a disposição dos apetites liberados das jaulas das aparências. Se as forças democráticas e de esquerda não condensarem a revolta das ruas num programa de mudanças urgente, factível e mobilizador, o augúrio de Merkel estenderá seu prazo de validade indefinidamente. É tudo o que o sistema tem a oferecer. E não está pedindo licença para entregar.

Graziano assume FAO e um imenso desafio: 925 milhões passam fome no mundo

O agrônomo e economista brasileiro José Graziano da Silva assumiu formalmente nesta segunda-feira (1) a direção-geral da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, sediada em Roma. Ele substitui o senegalês Jacques Diouf, que estava no cargo de 1994.

O mandato de Graziano durará até julho de 2015 e reforça a imagem do Brasil como um país engajado na luta contra a fome global. Ele foi eleito após uma disputada eleição, em junho de 2011, em que seu principal adversário era o ex-ministro de Relações Exteriores espanhol Miguel Ángel Moratinos.

Um dos objetivos do novo diretor-geral é elevar a segurança alimentar em países pobres, com produção insuficiente de comida e que vivem crises prolongadas. “Vamos criar grupos para reunir as competências da FAO em consultoria política, planejamento de investimentos, mobilização de recursos, resposta à emergências e desenvolvimento sustentável”, disse Graziano, em nota oficial distribuída pela entidade.

Estima-se que 925 milhões de pessoas no mundo sofram de fome crônica. Muitos países ainda estão distantes de um dos objetivos do milênio relacionados ao tema, que é justamente a eliminação da fome e da extrema-pobreza no prazo de 1990 a 2015.

Como objetivos de sua gestão, Graziano também pretende incentivar a produção e o consumo sustentáveis de comida, tornar “mais justo” o comércio global de alimentos, concluir a reforma organizacional da FAO em direção à eficiência e transparência, e expandir as parcerias sul-sul.

“A erradicação da fome não deve ser separada de respostas a outros desafios globais, tais como apoiar as economias nacionais, proteger os recursos naturais da degradação, e mitigar as mudanças climáticas", acrescentou.

Antes de assumir o atual posto, Graziano foi assessor do diretor-geral e representante da organização na América Latina e Caribe. Professor da Unicamp, ele possui graduação em agronomia e doutorado em economia pela mesma universidade. Foi assessor do ex-presidente Lula e um dos responsáveis pelo Fome Zero.

Pochmann questiona nova classe média e reforça classe trabalhadora

Sob o título "Novos personagens?", a Folha de S.Paulo publicou artigo nesta segunda-feira, 2 de janeiro, do presidente do Ipea, Márcio Pochmann, que questiona o conceito de uma nova classe média e reforça a classe trabalhadora.

O autor destaca a geração de 21 milhões de empregos na década de 2000, sendo 95% deles com remuneração de até 1,5 salário mínimo mensal. "Na década de 1990, o Brasil das políticas neoliberais abriu somente 11 milhões de ocupações, sendo 62,5% delas sem remuneração", aponta.

Para o Pochmann, "o adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média".

Leia a íntegra do artigo:

Novos personagens?

A centralidade do trabalho, conferida pelo impulso das políticas públicas em pleno ambiente de recuperação econômica dos últimos anos, foi responsável pelo fortalecimento do segmento situado na base da pirâmide social brasileira.

Na década de 2000, por exemplo, foram 21 milhões de novos postos de trabalho abertos, sendo 95% deles com remuneração de até 1,5 salário mínimo mensal, capazes de permitir a redução tanto do mar de pobreza existente como do patamar extremo da desigualdade no interior do rendimento do trabalho.

Na década de 1990, o Brasil das políticas neoliberais abriu somente 11 milhões de ocupações, sendo 62,5% delas sem remuneração.

O adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média.

Talvez não seja bem um mero equívoco conceitual, mas expressão da disputa que se instala em torno da concepção e condução das políticas públicas atuais.

A interpretação de classe média (nova) resulta, em consequência, no apelo à reorientação das políticas públicas para a perspectiva fundamentalmente mercantil. Ou seja, o fortalecimento dos planos privados de saúde, educação, assistência e previdência, entre outros.

Nesse sentido, não se apresentaria isolada a simultânea ação propagandista desvalorizadora dos serviços públicos (o SUS, a educação e a previdência social).

A despolitizadora emergência de segmentos novos na base da pirâmide social resulta do despreparo de instituições democráticas atualmente existentes para envolver e canalizar ações de interesse para a classe trabalhadora ampliada. Ou seja, o escasso papel estratégico e renovado do sindicalismo, das associações estudantis e de bairros, das comunidades de base, dos partidos políticos, entre outros.

No final da década de 1970, estudos como o de Eder Sader ("Quando Novos Personagens Entram em Cena") buscaram destacar que o crescimento econômico da ditadura militar culminou com o novo movimento de ascensão do grande contingente de brasileiros oriundos da transição do campo para cidades.

Aquela mobilidade na base da pirâmide social, que havia sido contaminada pela precariedade das cidades e dos serviços públicos, foi capturada pelo novo sindicalismo e por comunidades de base, o que impulsionou a luta pela transição democrática e pelo aparecimento das políticas sociais universalistas. Isto é, a chave do rompimento à longa fase da cidadania regulada predominante no Brasil, como descreveu Wanderley dos Santos ("Cidadania e Justiça").

Ainda que no cenário derrotista das teses neoliberais vigente atualmente, elas parecem se renovar e ganhar impulso marqueteiro na agenda mercadológica do consumo. Isso torna a agenda das políticas públicas assentadas na centralidade do trabalho desafiada, posto que a força difusora de um conceito equivocado sobre alterações na estratificação social pode levar à dispersão e fragmentação da atuação do Estado.

O entendimento correto acerca do impulso ampliado da classe trabalhadora deveria ser acompanhado da transformação dos segmentos sociais emergentes em novos personagens pelas instituições democráticas atuais. Dessa forma, soergueriam os atores protagonistas da contínua luta pelas políticas públicas universais.

MARCIO POCHMANN, professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas, é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Fonte: Folha de São Paulo

Entra em vigor nova tabela do Imposto de Renda com reajuste de 4,5%

A nova tabela do Imposto de Renda retido na fonte, com as alíquotas que serão aplicadas nos salários deste ano para a declaração do Imposto de Renda em 2013, já estão em vigor, com correção de 4,5%, abaixo da inflação do período, de acordo com lei aprovada no Congresso Nacional em 2011.
Conforme a nova tabela, estarão isentos da cobrança os trabalhadores que têm renda até R$ 1.637,11.
Pela tabela em vigor em 2011 e que será usada no cálculo do imposto a ser declarado neste ano, essa isenção era de R$ 1.566,61.
Há cinco faixas de tributação (veja nas tabelas abaixo). A maior alíquota, de 27,5%, passará a ser aplicada a quem ganha mais de R$ 4.087,65, contra R$ 3.911,63 no ano passado.
Compare, abaixo, as tabelas aplicadas em 2011 (usada no cálculo da declaração a ser prestada neste ano) e a atual (aplicada nos salários em 2012 e que servirá na prestação de contas do IR no ano que vem).

Tabela anterior
Renda (R$)                        alíquota (%)      deduzir
Até 1.566,61                       isento                  -
De 1.566,62 a 2.347,85        7,5               117,49
De 2.347,86 a 3.130,51        15               293,58
De 3.130,52 a 3.911,63       22,5             528,37
Acima de 3.911,63              27,5               723,95

Tabela atual
Renda (R$)                      alíquota (%)       deduzir
Até 1.637,11                           isento                  -
De 1.637,11 a 2.453,50             7,5               122,78
De 2.453,50 a 3.271,38             15               306,8
De 3.271,38 a 4.087,65             22,5             552,15
Acima de 4.087,65                     27,5             756,53
Fonte: Folha de São Paulo