sexta-feira, 19 de março de 2010

Crise mundial não afetou reajustes salariais em 2009, conclui Dieese

A crise financeira internacional, que se intensificou no final de 2008, não impediu que os trabalhadores tivessem ganhos acima da inflação no ano passado.

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese) mostrou que, no balanço das negociações dos reajustes salariais de 2009, 80% ou mais das categorias conquistaram reajuste salarial acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Apenas 7,4% dos reajustes ficaram abaixo do índice e quase 12,7% das categorias tiveram reajuste igual à inflação.

O estudo foi feito com base nas 692 negociações salariais realizadas em 2009 acompanhadas pelo Dieese em todo o país. O setor que teve o maior aumento no número de negociações com reajustes em ganho real, ou seja, acima da inflação, foi o de serviços.

Em 2008, 59% das negociações do setor resultaram em reajuste acima da inflação e, agora, em 2009, o percentual foi de 70%.

O comércio ficou no patamar do ano anterior, de 88%. Já a indústria, um dos setores mais afetados pela crise, apresentou uma pequena queda, passando de 88% para 85%, na comparação entre os dois anos.

Entre as regiões, o Dieese constatou que, na Região Norte, 15,2% dos reajustes ficaram abaixo da inflação, representando o maior percentual do país. A Região Centro-Oeste foi a que apresentou o menor percentual de reajustes abaixo do INPC, 4,2%.

Para o Dieese, 2010 poderá ser um ano ainda mais positivo para as negociações trabalhistas caso as expectativas favoráveis se confirmem.


Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 17 de março de 2010

UNI lança campanha por acordo global com HSBC e Santander

A UNI Finanças, um braço da UNI Sindicato Global, que representa 20 milhões de trabalhadores de cerca de 900 entidades ao redor do mundo, promove hoje, dia 17, em São Paulo, o seminário de lançamento da campanha mundial por um acordo marco global com o HSBC e o Santander. O obje-tivo é garantir direitos básicos e conquistas para funcionários destas instituições financeiras em todo o mundo.
O evento ocorre no centro da capital paulista e conta com o apoio da Contraf-CUT, Sindicato dos Bancários de São Paulo, Fetec-SP, CUT e Afubesp.
O ato de lançamento da campanha será presidido pelo chefe mundial da UNI Finanças, o alemão Oliver Roethig. "Queremos mostrar ao HSBC e ao Santander que as entidades sindicais filiadas à UNI estão unidas nessa campanha por um acordo marco global", afirmou.
Já confirmaram presenças dirigentes de entidades sindicais de 19 países, onde os dois bancos inter-nacionais possuem agências. Do Brasil comparecem representantes de sindicatos, federações e inte-grantes das Comissões de Organização dos Empregados (COE) do HSBC e Santander.
Segundo o secretário de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Ricardo Jacques, "além de defla-grar a campanha, serão promovidas no dia seguinte reuniões das redes sindicais do HSBC e Santan-der e no dia 19 uma reunião da Executiva da UNI América Finanças".
Uma série de encontros preparatórios com as entidades sindicais já foi realizada pela UNI Finanças, como a reunião ocorrida no dia 14 de janeiro, em Madri. Outra atividade importante foi a entrega de documentos para as direções dos bancos em cada país, na semana de 8 a 12 de fevereiro.
LUCROS MUNDIAIS, DIREITOS DESIGUAIS
"Os bancos mulitinacionais têm práticas diferentes nos seus países de origem e nos outros países onde estão operando. Lá eles respeitam os trabalhadores, as entidades sindicais e a sociedade. Na maioria dos países da América Latina e da Ásia, no entanto, eles desrespeitam tudo: os direitos trabalhistas dos bancários, a representatividade dos sindicatos e a população ao cobrarem spreads e juros muito altos e limitarem o crédito", destaca o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.
"Por isso, é importante a unidade mundial dos trabalhadores para conquistar um acordo em nível global", destaca.
GARANTIR COMPROMISSOS DOS BANCOS
O acordo global visa assegurar direitos fundamentais para os trabalhadores dos dois bancos, inde-pendentemente dos países onde se encontram estabelecidos, como o direito à organização em sindi-catos sem ingerência patronal e o direito à sindicalização, o que significa que nenhum trabalhador poderá sofrer retaliações, repressão e discriminações.
Também são objetivos do acordo global: firmar compromisso dos bancos em respeitar a legislação de cada país, assegurar negociação coletiva e diálogo social permanente em todos os níveis e com-bater as práticas antissindicais e a precarização do trabalho.
As entidades sindicais buscam negociações para firmar a assinatura do acordo global em 2010, ano em que acontecerá o congresso mundial da UNI. HSBC e Santander foram os bancos menos afeta-dos pela crise financeira e, portanto, não têm razões para negar o atendimento dessa importante de-manda dos representantes dos trabalhadores em todo mundo. (Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo)