sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fazendas de deputado e de prefeito são flagradas com escravos

Fiscalizações nas propriedades do deputado federal Urzeni Rocha (PSDB-RR) e do prefeito de Toledo (MG), libertaram 47 de trabalho escravo; 4 vítimas eram têm menos de 18 anos


O deputado federal Urzeni Rocha (PSDB-RR) e o prefeito de Toledo (MG), Vicente Pereira De Souza Neto (PSDB), não têm em comum apenas o partido político tucano. Ambos foram flagrados explorando mão-de-obra escrava em Góias e Roraima, respectivamente. Ao todo, 47 pessoas foram libertadas de condições análogas à escravidão das propriedades dos políticos.

Os trabalhadores afirmaram que dormiam no chão e tinham que dividir as despesas com alimentação. Declararam ter passado fome. O alojamento era uma casa velha sem camas, colchões ou roupas de cama. Os trabalhadores dormiam em redes ou colchonetes velhos e sujos. A cozinha tinha apenas um fogão de duas chamas e uma mesa improvisada, sendo que os alimentos e panelas eram colocados no chão. Havia apenas um banheiro e um chuveiro para todos os trabalhadores.

Durante o dia, os empregados consumiam a água captada das torneiras do alojamento. Nas frentes de trabalho, Não havia água potável nem instalações sanitárias. O mato era usado como banheiro.

A Repórter Brasil não encontrou o prefeito e entrou em contato com a assessoria de imprensa do deputado na Câmara e foi informada que ele ficará fora até terça-feira (8) e não havia possibilidades de entrevistá-lo. Detalhe: o deputado federal votou a favor da chamada "Emenda 3", incluída no projeto de lei da "Super Receita", que impedia que auditores fiscais do trabalho apontassem vínculos entre patrões e em-pregados quando de irregularidades. Graças ao veto à emenda, a fiscalização realizou com plenitude a sua atribuição na fazenda do político.

(Com informações e matéria completaacesse: http://www.reporterbrasil.org.br/)


Participe do abaixo-assinado pela aprovação
da PEC do Trabalho Escravo (PEC 438).



TRABALHO ESCRAVO:
Vamos abolir de vez esta vergonha.

CCT 2009/2010 - Dias NÃO trabalhados (GREVE)

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2009/2010
Dias não trabalhados (GREVE)


Cláusula 50ª - Os dias não trabalhados entre 17 de setembro de 2009 e 8 de outubro de 2009, por motivo de paralisação, não serão descontados e serão compensados, com a prestação de jornada suplementar de trabalho no período compreendido entre a data da assinatura desta Convenção Coletiva de Trabalho até 15 de dezembro de 2009, inclusive, e, por consequência, não será considerada como jornada extraordinária, nos termos da lei.

Parágrafo 1º - Para os efeitos do caput desta cláusula, não serão considerados os dias em que houve trabalho parcial, pelo empregado, durante a jornada diária contratada.

Parágrafo 2º - A compensação será limitada a duas horas diárias, de segunda a sexta-feira, excetuados os feriados.

Parágrafo 3º - As horas extraordinárias realizadas anteriormente à assinatura desta Convenção Coletiva de Trabalho não poderão compensar os dias não trabalhados.

Comissão do Senado aprova vale-transporte grátis para os trabalhadores

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira 9/12, Projeto de Lei do Senado (PLS) 228/09 que determina o custeio integral do vale-transporte pelos empregadores. Em outras palavras, o fim do desconto no salário.
Pela lei atual, o desconto é de até 6% de seu salário básico, feito diretamente na folha. Para os bancários, é de 4%, previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.
O PLS, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), determina ainda que os patrões possam deduzir os gastos como despesa operacional, na determina-ção do lucro real da empresa, ou no cálculo de Imposto de Renda devido.
Trâmite: Como a decisão foi tomada em caráter terminativo, ela vai agora ser lida para o plenário do Senado. Se nenhum senador entrar com recurso em um prazo de cinco dias após a leitura, o projeto é da-do como aprovado pela Casa e segue para a Câmara.
Fonte: Seeb São Paulo

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

COBRANÇAS E METAS – O ÚLTIMO ESTÁGIO!!!


O texto retrata a realidade que infelizmente muito de nós bancários já sabíamos, mas que não tínhamos ainda informações cientificas o que veio a ocorrer com a pesquisa inédita da Universidade de Brasília (UnB). A mesma revela expressiva taxa de suicídio na categoria.

As péssimas condições de trabalho nos bancos levaram 181 bancários entre 1996 e 2005 a darem cabo à própria vida. Uma média de um suicídio a cada 20 dias. Entre as principais causas que levam o trabalhador a tomar essa medida extrema estão as pressões para o cumprimento de metas, a falta de funcionários para muitas tarefas, o assédio moral (este eterno vilão que a cada dia se torna mais forte nos locais de trabalho) e perseguições gratuitas. O medo do sofrimento ou de retaliações também abre brechas para o sofrimento.

Qualquer pessoa considerada normal está sujeita a passar pelo mesmo processo. Por mais equilibrada que ela esteja caso não encontre soluções práticas para livrar-se das causas do sofrimento, seja por meio de uma remoção para outro setor na empresa, seja por meio da troca de emprego ou aposentadoria, a possibilidade de adoecimento é muito grande. Alguns somatizam doenças físicas, outros desenvolvem transtornos mentais. De forma extrema, alguns entendem que a vida não merece ser vivida, optando pela radicalização por meio do suicídio.
Infelizmente a associação das taxas de suicídios e doenças do trabalho está diretamente ligada às transformações ocorridas no mercado financeiro a partir da década de 1990. No período, 430 mil bancários foram demi-tidos no Brasil. Se antes os bancos tinham lucros com a inflação, após 1995 o papel do bancário mudou. “Ele passa a ser vendedor e consultor. As cobranças se acentuaram”. O vínculo estabelecido entre os bancos e o tra-balhador muda bruscamente e passa a ser o de submissão. Cabe ressaltar que as mudanças organizacionais que vieram e se mantiveram resultam em enorme sofrimento, pois em sua maioria faz com que ocorra demissão em massa, mais trabalho para os que mantêm o emprego e, não raro, desorganização completa da vida pessoal do trabalhador. A perda do equilíbrio se completa (saúde mental – doenças psicossomáticas) pela constatação de que o discurso reiteradamente veicula-do nos informativos da organização, impregnados de mensagens de amor à empresa e empregados felizes, contrasta violentamente com a percepção de realidade do trabalhador (todos os bancos a-dotam este padrão de abuso ao trabalhador, não só físico, mas principalmente na parte psicológica).

O fator mais determinante que leva o empregado à desestabilização e à perda da vontade de viver é a falta de reconhecimento pelo esforço despendido para a realização das tarefas. O trabalho é poderosa fonte de identidade e pertencimento social; o que nós trabalhadores em geral espera-mos é que a empresa valorizasse o que está sendo feito em prol dos objetivos organizacionais. Nós dedicamos durante 10, 20, 30 anos, desenvolvemos laços afetivos com a empresa e, de repente, nos convidam a se retirar ou somos excluídos compulsoriamente, como se toda a dedicação incondicional não tivesse valor algum.

Precisamos de mais humanização nas relações de trabalho. Falta o cumprimento da legislação trabalhista, metas menos abusivas de produção interagindo com a capacidade física e psicológica dos bancários, as-sim como o treinamento dos gestores para lidar não só com os conflitos das metas, mas principalmente com os colegas lesionados que adquiriram por negligência da empresa as doenças ocupacionais e constatar infelizmente que o suicídio tem sido o desfecho trágico de mui-tos bancários que sucumbem às violências do trabalho.

[FONTE: UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UNB)]